Criança de 6 anos foi torturada com pedaço de ferro antes de morrer

Os tios agrediram a menina e os três irmãos porque eles pediram comida aos vizinhos

Andre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 30/05/2019 18:48

Sabrina de Jesus Cabral, de 6 anos, que morreu após ser espancada pelos tios, foi torturada antes de falecer, em Planaltina de Goiás (ou Brasilinha), nessa quarta-feira (29/05/2019). Após apanhar, a menina teria sido deixada ao relento. O irmão, de 8 anos, relatou que ela foi castigada com um vergalhão de ferro e um pedaço de madeira. O delegado do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Planaltina de Goiás, Antônio Humberto Costa, confirmou as informações ao Metrópoles.

As crueldades cometidas contra Sabrina chocaram o próprio delegado. “A explicação é tão absurda quanto o ato em si. Eles saíram pela manhã e deixaram as crianças sozinhas, trancadas em casa, e, quando souberam que elas pediram comida aos vizinhos, ficaram com raiva, castigaram e agrediram os meninos”, revelou.

Além de Sabrina, os tios – Bruno Deocleciano da Silva, 19 anos, e uma menor de 17 – maltratavam e agrediam outras três crianças: um menino de 8 anos, uma menina de 4, e outra de 1. Elas apresentavam sinais de violência que, segundo o delegado do caso, indicam prática de tortura.

“Através da coloração das lesões, é possível ter uma ideia de quando elas foram praticadas. Isso é uma característica de tortura”, apontou Antônio Humberto. “Nós, que estamos acostumados a trabalhar com violência, achamos esse caso particularmente chocante. Uma violência absurda. Um fato animalesco. Uma selvageria sem precedentes”, completou.

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Antônio Humberto Costa, delegado do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Planaltina de Goiás

 

Um vizinho, que chegou ao local na tentativa de socorrer Sabrina, expôs que a menina tinha espuma branca na boca e reclamava de dores no peito.

Sem arrependimentos
O delegado garantiu que os agressores não demonstraram arrependimento no momento do depoimento. Segundo a tia, Sabrina tentou se esconder debaixo da mesa e, mesmo assim, foi agredida com chutes na cabeça.

Outra menina, de 4 anos, está internada no hospital e apresenta lesões antigas, como marcas de ferro de passar roupa. Os conselheiros tutelares contaram que as crianças comeram de forma desesperada ao chegar ao centro de saúde.

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Agressões constantes
De acordo com vizinhos e policiais ouvidos pela reportagem do Metrópoles, os atos de violência contra as crianças eram recorrentes. O pedreiro Antônio Jares, 33 anos, contou que o último episódio presenciado por ele ocorreu na noite de terça-feira (27/05/2019).

“Por volta de meia-noite, eu abro a janela e vejo a tia arrastando a menina pelos cabelos aqui na rua. Era um relacionamento conturbado. Escutávamos brigas todos os dias.”

Ainda segundo o vizinho, o casal circulava com as crianças no bairro, a cerca de cinco meses.

“Nós já havíamos denunciado outras vezes. A polícia vinha, eles não abriam a porta, e as autoridades iam embora. Ouvíamos os meninos chorando. Eles passavam o dia fora e deixavam as crianças chorando em casa, sem comida. Era um casal intimidador. Tínhamos medo de virar alvo e ficávamos neutros. Nessa quarta, a minha esposa resolveu chamar o conselho [Conselho Tutelar], e foi quando recebemos a informação da morte de uma das crianças”, comentou.

A diarista Maria Josué, 56, é vizinha do casal e mora na casa onde as crianças pediram comida na manhã dessa quarta-feira (29/05/2019). “Nós sempre dávamos. Às vezes, ouvia as crianças gritando e perguntava o que estava acontecendo, mas eles diziam que não era nada. Nesse dia, ele se arretou, ficou com raiva e fez o que fez”, observou.

Ela comentou ainda que tinha um bom convívio com Bruno. “Ele vinha aqui e conversávamos. As crianças deles também brincavam com as minhas. Nunca havíamos visto marcas. Eles andavam sempre limpos, calçados e vestidos. Estou chocada”, apontou Maria.

Vídeo feito por policial na hora da ocorrência:

Pais presos
Os pais das quatro crianças, Silvoney de Jesus dos Santos e Daniela de Jesus Cabral, foram presos na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho). Depois disso, a tia foi buscar as crianças.

A reportagem esteve no Hospital Santa Rita de Cássia, onde as três vítimas continuam internadas. A assistência social confirmou que parentes e amigos dos pais das crianças estiveram na unidade de saúde para visitá-las. Durante a entrevista com o serviço social, elas foram dóceis e não quiseram se separar.

Nesta tarde, duas crianças serão encaminhadas ao orfanato. A assistência social do hospital está recebendo doações de roupas, comida e brinquedos. Eles também informaram que muitas pessoas apareceram no local com o intuito de adotar os três irmãos.

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