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Detidos há 15 dias por suspeita de desfalcar em cerca de R$ 2 milhões os cofres da Diocese de Formosa (GO), os padres e bispos alvos da Operação Caifás foram autorizados a celebrar missa de Páscoa dentro da cadeia. Ao contrário dos atos litúrgicos realizados na igreja, a cerimônia na penitenciária, feita no domingo (1º/4), foi bem mais modesta.

Atendendo à solicitação da Mitra da cidade, o juiz Fernando Oliveira Samuel, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Formosa, permitiu a entrada de alguns itens usados durante o sacramento. Os religiosos puderam comungar apenas com a hóstia – pão que representa o corpo de Cristo –, pois o magistrado negou a eles o acesso ao vinho e aos tradicionais cálices banhados a ouro.

“Fica indeferido o ingresso de qualquer objeto de metal, além de vinho e água, e outros objetos referidos no pedido por questão de segurança do estabelecimento prisional e dos próprios agentes penitenciários”, escreveu o juiz.

A ordem judicial ainda admitiu a visita do vigário-geral dom Aparecido Gonçalves de Almeida e do padre Naílton Almeida de Araújo Correa aos colegas de batina encarcerados no Presídio Estadual de Formosa.

Entre os detentos no âmbito da Operação Caifás, estão o bispo de Formosa, José Ronaldo Ribeiro (foto em destaque), o monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, o padre Mário Vieira de Brito e o juiz eclesiástico Thiago Wenceslau de Barros. Os empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa também foram presos. Eles são suspeitos de servirem de “laranjas” para que as lideranças religiosas lavassem o dinheiro desviado da igreja.

Na mesma decisão, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determina que o Ministério Público local (MPGO) devolva, no prazo de 30 dias, todos os computadores e documentos à Diocese de Formosa, tendo em vista a “impossibilidade do pagamento de funcionários e de despesas ordinárias sem o acesso aos sistema de computação existente apenas nas máquinas”.

 

 

Outra denúncia contra o bispo
Nesta segunda-feira (2/4), o Metrópoles revelou a existência de outra denúncia contra o bispo dom José Ronaldo Ribeiro. Investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás suspeita que o líder religioso tenha usado uma espécie de cartão corporativo da igreja para comprar cerveja e uísque.

Ele está no centro das denúncias do MPGO. De acordo com os investigadores, o clérigo seria o mentor do esquema criminoso iniciado no Entorno em 2015. A defesa nega as irregularidades e diz que os recursos financeiros identificados durante as investigações são “fruto de muito trabalho dos padres”.

No entanto, com base nas apurações dos promotores de Formosa, “são inúmeros os diálogos transcritos, a partir das interceptações telefônicas, que apontam a possibilidade de José Ronaldo, o monsenhor Epitácio Cardoso e os padres Moacyr Santana e Mário Vieira de Brito terem desviado quantias vultosas supostamente usadas para comprar fazenda e casa lotérica em Posse (GO), além de despesas de cunho pessoal do bispo arcadas pela instituição.”

Entre as provas materiais apontadas pelo Judiciário para embasar o acolhimento da denúncia do MP, estão R$ 75 mil achados na residência paroquial de Epitácio, pelo menos 12 recibos que podem demonstrar a forma de atuação do grupo e declarações diversas apreendidas nos autos.

“Ainda constam o Comunicado à Sociedade e ao Povo de Deus da Diocese de Formosa e o Relatório Contábil. Ambos apresentam, aparentemente, informações falsas sobre a contabilidade da Mitra Diocesana de Formosa”, destacou Fernando Oliveira Samuel, o mesmo magistrado que autorizou a realização da missa pascoal no domingo (1º).

A Caifás foi deflagrada pelo MPGO em 19 de março, com o apoio da Polícia Civil de Goiás. Os religiosos investigados são acusados de desviar ao menos R$ 2 milhões de recursos da Igreja Católica, entre doações, taxas arrecadadas em eventos (casamentos e batismos) e festas nas paróquias.

 

 

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