Cidade do Entorno teve 100 pedidos para exploração de ouro em 2 anos
As solicitações de exploração do solo da cidade de Luziânia (GO) partiram de uma empresa de mineração subsidiária a uma empresa canadense
atualizado
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A cidade de Luziânia (GO), que fica a 59 quilômetros de Brasília (DF), teve 100 pedidos de exploração no solo da região, em menos de dois anos. As solicitações partiram de uma empresa de mineração subsidiária a uma empresa canadense.
A Kinross Brasil Mineração S/A foi a responsável por emitir em média 100 pedidos de exploração de solo à Agência Nacional de Mineração (ANM). A companhia tem sede no Canadá, com o nome de Kinross Gold Corporation.
Sendo uma das maiores produtoras de ouro no Brasil, a companhia demonstrou bastante interesse na região goiana. A avalanche de pedidos começou em 2024, indicando o interesse da mineradora no município goiano.
Entre 2019 e 2023, a média do chamado requerimento de registro de licença no site da ANM era parecida, oscilando entre sete e 12 pedidos por ano. Além disso, as solicitações eram sempre feitas por várias empresas.
Já em 2024, a agência reguladora recebeu 78 pedidos, sendo 67 da empresa canadense Kinross Gold Corporation, por meio da filial brasileira Kinross Brasil Mineração S/A.
Em 2025, os pedidos parecem estar diminuindo, mas o número ainda é maior do que o período entre 2019 e 2023. De janeiro a setembro deste ano, a ANM recebeu 29 pedidos na totalidade, sendo 20 da Kinross.

A Kinross Brasil Mineração S.A. atua desde 2005 em Paracatu (MG), cidade distante 240 quilômetros de Brasília (DF). A empresa se autointitula “uma das maiores produtoras de ouro do Brasil, responsáveis por 22% da produção nacional”. Opera na Mina do Ouro, no município mineiro. “Com um grande projeto de expansão, elevamos a capacidade de lavra de minério e ampliamos em mais de 15 anos o tempo de vida útil da mina, agora estimado até 2032”, diz em seu site.
O grupo já foi alvo do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que chegou a pedir, em 2022, indenização de R$ 50 milhões por dano moral coletivo devido à empresa ter depositado rejeitos na barragem Eustáquio, em Paracatu. De acordo com o MPMG, a prática deixou a população mineira em pânico e causou danos morais coletivos após, em maio de 2021, as sirenes de rompimento da barragem Eustáquio dispararem. O espaço tem mais de 300 milhões de metros cúbicos e é maior que as barragens rompidas nas cidades mineiras Mariana e Brumadinho.
Grama do ouro a R$ 500
O Metrópoles conversou com um ex-garimpeiro, morador de Luziânia, para saber se a região ainda tem trabalhadores que extraem o cascalho do solo em busca de ouro. José de Carvalho, 71 anos, assegura que as terras luzianenses ainda guardam o metal precioso.
“Ainda há, nos dias de hoje, garimpeiros que mexem no solo e extraem ouro de forma autônoma. Como é muito difícil a regularização, eles acabam atuando clandestinamente devido à necessidade financeira”, explica Carvalho.
José de Carvalho aponta que os garimpeiros vendem o grama do ouro a, uma média, de R$ 400 a R$ 500. “Cada garimpeiro consegue extrair, em média, de um a dois gramas por dia”, comenta o ex-garimpeiro. “Alguns compradores já sabem e vêm aqui, enquanto outros garimpadores buscam sair do município para vender por preço melhor”, conta.
“Acredito que aqui em Luziânia existam, atualmente, menos de 10 garimpeiros”, aposta Carvalho.
Outro lado
Após a publicação da reportagem, a Kinross Brasil Mineração S/A se manifestou, por meio de nota. A empresa alega que os requerimentos de pesquisa “fazem parte do processo regular de prospecção geológica”. “Esses requerimentos têm como objetivo estudos técnicos preliminares sobre o potencial mineral da região estudada”, afirma.
Em relação à possível prática de mineração de ouro em Luziânia, a Kinross declara que não há “nenhuma definição ou compromisso de implantação de nova operação”. “Reforçamos que não há, neste momento, planos de instalação de nova unidade operacional em nenhuma cidade, e que todas as nossas atividades seguem rigorosamente a legislação brasileira, respeitando os critérios ambientais e sociais aplicáveis”, encerra.
A reportagem também buscou as polícias Federal (PF) e Civil de Goiás (PCGO). Em caso de manifestação, a reportagem será atualizada.












