Afastado pelo papa, bispo sai da prisão e volta para casa episcopal

Após ficar 30 dias detido, dom José Ronaldo almoçou com a mãe e recebeu amigos na residência oficial da Diocese de Formosa (GO)

TV Globo/Reprodução

atualizado 19/04/2018 7:36

Mesmo afastado pelo papa Francisco de qualquer função na Igreja Católica, dom José Ronaldo de Oliveira, bispo de Formosa (GO), voltou a ocupar a casa episcopal ao sair da prisão, na noite de terça-feira (17/4). O amplo imóvel, situado no centro do município goiano, é uma espécie de residência oficial da Diocese da cidade.

No primeiro dia de liberdade após um mês no cárcere, o religioso almoçou com a mãe, o irmão e alguns amigos mais próximos. Apontado como líder de um esquema que teria desviado mais de R$ 2 milhões de doações da Cúria de Formosa, o bispo e outras sete pessoas detidas no âmbito da Operação Caifás ganharam o direito de responder ao processo em liberdade.

A 2ª Comarca Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) acatou habeas corpus impetrado pela defesa dos réus e entendeu que eles não oferecem risco à sociedade e, por isso, poderiam responder soltos.

Os outros beneficiados com a liberdade foram o monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, os padres Mário Vieira de Brito, Waldson José de Melo e Moacyr Santana e o juiz eclesiástico Thiago Wenceslau, além dos empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa, apontados como laranjas do esquema. Enquanto durar o processo, eles não poderão sair da cidade de Formosa.

Na tarde dessa quarta (18), o advogado de dom José Ronaldo, Lucas Rivas, entregou o passaporte do religioso à Justiça. “É para demonstrar as boas intenções do bispo de colaborar com a Justiça”, disse.

Um grupo de fiéis da igreja fez questão de ir até a porta do presídio de Formosa comemorar a decisão. Mais exaltado, o padre Waldon José de Melo afirmou que promotor do caso, Douglas Chegury, “vai arder no quinto dos infernos“.

Nesta quinta (19), dom José Ronaldo e dom Paulo Mendes Peixoto – este designado interventor em Formosa pelo papa – se reúnem na Cúria da cidade a fim de definir qual será o futuro do religioso sob suspeita. A pessoas próximas, o líder alvo da Caifás confidenciou que teme perder o bispado, embora já tenha se conformado de que não existe mais clima para continuar à frente da Diocese de Formosa.

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Igreja de Formosa onde fica a Diocese

 

Caifás
As investigações começaram após o Ministério Público ter recebido denúncias de fiéis que desconfiaram dos desvios, supostamente iniciados em 2015. Entre as suspeitas, estava o fato de as despesas da casa episcopal de Formosa, onde o bispo mora, terem passado de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde que dom José Ronaldo assumiu o posto.

Os religiosos teriam usado os recursos desviados dos dízimos para comprar fazenda e uma lotérica em Posse (GO), usada, segundo as diligências, para lavar o dinheiro. O MPGO ainda apura por que a Diocese de Formosa tem 160 veículos registrados, sendo que em sua jurisdição estão apenas 33 paróquias.

Como revelou o Metrópoles, a maioria desses carros é de luxo e custa mais de R$ 100 mil. Além dos automóveis, a Caifás descobriu que as autoridades religiosas tinham joias e relógios de marca. Há cinco dias, a Justiça determinou a penhora de R$ 9 milhões de todos os acusados.

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