“Enquanto não tiver vacina a gente não pode tratar de Carnaval”, diz Ibaneis

GDF está tomando providências para anunciar, em breve, o cancelamento das comemorações de Réveillon e do Carnaval 2021

atualizado 26/10/2020 10:35

Ibaneis RochaHugo Barreto/ Metrópoles

Durante agenda de inauguração do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Cesmu), o governador Ibaneis Rocha (MDB) foi questionado quanto à possibilidade de haver Carnaval no DF em 2021. “Essa questão, para mim, já está decidida. Enquanto não tiver vacina a gente não pode tratar de Carnaval. Isso já está resolvido”, afirmou.

Há uma semana, a coluna Grande Angular adiantou que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal está tomando providências para anunciar, em breve, o cancelamento das comemorações de Réveillon e do Carnaval 2021, custeadas pelo Governo do DF (GDF).

O objetivo é impedir grandes aglomerações, que são inevitáveis nesse tipo de evento. A informação foi confirmada pelo secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues.

Em 2020, as comemorações de Ano-Novo e do Carnaval custaram, juntas, R$ 8 milhões. Diante da crise de saúde provocada pela Covid-19, o governo não investirá nesses eventos em 2021, de acordo com Bartolomeu.

“Não vai ter um centavo [de dinheiro do estado] para aglomeração. Sem vacina e sem segurança, não vamos arriscar”, pontuou Bartolomeu, ao Metrópoles, na segunda-feira da semana passada (19/10).

Tradicionalmente, o GDF contrata artistas para shows na Esplanada dos Ministérios e na Prainha durante a virada do ano. No Carnaval de Brasília, o governo também aporta recursos, parte deles vinda do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Com o cancelamento, não haverá subsídio do GDF no Réveillon nem no Carnaval.

A decisão política de suspender as comemorações de grande porte foi tomada a partir de uma consulta do secretário Bartolomeu ao governador Ibaneis Rocha (MDB) nos últimos dias. Na conversa, houve entendimento de que o governo não poderia investir dinheiro em eventos que colocassem em risco a saúde da população. Embora o GDF tenha flexibilizado a maior parte das medidas de isolamento social, as festas nessas duas datas costumam reunir milhares de pessoas.

No DF, a pandemia do novo coronavírus segue apresentando números de estabilidade, mas ainda não há um controle definitivo da transmissão. O próximo passo da Secretaria de Cultura será a tomada de providências jurídicas para respaldar o cancelamento das comemorações do Carnaval, um evento que tem, inclusive, a previsão legal para realização.

Com a decisão política tomada, a Administração de Brasília, responsável por emitir os alvarás para os blocos de rua, não deverá liberar os documentos necessários para as festas. O eventual descumprimento de organizadores poderá ser passível de punição. “E se as pessoas forçarem a barra, aí vira questão de polícia”, frisou o secretário de Cultura.

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Movimento nos estados

Outras capitais do país decidiram não realizar o Carnaval na data prevista, no início do ano. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), disse que não haverá comemoração de Carnaval e Ano-Novo sem que haja alguma vacina contra a Covid-19.

No Rio de Janeiro, a Liga Independente das Escolas de Samba do RJ (Liesa) decidiu adiar os desfiles do grupo especial – ainda não foi definida nova data para o evento.

Em Recife (PE) e Olinda (PE), as decisões a respeito do Carnaval 2021 só serão tomadas após as eleições municipais, que ocorrem em novembro.

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