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Sem Carnaval: blocos aguardam debate com GDF sobre alternativas para folia

Como revelou a Grande Angular, governo não irá financiar atividades que gerem aglomeração por conta da pandemia do novo coronavírus

atualizado 19/10/2020 22:31

Bloco Galo Cego animou o pré-carnaval na área central de Brasília, em 2020Myke Sena/Especial para o Metrópoles

Com o anúncio de que o Governo do Distrito Federal (GDF) não irá financiar o Carnaval 2021, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, representantes de blocos carnavalescos aguardam a discussão de alternativas para a folia na capital do país.

Gestora da Praça dos Prazeres e da Rede Carnavalesca, Juliana de Andrade divulgou nota pública criticando a medida. “Carnaval é ativo da economia, gera renda, emprego e promove desenvolvimento social. O Carnaval é saúde, é alegria, é liberdade, é afeto. Nosso povo precisa valorizar nossa cultura. Mas o empenho da gestão pública é de subtrair do nosso povo esta perspectiva”, diz o texto.

Ao Metrópoles, ela reclamou da falta de diálogo. “Carnaval não é só aglomeração. Nossa posição é pelo debate público e transparente. Seria uma oportunidade de construir diálogo e buscar o equilíbrio”, afirmou. Entre as sugestões, ela cita a realização de aulas e seminários.

Presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, Paulo Henrique disse que já havia consenso entre os líderes de não desfilar em 2021. “Queremos fazer um grande espetáculo. Carnaval é alegria e acredito que é o evento que gera mais aglomeração no mundo. Vai ser ruim, mas não vemos alternativa”, afirmou.

“Nós temos integrantes que sofreram muito com a Covid-19 e ainda estão se recuperando. Na organização dos blocos, há patriarcas com mais de 80 anos”, destacou.

Paulo Henrique afirmou que a Liga aguarda o posicionamento do GDF sobre alternativas. “No caso das quadrilhas juninas, por exemplo, a Secretaria de Cultura financiou apresentações dentro dos protocolos de segurança”, ponderou.

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Como revelou a Grande Angular, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal está tomando providências para anunciar, em breve, o cancelamento das comemorações de Réveillon e do Carnaval 2021 custeadas pelo GDF.

O objetivo é impedir grandes aglomerações, que são inevitáveis nesse tipo de evento. Em 2020, as comemorações de Ano-Novo e do Carnaval custaram, juntas, R$ 8 milhões. Diante da crise de saúde provocada pela Covid-19, o governo não investirá nesses eventos em 2021, de acordo com o Secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues.

“Não vai ter um centavo [de dinheiro do estado] para aglomeração. Sem vacina e sem segurança, não vamos arriscar”, pontuou Bartolomeu.

Tradicionalmente, o GDF contrata artistas para shows na Esplanada dos Ministérios e na Prainha durante a virada do ano. No Carnaval de Brasília, o governo também aporta recursos, parte deles vinda do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Com o cancelamento, não haverá subsídio do GDF no Réveillon nem no Carnaval.

A decisão política de suspender as comemorações de grande porte foi tomada a partir de uma consulta do secretário Bartolomeu ao governador Ibaneis Rocha (MDB) nos últimos dias. Na conversa, houve entendimento de que o governo não poderia investir dinheiro em eventos que colocassem em risco a saúde da população. Embora o GDF tenha flexibilizado a maior parte das medidas de isolamento social, as festas nessas duas datas costumam reunir milhares de pessoas.

No DF, a pandemia do novo coronavírus segue apresentando números de estabilidade, mas ainda não há um controle definitivo da transmissão. O próximo passo da Secretaria de Cultura será a tomada de providências jurídicas para respaldar o cancelamento das comemorações do Carnaval, um evento que tem, inclusive, a previsão legal para realização.

Com a decisão política tomada, a Administração de Brasília, responsável por emitir os alvarás para os blocos de rua, não deverá liberar os documentos necessários para as festas. O eventual descumprimento de organizadores poderá ser passível de punição. “E se as pessoas forçarem a barra, aí vira questão de polícia”, frisou o secretário de Cultura.

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