Sem “show dos atrasados”, começa segunda etapa do Enem 2019

Durante cinco horas, os estudantes respondem a 45 questões de matemática e 45 de ciências da natureza

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 10/11/2019 14:18

Milhões de estudantes fazem o segundo dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (10/11/2019). No Distrito Federal, a movimentação foi intensa no início da tarde em escolas e universidades onde haverá aplicação da última etapa do teste. Sem “show dos atrasados”, os portões foram fechados exatamente às 13h. Desta vez, os candidatos têm cinco horas para responder a 45 questões de matemática e 45 de ciências da natureza.

Neste ano, o Distrito Federal registrou 95.852 inscritos, o que representa 1,9% dos 5.095.382 candidatos aptos a fazer o teste no Brasil.

Catarina Bernardes (foto em destaque), 17 anos, não quis arriscar fazer parte do grupo dos “atrasados do Enem”. “Moro em Taguatinga e preferi me organizar pra chegar mais cedo. Fui bem na primeira prova e não queria arriscar. Já pensou virar meme?”, brincou.

Enquanto aguarda a abertura dos portões, ela aproveitou para revisar o conteúdo da prova. “Espero conseguir o número de acertos que me garantam uma vaga na faculdade dos sonhos. Quero fazer direito na Federal de Jataí (GO)”, disse.

O Enem teve início no último domingo (03/11/2019), com a redação, cujo tema foi Democratização do acesso ao cinema no Brasil, e as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias.

Preparação e expectativa

A estudante Andressa Batista, 18, chegou logo às 11h para evitar qualquer tipo de atraso. “É a primeira vez que faço Enem. Melhor garantir o horário, né?”, ressaltou.

Sem coragem de corrigir a prova da semana passada, ela acha que essa estratégia pode ajudar a ficar menos nervosa. “Nem sei ainda como fui. Na redação eu fui preparada para outro tema, mas no geral posso ter ido bem”, avalia.

Mais confortável com cálculos, Andressa acha que irá melhor hoje. “Humanas é muita leitura. Devo ir melhor agora, mas ainda estou nervosa”, pondera.

Aluno do 3º ano do ensino médio do Mackenzie, Gabriel Lopes, 18, aguardava o início da prova com tranquilidade, por volta das 11h30. Mesmo após a abertura dos portões, ele preferiu ficar um pouco do lado de fora e tirar as últimas dúvidas com os professores. “Eles sempre vêm dar dicas e apoio aos alunos, o que nos dá confiança”, ressaltou.

Apesar da preparação, Gabriel não acredita que a prova estará difícil. “A primeira foi bem tranquila. Só me surpreendi com a escolha do tema da redação, que não considerei muito atual. Esperava outro tipo de assunto. Mas quem estava preparado com certeza se deu bem.”

Já Camille Beatriz Souto, 16, realiza a prova pela segunda vez na vida. Ainda no 2° ano, ela procura melhorar seu tempo para que, no ano que vem, consiga a sonhada vaga em psicologia. “Até que me saí bem no primeiro dia. Ano passado consegui ser mais rápida, mas fui bem também agora”, pondera.

Para se alimentar, ela diz que tem uva e chocolate. O suficiente para aguentar até 18h30, horário de saída. “Gosto de ficar até o final. Se saio antes fica parecendo que falta algo”, explica.

Para ela, a maior surpresa da prova foi a falta de contexto social nas questões. “Estava muito focado no conteúdo. Acho que poderia abordar outras coisas”, reclama.

Para marcar presença nesse segundo dia de provas, Gustavo Cipriani, 25, optou por vir de bike. “Moro na Asa Sul e preferi não arriscar vir de ônibus. Com a bicicleta, garanto o meu horário”. Confiante de que vai conquistar a tão sonhado vaga em biologia, Gabriel não decidiu a instituição em que vai cursar, caso alcance boa pontuação. “Qualquer lugar. O que for possível com a minha nota.”

Jacqueline Lisboa/Especial para o Metrópoles

Enem aos 43

Apesar de ter frequentado a universidade durante muitos anos, Tarcisio Abreu, 43 anos, vai prestar o Enem este ano na expectativa de iniciar uma nova carreira. Ele é formado em biologia, e já concluiu mestrado e doutorado na área, mas acredita que “a perspectiva para quem trabalha com meio ambiente não é muito boa”.

“Apesar de ser uma profissão muito importante, inclusive para o futuro do mundo, os profissionais da área não são valorizados. Por isso, mesmo com o currículo acadêmico, vim tentar uma oportunidade pelo Sisu. Ainda não sei que carreira vou seguir desta vez, mas sempre me dei bem com números. Talvez tecnologia da informação, economia, administração…”, elencou.

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