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Uma quadrilha de roubo e receptação de cargas foi alvo de uma megoperação da Polícia Civil em parceria com a Secretaria de Fazenda do DF nesta quarta-feira (13/6) no Distrito Federal. Segundo os investigadores, o bando montou um esquema sofisticado no DF e Entorno, que incluía até a criação de empresas de fachada. Apenas uma delas movimentou ao menos R$ 100 milhões em um ano.

A empresa de nome Atlanta “funcionava” em uma igreja de Santa Maria e emitia nota fiscal para os produtos roubados especialmente nas estradas. Donos de supermercados também são suspeitos de fazer parte do esquema. Um dos alvos da operação foi um estabelecimento na região administrativa. A PCDF prendeu o proprietário. No local, os policiais encontraram grande quantidade de produtos sem nota fiscal.

Outro mercado estava com ao menos R$ 600 mil em notas usadas para “esquentar” os produtos roubados. O Bonamix tem duas unidades, uma no Gama e outra em Samambaia. Ao todo, 11 pessoas foram alvo de mandados de prisão da megaoperação deflagrada pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri).

A PCDF saiu às ruas com 200 homens para cumprir, ainda, outras três conduções coercitivas (quando a pessoa é obrigada a depor) e 22 mandados de busca e apreensão. A operação, batizada de Vocatus, ocorreu em Águas Claras, São Sebastião, no Gama, na Estrutural e Cidade Ocidental (GO).

A operação desta manhã é um desdobramento de outra ação deflagrada em 7 de março deste ano, quando foram apreendidas aproximadamente 50 toneladas de mercadorias roubadas. O flagrante ocorreu na Ponte Alta, Gama.

O grupo criminoso era liderado por Eduardo Fideles de Andrade, 44 anos. Ele já estava preso em Goiânia, e era o responsável por abrir as empresas de fachada, obter, ocultar e comercializar as cargas roubadas. A esposa, Juliana Rodrigues Ramos, 30, também foi presa preventivamente.

Segundo a Corpatri, os outros envolvidos são: Fernando Marcos de Andrade, Bruno da Silva Ramos, Nyédia Rodrigues Peixoto da Rocha, Petronilo Mesquita Ramos, Geraldo de Lima Sá Junior, Edivaldo Gomes da C. Mara, Rogério Aparecido Leandro de Brito e Francisco José Cardoso de Brito.

Bruno Ramos, 24, tinha outra função dentro do grupo. Ele seria o responsável por recrutar motoristas e chapas, alugar os galpões e gerenciar o comércio irregular. Ele é irmão de Juliana e cunhado do homem apontado como líder do esquema. Na casa de Eduardo, a polícia encontrou uma pistola. Na de Jailson Amorim da Silva, 43, vulgo “Major”, os policiais acharam um revólver.

Arma apreendida pela PCDF

 

As apurações mostram que os criminosos atuavam há pelo menos quatro anos. O esquema funcionava como um verdadeiro “centro de distribuição”, tendo como fornecedores assaltantes do Entorno do Distrito Federal. Eles atuavam, principalmente, às margens das BRs 060 e 153.

Havia, ainda, integrantes responsáveis apenas por negociar a carga roubada. Os criminosos contavam com “atravessadores”, que intermediavam as vendas das mercadorias roubadas com os supermercados.

Ciclo de empresas
A polícia descobriu que a carga era armazenada em galpões alugados no DF e, posteriormente,  comercializadas em supermercados de Santa Maria, Gama, Ceilândia e Samambaia. Os criminosos usavam as empresas de fachada na emissão irregular de notas fiscais para “esquentar” as mercadorias roubadas e inseri-las nas prateleiras de estabelecimentos comerciais.

O esquema também se valia de um ciclo de empresas, que eram sucessivamente “descartadas” e criadas novas para não chamar a atenção das autoridades. A Polícia Civil identificou um grande número de “laranjas” e “testas de ferro”, que figuravam como sócios dessas companhias.

“A emissão das notas fiscais era feita apenas em relação à parte da mercadoria a ser entregue, de forma que o valor da transação comercial seria equivalente ao de mercado. Entretanto, a mercadoria efetivamente entregue era superior ao valor constante no documento”, explicou o delegado-chefe da Corpatri, Marco Aurélio Vergílio.

Os comparsas faziam os pagamentos à organização criminosa em dinheiro ou entregando veículos, que posteriormente eram revendidos. Sempre com o uso de procurações, dificultando o rastreamento patrimonial e dos ganhos financeiros.

As investigações indicam a existência de inúmeras transações provenientes do lucro auferido com o comércio irregular de carga roubada, incompatíveis com a atividade econômica, ocupação profissional e capacidade financeira presumida dos envolvidos.

Pena
Os investigados foram indiciados por organização criminosa, com as penas variando de três a oito anos de reclusão; lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão); receptação (3 a 8 anos); e falsidade ideológica (1 a 5 anos). Foram identificados, até o momento, ao menos 10 crimes praticados pelo bando, o que pode elevar a pena mínima para mais de 30 anos de reclusão.

Reprodução

O outro lado
O advogado Denis Farausa, que representa a Bonamix, diz que a empresa é tão vítima quanto as outras partes envolvidas. “Compramos somente produtos com nota fiscal e a diferença oscila de um fornecedor para o outro. As notas foram emitidas pela Atlanta. Até então, não tínhamos noção dos fatos. Estamos dispostos a colaborar com as investigações para demonstrar nossa boa-fé e elucidar o caso”.

 

 

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