Em velório, mulher de Juarezão lamenta: “Igual a ele, não tem outro”

Familiares, amigos e colegas da Câmara Legislativa (CLDF) se despediram do ex-distrital em Brazlândia neste sábado (22/06/2019)

atualizado 22/06/2019 19:58

Mulher do ex-deputado distrital Juarez Carlos de Lima Oliveira, o Juarezão (PSB), há 35 anos, Rosângela Gomes de Araújo Oliveira lembrou do carinho que o marido, que morreu nessa sexta-feira (21/06/2019), nutria por Brazlândia, região onde fez sua trajetória política. “Ele sonhava e amava essa RA, reformou todas as escolas”, pontuou. “Igual Juarez, não vai ter outro nessa cidade, nunca”.

A viúva contou que Juarez nasceu em Luziânia (GO), mas morou por toda vida em Brazlândia. “A mãe dele foi para Goiás só para o parto. Ele cresceu e morreu aqui”, disse.

Familiares, amigos e colegas da Câmara Legislativa (CLDF) se despediram de Juarezão em Brazlândia neste sábado (22/06/2019). O político, que tinha 56 anos, morreu após um grave acidente na BR-080 na noite de sexta-feira (21/06/2019).

Dor e emoção marcaram o adeus ao político, que teve o corpo levado pelas ruas de Brazlândia em um cortejo até o Santuário Arquidiocesano Menino Jesus, onde será velado até a manhã deste domingo (23/06/2019). O sepultamento está marcado para 10h.

O corpo de Juarezão chegou na igreja por volta das 15h50. O caixão, carregado por bombeiros militares, estava envolto na bandeira do Distrito Federal e do Brasil.

Os bancos da igreja ficaram cheios para assistir à missa de corpo presente. O vice-governador Paco Britto (Avante), o presidente da CLDF, Rafael Prudente (MDB), e os deputados distritais Chico Vigilante (PT) e Reginaldo Veras (PDT) compareceram.

Paco disse que conviveu com Juarezão durante eleições. “Brasília perde muito. Ele não foi o filho, foi o pai de Brazlândia”, lamentou. O vice-governador explicou que a duplicação da BR-080 é de responsabilidade do governo federal.

Prudente lembrou a personalidade do ex-colega de parlamento. “O Juarezão era conhecido por três características: pela sua humildade, simplicidade e vontade de servir ao público”.

A aposentada Severina Jacob do Nascimento, 69 anos, contou que conheceu Juarezão quando ele era bebê e nunca perdeu contato com o ex-parlamentar. “Trabalhei com a mãe e a esposa dele por anos, são pessoas muito boas. O Juarez era caridoso e do bem. Que Deus cuide dele lá em cima”.

Acidente

Ao 56 anos, o político morreu ao bater em uma carreta na BR-080, rodovia conhecida como “BR da Morte”. O acidente ocorreu por volta das 19h de sexta-feira (21/06/2019) no Km 34 da pista, sentido Padre Bernardo (GO)-Brazlândia (DF). Juarezão bateu na traseira de uma carreta, próximo a uma placa que sinaliza ultrapassagem proibida, em um trecho conhecido como “Sete Curvas”.

O asfalto da BR é bom mas é uma pista simples — só tem mão e contramão. Não existe pardal ou barreiras de velocidade. A via é repleta de marcas de frenagem. As curvas fechadas e a grande quantidade de carretas que trafegam no local deixam o trecho ainda perigoso.

O acidente que tirou a vida de Juarezão ocorreu perto da chácara do irmão do ex-distrital. Única testemunha da tragédia, identificada até agora pela Polícia Civil, o motorista da carreta que se envolveu na colisão deu sua versão à Polícia Civil. Ainda na noite dessa sexta-feira (21/06/2019), o caminhoneiro afirmou que o ex-presidente da Câmara Legislativa tentou uma ultrapassagem pela faixa da esquerda, na subida, mas, ao ver que tinha outro carro se aproximando, teria tentado voltar para a direita e batido na traseira da carreta. O ex-distrital não teria tentado frear, segundo disse.

Neste sábado (22/06/2019), repetiu a versão, desta vez formalmente, na 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Ao Metrópoles, Wanderlei Rodrigues da Silva confirmou que transportava uma grande quantidade de brita e estaria trafegando em baixa velocidade na BR-080, próximo à região das “Sete Curvas” e da Pedra Preta.

O limite de velocidade na via é de 80km/h. “Mas como era uma subida e a carreta estava carregada, trafegava um pouco abaixo da velocidade. Ele (Juarezão) tentou ultrapassar, mas não conseguiu. Depois da batida, eu parei, cheguei perto da caminhonete e vi que ele se mexia. Estava vivo. Sinalizei para os veículos pararem e liguei para os Bombeiros”, ressaltou. O motorista afirmou ainda que desligou a bateria da caminhonete para evitar explosão.

O caminhoneiro disse que, logo após o acidente, o ex-distrital não conseguiu falar com ele, mas sim com os Bombeiros. O braço estava quebrado, mas Juarezão ainda teria ajeitado a calça e o cinto. “Quando os socorristas chegaram, quebraram os vidros para retirá-lo”, assinalou. A testemunha destacou também que sempre circula pela região e que o trecho é muito perigoso. “Não há sequer acostamento”, afirmou. O condutor do carro do qual Juarezão tentou desviar não foi identificado.

De acordo com o delegado-chefe da 18ª DP, Raphael Seixas, além do depoimento do motorista da carreta Wanderlei Rodrigues da Silva, outras oitivas serão colhidas ao longo da semana. “Esse caso é prioridade para a delegacia. A perícia já está sendo feita nos veículos e também vamos voltar ao local para checar as condições da via. Precisamos apurar se a versão do caminhoneiro procede, se a ultrapassagem foi feita em faixa contínua. Todas essas informações serão reunidas no inquérito. A necropsia também foi feita e aguardamos os resultados dos laudos”, explicou.

Policiais da PRF e os Bombeiros que atenderam a ocorrência devem ser intimados e ouvidos. O político estava sozinho no veículo no momento da batida. De acordo com informações obtidas pela reportagem, a perícia não foi feita no local porque o trecho onde ocorreu a tragédia não foi preservado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Logo após o acidente, familiares levaram o carro do deputado para a fazenda dele, em Brazlândia. A carreta e a caminhonete foram periciadas.

Trajetória política

O ex-parlamentar foi eleito em 2014. Em 2016, os distritais o escolheram como vice-presidente da CLDF para a cadeira deixada por Liliane Roriz (Pros), que renunciou ao cargo após divulgar as gravações que originaram a Operação Drácon, sobre a suposta cobrança de propina por parte de deputados.

Quando a Justiça afastou a ex-presidente da Casa Celina Leão (Progressistas) por suspeita de participar do esquema, Juarezão assumiu o comando da CLDF interinamente. Nas eleições de 2018, ele concorreu à reeleição, mas não teve sucesso no pleito. A base eleitoral dele é em Brazlândia, onde morava.

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