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Na véspera da Copa do Mundo da Rússia, brasilienses preparam-se para acompanhar um dos maiores eventos esportivos do planeta. Nas quadras residenciais espalhadas pelo Distrito Federal, o branco do meio-fio dá lugar ao verde e amarelo da Seleção Brasileira. Os postes ostentam bandeiras e bandeirolas e o asfalto ganha pinturas estilizadas com o tema.

A CSB 2, Lote 7 de Taguatinga foi uma das primeiras a entrar no clima do Mundial. No meio de abril, já estava toda decorada. Segundo o responsável por boa parte dos enfeites, Nelson Pereira, 65 anos, a iniciativa acontece desde 1986 e mobiliza os moradores. “O mais importante é unir a comunidade. Essa é a maior alegria que temos”, conta o profissional de relações públicas.

Nelson estima ter recebido a ajuda de pelo menos 15 pessoas em todo o processo. Para decorar a quadra, ele conta que usou mais de 20 mil metros de barbante para prender as milhares de bandeirinhas.

Mas é a enorme bandeira de 15m de altura por 8m de comprimento que chama atenção de quem passa por lá. “É o que temos de melhor e o que podemos oferecer. Recebemos muitos elogios e fico feliz com o retorno da comunidade”, orgulha-se Freitas.

Um dos ajudantes do morador foi Luiz Felipe Campos, 23 anos. Para ele, o desempenho da Seleção Brasileira é o menos importante na competição. “Quero que ganhe, mas, no final das contas, o que importa é essa festa que estamos fazendo.”

 

 

Longa data
Na 509 do Cruzeiro Novo, futebol e festa nunca foram novidade. De acordo com Vilmar Lima, o zelador de um dos edifícios, desde a Copa de 1990, os residentes de prédios vizinhos encontram-se durante os jogos para praticar o esporte, enfeitar as ruas e de quebra assistir às disputas da competição. “O pessoal costuma tirar os carros estacionados daqui e jogam bola na rua mesmo. Faz tempo que fazemos isso e não é algo tão comum nos dias de hoje”.

Para esta edição do Mundial, o projeto de decoração é ainda mais ambicioso. “Queremos ser a quadra mais bonita de Brasília. Não vamos parar nos desenhos no asfalto. Vamos decorar os prédios também, trazer telões para ver as partidas. Vai ser uma festa enorme”, promete Vilmar.

 

Plano Piloto
Nem a movimentada W3 Norte escapou do clima festivo. Quem passa pelas proximidades das quadras 705 e 706 depara-se com uma praça toda enfeitada. A vibração das cores azul, verde e amarelo deu vida à monotonia da região. O torcedor responsável pela repaginada do espaço foi o chaveiro Ildeu Paiva, que trabalha na região.

Ele diz ter convencido os moradores e comerciantes a abraçarem a iniciativa. Para ajudar nos custos, todos decidiram criar uma vaquinha. “Todo mundo ajudou um pouco. E o resultado é esse. Conseguimos dar uma cara mais alegre e feliz para a quadra, ficou mais viva”, explica o chaveiro.

Já na 208 Sul, um grupo de 12 amigos se reúne há pelo menos 10 anos. Há quem nem more mais na região, mas não abre mão de visitar os companheiros de longa data. É o caso do servidor Thiago Freitas, 26. Ele viu nos encontros mensais uma oportunidade de juntar todos para assistirem aos jogos da Copa. “A gente sempre vem aqui quando pode. Fazemos churrasco, tomamos uma cerveja e por que não juntar a galera para decorar a quadra e torcermos pela seleção?”.

Na entrequadra, os amigos pintaram uma enorme bandeira no chão. A pintura demandou um fim de semana e quatro galões de tinta, com 3,5 litros cada. Mas, segundo Thiago, o esforço deve valer a pena. “Estou bem confiante. Acho que não tem ninguém melhor que a Seleção Brasileira em 2018. A expectativa é grande”.

O servidor pretende passar a “nova tradição” do grupo para as outras gerações. Hoje, ele ensina o filho, de 1 ano, sobre a paixão que traz consigo desde cedo. “Sou apaixonado por futebol e tento passar um pouco desse meu amor pelo esporte para o meu filho. Faço o máximo para que ele torça tanto pela Seleção Brasileira quanto para o Flamengo”, brinca Freitas.