Em 5 anos, 48 pessoas morreram em incêndios no DF. Relembre tragédias
Dados do Corpo de Bombeiros Militar do DF apontam que 80% dos óbitos ocorridos em incêndios aconteceram dentro de imóveis na capital
atualizado
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Nos últimos cinco anos, incêndios registrados no Distrito Federal deixaram 48 pessoas mortas, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF). O levantamento aponta que 80% desses óbitos aconteceram dentro de imóveis.
Entre 2021 e 2025, os bombeiros realizaram 1.003 perícias em incêndios que ocorreram em edificações. Esse tipo de ocorrência envolve a propagação de fogo em um espaço construído, como casas, prédios comerciais ou industriais.
O incêndio em uma edificação pode ser desencadeado por diversos fatores, como curtos-circuitos, vazamentos de gás e falhas em equipamentos elétricos.
O levantamento do CBMDF indica que quartos e cozinhas concentram a maior parte dos focos de incêndio em edificações. Entre os registros dos últimos cinco anos, 326 incêndios tiveram início em quartos, enquanto 281 começaram em cozinhas.
Os registros de 2025 reforçam o padrão observado nos anos anteriores. Das 144 perícias feitas até 10 de dezembro, 46 incêndios começaram na cozinha, 45 no quarto e 35 na sala. A área técnica foi apontada como origem em 13 casos, e a garagem, em quatro.
De acordo com o CBMDF, a área técnica, em edificações, é o espaço destinado exclusivamente à instalação e manutenção dos sistemas que garantem o funcionamento do prédio, não sendo utilizado por moradores ou visitantes. São locais projetados para abrigar equipamentos essenciais como máquinas, bombas e infraestrutura predial.
Veja registro de incêndios em edificação por cômodo:

Falhas em eletrodomésticos
Incêndios provocados por falhas em eletrodomésticos são hoje a principal causa das ocorrências registradas em residências no Distrito Federal. Segundo a capitã Renata Dantas, da Diretoria de Investigação de Incêndio do CBMDF, casos de curto-circuito e sobrecarga elétrica superam, inclusive, os incêndios provocados por vazamento de gás.
De acordo com a oficial, o uso inadequado de tomadas é um dos principais fatores para o surgimento do fogo. A concentração de vários aparelhos em um único ponto de energia, com o uso de extensões, aumenta significativamente o risco de incêndio. Outro problema recorrente é a utilização de fios danificados ou mal posicionados.
“É importante evitar passar fios por cima de tapetes ou móveis, ficar atento ao estado da fiação e não usar cabos desencapados ou deteriorados”, alerta Renata Dantas. Ela também reforça a importância de adquirir apenas produtos certificados e desligar da tomada os aparelhos que não precisam permanecer ligados, especialmente durante viagens.
No quarto, os riscos também estão associados a equipamentos elétricos. Ar-condicionado, ventiladores e carregadores de celular aparecem com frequência nas perícias realizadas pelo CBMDF. “São incêndios muito mais ligados ao uso de eletrodomésticos do que a outras causas”, afirma.
A capitã explica ainda que o Corpo de Bombeiros monitora praticamente todos os incêndios ocorridos no DF e que a maioria é considerada elegível para perícia.
Nos casos em que há vítimas fatais ou suspeita de crime, a atuação ocorre de forma integrada com a Polícia Civil.
Conforme uma portaria conjunta entre as instituições, a Polícia Civil faz a primeira perícia para coletar vestígios e apurar autoria e materialidade. O CBMDF entra em seguida, com foco exclusivo na identificação da origem e da causa do incêndio.
Se durante a análise os bombeiros identificarem indícios de incêndio criminoso, como a presença de múltiplos focos em ambientes diferentes da residência, o local é imediatamente preservado e a Polícia Civil é acionada.
Incêndio em clínica clandestina
O Instituto Terapêutico Liberte-se, casa de reabilitação de dependentes químicos no Paranoá, pegou fogo na madrugada de 31 de agosto do ano passado. Seis pessoas morreram e ao menos 11 foram internadas, com ferimentos e intoxicação por fumaça.
A perícia não conseguiu identificar as causas do incêndio. No entanto, de acordo com a Polícia Civil do DF havia fortes indícios de que cigarros e um isqueiro localizados na cena possam ter influência no surgimento das chamas. A hipótese de que as chamas tenham começado em um curto-circuito foi descartada.
Os investigadores também concluíram que os 21 pacientes estavam trancados na chácara incendiada com cadeados. No momento do incêndio, eles estariam sedados.
A Polícia Civil do DF indiciou cinco pessoas pelo incêndio, sendo dois administradores da chácara 420, um responsável pela chácara 470, além de dois monitores. Eles respondem por homicídio doloso, tentativa de homicídio, cárcere privado, maus-tratos e exercício ilegal da profissão.
O centro terapêutico não tinha alvará e nem a liberação de funcionamento pelo CBMDF.
Tragédia vitimou família em Planaltina
Uma tragédia matou cinco pessoas, sendo três crianças, em um incêndio que destruiu um barraco de madeira em Planaltina, em agosto de 2024. A perícia entendeu que não havia indícios de uma ação criminosa.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), foi instaurado um inquérito policial no dia seguinte ao incêndio, que apontou ter sido uma tragédia acidental
As vítimas eram:
- Ione da Conceição Silva, 43 anos;
- Eulália Narim da Conceição, 5 anos, filha de Ione;
- Sophya Hellena Conceição Costa, 8 anos, neta de Ione;
- Kathleen Vitoria da Conceição Silva, 14 anos, neta de Ione;
- Marybella Marinho da Silva, 9 anos, neta de Ione.
No dia da tragédia, testemunhas relataram à polícia que a responsável pelo imóvel mantinha um altar dentro de casa e acendia uma vela todas as segundas-feiras, o que pode ter provocado as chamas.
O CBMDF foi acionado. Apesar de a corporação ter deslocado quatro veículos de combate a incêndio para o local onde a família estava, as vítimas não foram salvas. O barraco estaria trancado por um cadeado no momento do incêndio.
Chamas atingiram casa
Um incêndio em uma casa no condomínio RK, em Sobradinho, matou um homem de 69 anos. O acidente aconteceu na noite de 3 de setembro do ano passado.
O homem, identificado como Ronaldo Jorge de Lima, já estava sem vida no momento da chegada do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Os militares encontraram Ronaldo com o corpo parcialmente carbonizado.
Antes dos bombeiros chegarem, vizinhos tentaram apagar o fogo usando a água da piscina da casa, que tem dois andares.
Ronaldo estava dormindo em um dos quartos quando as chamas começaram. Um curto circuito pode ter provocado o incêndio.






















