PAS: “Estudava 10 horas por dia”, diz 1ª colocada no campus Ceilândia
Aprovada em enfermagem, Aimê Alves da Fonseca, 17 anos, afirma que se surpreendeu por alcançar posição tão alta no ranking de melhores notas
atualizado
Compartilhar notícia

O que seria um grande desafio para um sem-número de estudantes, a brasiliense Aimê Stefany Alves da Fonseca, 17 anos, e o fluminense Felipe Seda Camilo, 18, trataram com naturalidade: 10 horas de estudos diários no último triênio. O resultado? A dupla não somente ingressou na Universidade de Brasília (UnB) pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), mas também detém algumas das melhores notas dos campi Ceilândia e Darcy Ribeiro (Asa Norte).
A principal instituição de ensino do Distrito Federal divulgou o resultado da terceira etapa do subprograma 2015-2017 nesta sexta-feira (26/1). A lista de aprovados pode ser consultada no site do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe).
No topo da tabela de notas mais altas do campus Ceilândia, está a de Aimê, futura caloura de enfermagem. Apesar dos ótimos resultados obtidos nas duas primeiras etapas (52 pontos em cada), a adolescente ficou nervosa até as 17h desta sexta, quando, enfim, comemorou a aprovação.“A ficha ainda não caiu. Não esperava ir tão bem, mas sempre me esforcei para dar o melhor”, conta Aimê, quem somou 58 pontos na fase derradeira do PAS. A nota, segundo ela, foi resultado do tempo de estudo diário a que se dedicou desde 2015. “Em casa, eu gastava cerca de quatro horas. Era tão natural que eu nem sentia o tempo passar”, relembra a jovem, ex-aluna de um colégio particular em Taguatinga, onde mora.
Carreira
Em março, Aimê vai iniciar a caminhada na enfermagem, um sonho que começou aos 10 anos. “Sempre gostei muito da área da saúde, de cuidar das pessoas, de contato humano”, explica. A jovem vislumbra na carreira um futuro no exterior: “Quero trabalhar no Médicos Sem Fronteiras”. A organização internacional, não governamental e sem fins lucrativos oferece ajuda médica e humanitária a populações em situações de emergência, conflitos armados, catástrofes, epidemias, fome e exclusão social.
Acho que há muita gente que precisa desse cuidado. Não somente na área da saúde. Há pessoas que não têm acesso a tudo como a gente tem. Quero poder levar isso
Aimê Stefany Alves da Fonseca, aprovada no PAS
Autoconfiança
Ao contrário de Aimê, Felipe não ficou ansioso na caminhada até a aprovação. Ele também reservava cerca de 10 horas, diariamente, aos estudos. “A aprovação, eu já esperava. Na segunda (22), o Cespe publicou o desempenho individual na internet. Mas, ainda assim, me surpreendi bastante por ficar com a segunda melhor nota”, conta. Ele somou, nas três etapas, 79, 64 e 83 pontos, respectivamente. Nesse período, cursou o ensino médio em um colégio particular da Asa Norte.
O jovem relata jamais ter feito cursinho preparatório. A chave do sucesso, segundo ele, foi a rotina de estudos – seis horas no colégio e quatro em casa. E Felipe avalia que não fez grandes sacrifícios para manter esse hábito. “É claro que abri mão de algumas coisas, como assistir a jogos do São Paulo [seu time de coração] ou de basquete transmitidos muito tarde. Em vez disso, eu preferia descansar. Não achei que a rotina foi pesada.”
Psicologia
A inspiração para a escolha do curso, Felipe encontrou na mãe, Silvia Helena Seda, de quem seguirá os passos, pois ela também é psicóloga. Mas se engana quem pensa que o jovem mantém o sonho profissional há muito tempo. Bateu o martelo sobre qual carreira seguiria somente no meio do ano passado, seis meses antes da prova que decidiria seu futuro.
“Escolhi psicologia porque fiz um teste vocacional. Antes disso, cogitei economia”, recorda. Felipe acrescenta que foi não influenciado apenas pela experiência profissional da mãe. “É uma área interessante e promissora, que tem crescido. E envolve experimentos e teoria, algo que eu gosto muito de estudar”, observa o futuro calouro da UnB, quem aconselha aos aspirantes às vagas na universidade: organização e dedicação são a fórmula para o êxito.

