Escolas públicas do DF começam a usar internet liberada por 2 operadoras

Neste primeiro momento, poderão utilizar a banda larga estudantes e professores com chip ativo da Tim e Claro, que prestam serviço ao GDF

atualizado 16/09/2020 18:57

notebookPexels/Reprodução

Alunos e professores da rede pública de ensino do Distrito Federal começaram a receber internet gratuita para acesso à plataforma Google Sala de Aula a partir desta quarta-feira (16/9).

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) anunciou a liberação de banda larga para a comunidade escolar na noite dessa terça-feira (15/9).

Inicialmente, o acesso ocorrerá entre os alunos que possuem chip ativo das operadoras Tim e Claro – ambas já credenciadas por meio de chamamento público realizado pela Educação.

Segundo a pasta, a cobrança do serviço ocorrerá de maneira reversa: os usuários utilizarão o aplicativo Escola em Casa DF e o Governo do Distrito Federal (GDF) pagará a conta.

O serviço será voltado para todos os estudantes e professores. Os pacotes de dados são exclusivamente para acesso à plataforma. Não é necessário cadastro prévio, basta baixar o aplicativo Escola em Casa DF, disponível para aparelhos Android e iOS.

Na prática

A adolescente Camilly Azevedo, 16 anos, aluna do 2º ano da rede pública em Ceilândia, aprovou a novidade.

“Nós já estávamos aguardando há cerca de seis meses. Eu não tenho internet em casa. O chip da minha mãe é Tim e, agora, já que a escola liberou o acesso, eu vou me informar como faço para entrar e assistir às aulas com um acesso melhor. Espero que seja [melhor]”, disse a aluna.

Ela comenta que o sinal na localidade onde mora, no Pôr do Sol, não é bom. A adolescente também contou que outros amigos de sala disseram que vão utilizar o serviço. “Outros, assim como eu, também estavam sem acesso ou com conexão ruim. Espero que a gente consiga utilizar com facilidade e recupere o que não conseguimos ver de conteúdo”, destacou.

No caso da educação infantil e dos anos iniciais, os responsáveis pelas crianças poderão acessar a plataforma e baixar os materiais das aulas preparadas para os pequenos.

Acessos e atividades impressas

Segundo a SEEDF, mais de 470 mil estudantes e 72 mil profissionais da educação estão cadastrados na plataforma Google Sala de Aula.

Desde o primeiro dia de cobrança de frequência no modelo on-line (13/7) até essa segunda-feira (14/9), a plataforma teve 7,2 milhões de acessos de estudantes e 1,3 milhão de professores.

Outra importante iniciativa foi anunciada para assegurar educação gratuita e de qualidade para todos. Os discentes que ainda não têm acesso à internet contarão com um serviço de entrega e recolhimento de materiais impressos. Até então, as famílias estavam indo às escolas para buscar os materiais e entregar as atividades realizadas.

As coordenações regionais de ensino foram autorizadas a utilizar recursos do Programa de Descentralização Financeira e Orçamentária (PDAF) para contratar empresas especializadas na prestação desse serviço.

Caberá às regionais de ensino organizarem a logística junto às escolas, que são as responsáveis pelo contato com as famílias.

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Insuficiente

Para o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), o GDF não pode comemorar como solução e vitória o credenciamento para fornecimento de internet por apenas duas operadoras, pois não atingirá nem a metade dos estudantes da rede pública de ensino do DF.

“A promessa do governo, e é essa que deve ser cumprida, foi a de disponibilizar internet gratuita para todos os estudantes e professores da rede pública de ensino. Cadê a igualdade de condições para o acesso à escola, que é um direito constitucional? O que estamos vendo é uma verdadeira desigualdade que está excluindo milhares de alunos das aulas remotas. Quando isso irá acabar? Vai ficar assim até o final do ano letivo?”, questionou o diretor da entidade Samuel Fernandes.

Ele também criticou a utilização dos recursos pelo PDAF. “O governo quer tirar da verba do PDAF, verba essa que quando chega às escolas, mal dá para fazer o básico, de tão pouco que é o recurso, para contratação de serviços especializados para entrega do material impresso. O governo deveria investir na compra dos equipamentos eletrônicos para os 120 mil alunos que estão excluídos e na disponibilização da internet gratuita para 100% da rede pública de ensino e, assim, acabar de vez com a entrega do material impresso. Sem investimentos, não teremos avanços na educação”, concluiu.

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