DF: alunos sem acesso a teleaula poderão receber conteúdo em casa

Secretaria de Educação explicou que o ensino mediado por tecnologia será feito por etapas. O envio de conteúdo didático será a última fase

atualizado 06/04/2020 15:47

Com o início das teleaulas para alunos da rede pública de ensino do Distrito Federal, na manhã desta segunda-feira (06/04), a Secretaria de Educação informou que o ensino mediado por tecnologia será implantado por etapas. O envio de material didático poderá ocorrer para os alunos que não conseguirem ter acesso ao programa, adotado com a suspensão das aulas presenciais até 31 de maio, para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

“Primeiro será avaliado o alcance das teleaulas e aulas a distância pela internet, por meio de aplicativos. Só então haverá uma avaliação da necessidade do uso dos meios tradicionais, como o material didático enviado pelo Correio”, informou a pasta.

De acordo com o secretario Educação, João Pedro Ferraz, a pasta está fazendo o possível para encaminhar para os alunos o máximo de conteúdo com a melhor qualidade possível.

“Nós estamos, agora, buscando o apoio da TV Justiça e outras opções de canais locais abertos, como a TV União e a Gênesis para poder levar esse sinal da melhor maneira possível até a casa dos alunos. Também queremos disponibilizar, a partir de quarta-feira (08/03) os conteúdos por aplicativos”, explica.

Como nem todos têm internet, o secretário afirma que a pasta tenta ampliar o alcance para os meios digitais, disponibilizando pacotes patrocinados aos alunos. “O último passo é identificar alunos que não têm condições de acessar nem pela TV e nem pela internet e levar o conteúdo físico”, explicou o secretário.

Retorno positivo

Ainda segundo o secretário, o retorno das primeiras horas de ensino mediado é positivo.

“As aulas ainda estão acontecendo. Eu assisti à primeira delas para os alunos que estão iniciando e achei fantástico. Tivemos aula de história e português, muito boas também”, elogia.[

Entretanto, João Pedro Ferraz admite alguma deficiências. “São problemas que pretendemos resolver nesta primeira semana. Estou muito animado com a disponibilidade e a vontade de fazer. Estamos fazendo nossa parte e queremos mostrar que a Secretaria de Educação está disponível”, completou.

Na prática

Ao Metrópoles, professores, responsáveis e estudantes comentaram sobre o primeiro dia de conteúdo e falaram sobre as expectativas ao longo desta semana.

Transmitido pela TV Justiça, no canal 53 da TV aberta, a ação é uma tentativa de evitar que estudantes percam conteúdo em meio à quarentena devido à pandemia de coronavírus. Os vídeos educativos serão exibidos das 9h às 12h, neste primeiro momento. E terão conteúdo que vai desde a educação infantil até o ensino médio.

Nesta manhã, houve atividades voltadas para crianças, alunos de todas as séries do fundamental e ensino médio tempo integral.

A professora Mônica Felix, do apoio pedagógico do Centro Educacional 6 de Ceilândia, comentou ao Metrópoles que assim que começou a programação na TV, ela enviou o link do canal no YouTube para os representantes de turmas da escola.

“As informações sobre horários e conteúdos ainda estão desencontradas. Infelizmente, eu não tenho boas expectativas. O primeiro problema que eu vejo é a questão da disciplina, que é necessária. São muitas realidades para se levar em conta”, opina.

A profissional cita famílias em que moram um número grande pessoas em um espaço pequeno. “Esse aluno não tem condições de ter um espaço calmo e organizado para os estudos”, disse.

“Casas com muitas crianças vão enfrentar problemas com o silêncio, por exemplo. Muitos desses alunos não êm um responsável que possa estar disponível para auxiliá-lo, principalmente em um momento de adaptação de algo novo pra eles”, opinou.

Ainda segundo a professora, toda novidade demora um tempo para se organizar melhor. O indicado, para ela, é criar o hábito.

Nova experiência

A dona de casa Maria Aparecida Gomes, 37 anos, é mãe de Luciana Lima Gomes, 11, que está no 5º ano do fundamental. Ela comentou que a filha assistiu à aula pela TV, nesta manhã.

“Estamos gostando da iniciativa. É bom para dar rotina e responsabilidade para as crianças em casa. Mas ainda é difícil opinar sobre como vai ser daqui pra frente. Ainda achamos tudo muito ‘artesanal’. Está cedo para avaliar.”

O adolescente Paulo Henrique Silva Oliveira, 17, estuda no 3º ano do ensino médio de Ceilândia. Ele conta com a oportunidade de ver as aulas pelo notebook. A expectativa, segundo Paulo, é boa, mas acha que outros colegas enfrentarão dificuldades.

“Muitos alunos vão sofrer com dificuldades. Na maioria das vezes, eles não têm nem TV em casa. Quando possuem algum computador, a internet não colabora, travando as lives que serão transmitidas. Sem falar que na televisão será uma experiência nova para todo mundo”, comentou Paulo Henrique.

“A minha expectativa é a de que as aulas direcionadas pro Enem, serão de grande ajuda. Pelo fato da concentração que uma videoaula ao vivo traz, e também sobre o professor ter maior concentração sem ter ninguém pra atrapalhar ele”, acrescentou.

Sindicato critica

Diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), Samuel Fernandes criticou a modalidade implementada pelo governo. De acordo com ele, as teleaulas devem ser algo complementar, e não substituir os encontros presenciais.

“É um programa excludente, pois não atinge 100% dos estudantes. Muitas famílias não têm nem mesmo uma TV em casa. Quanto à plataforma com aulas virtuais, aumentará o número de alunos excluídos do processo”, aponta.

Fernandes diz que boa parte dos alunos não conta com celular ou computador em casa. E quem tem, não possui internet compatível para acessar uma plataforma virtual diariamente.

“Vale ressaltar que essas aulas não serão computadas como dia letivo. A discussão sobre a recomposição do calendário escolar deve acontecer apenas no fim da pandemia, pois agora a prioridade é pela saúde e a vida de todos”, opinou.

Parceria

A parceria com a TV Justiça foi uma das primeiras fechadas desde que o governador Ibaneis Rocha (MDB) publicou decreto suspendendo as aulas para evitar a disseminação do coronavírus na capital. A partir de então, a equipe da Secretaria de Educação tem produzido material e estudado formas de como veicular vídeos já prontos por secretarias, como a do Amazonas, que já tinha conteúdos disponíveis.

A programação começa com três horas por dia. O conteúdo veiculado mais cedo, por volta das 9h, será para a educação infantil. Ele progride com o passar dos minutos até chegar ao ensino médio.

As teleaulas não vão substituir as presenciais ou contar como presença. Elas servem para que os alunos não percam conteúdo nesta época de quarentena, ampliada no decreto publicado na noite de quarta-feira (01/04). Agora, as atividades escolares ficam paralisadas até 31 de maio.

Confira a programação:

Às segundas, quartas e sextas-feiras
Serão transmitidas aulas gravadas para todas as modalidades e etapas. Começa pela educação infantil, às 9h, e vai até o meio-dia, com o conteúdo voltado aos professores.

Às terças e quintas-feiras
As transmissões serão ao vivo, com aulões voltados para o ensino médio, com conteúdos voltados para o Enem e PAS.

Dia 1, grade de estreia
Na grade de estreia, a Educação Precoce prova que brincar é coisa séria. Os responsáveis vão receber dicas para o dia a dia em casa, já que os acompanhamentos dos bebês de 0 a 3 anos também estão suspensos. A ideia é que todos possam utilizar materiais simples, de uso cotidiano, para dar continuidade a algumas atividades de desenvolvimento dos pequenos. Nesta primeira semana, alguns vídeos que serão transmitidos foram produzidos por professores voluntários.

Quarentena + Enem
QuarentENEM é voltado para quem está se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio. Mesmo com a suspensão das aulas no combate à disseminação do coronavírus, os estudantes do ensino médio vão ter a oportunidade de dar continuidade aos estudos para as principais provas da educação.

A programação de segunda-feira fecha com o Movimento Educação – atividades para os pequenos em tempos de quarentena e com uma hora de história para o ensino médio.

Como assistir
Para assistir as teleaulas basta sintonizar nos canais 53.1 e 53.2.

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