Sem vagas para temporários este ano no comércio do DF
Fecomércio teme ocorrer um “cemitério de pequenas empresas” em janeiro por conta da crise. Nível de pessimismo é grande
atualizado
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Um balde de água fria nos brasilienses desempregados que aguardavam com ansiedade a chegada do mês de outubro, quando tradicionalmente o comércio dá a largada para as contratações temporárias, de olho nas vendas do fim do ano. Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que de cada dez empresários, nove não pretendem contratar funcionários para reforçar o quadro de pessoal neste ano. Em anos anteriores, as contratações chegaram a cinco mil temporários nesta época.
A crise econômica e a situação do GDF, que ameaça não pagar salários aos servidores, são os principais motivos para o pessimismo dos empresários. Segundo dados da Federação do Comércio (Fecomércio), a redução no número de vagas temporárias reflete o Índice de Confiança do Empresário (Icec-DF), que continua batendo recordes de pessimismo. Em setembro de 2014, o índice era de 117 pontos percentuais. No mesmo período deste ano, caiu para 86.
Desde o Natal do ano passado, os comerciantes não têm o retorno esperado. Contratos temporários foram reduzidos no Dia dos Pais e das mães, em 2015. Corremos o risco de ter um cemitério de pequenas empresas em janeiro.
Adelmir Santana, presidente da Fecomércio
Além da crise econômica
“Há 230 mil desempregados, 2,2 mil lojas fechadas, 1.150 salas comerciais desativadas e uma crescente insegurança. Os aluguéis altos, falta de estacionamento e má conservação das calçadas respondem pelo elevado número de lojas e salas sem funcionar. Algo precisa ser feito em benefício da economia”, desabafa o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson de Castro.
Entre os empresários que não pretendem contratar, quase metade afirma que sua equipe de trabalho será suficiente, eliminando a necessidade de mais funcionários: 49% alegam que estão satisfeitos com a equipe e que ela consegue atender o volume de clientes. Outros 11% afirmam estar inseguros devido a um histórico de vendas retraídas este ano, inclusive em datas comemorativas.

Para a empresária Nina Carniel, 43 anos, dona de cinco lojas de roupas e um restaurante árabe, o segredo para vencer a crise é manter os funcionários motivados e se adaptar ao novo perfil do consumidor. “Minhas vendas caíram, principalmente nos estabelecimentos que mantenho nas entrequadras do Lago Sul. Vou abrir apenas uma vaga para contrato temporário este ano. Acredito que o cenário pode mudar”, aposta.
Sem reforço
Colhendo o fruto amargo da inflação desde o início deste semestre, a comerciária Maria do Rosário, 45 anos, atualmente trabalha com mais quatro vendedoras e a gerente em um quiosque de acessórios no Lago Sul. Ela conta que houve redução no quadro de funcionários em julho e a loja, que ganhava reforço de novembro a dezembro, não vai contratar temporários este ano.
“Os consumidores passaram a cortar gastos e focar apenas no essencial. Para o fim do ano, não acreditamos que a procura por nossos produtos aumente tanto. A nossa situação ainda é um pouco estabilizada porque temos clientes fidelizados.”

Desemprego
Sem as contratações temporárias, a taxa de desemprego no Distrito Federal promete disparar. O índice passou de 13,6%, em julho, para 14,2%, em agosto. Em apenas um mês foram eliminados 29 mil postos de trabalho na cidade, de acordo com dados da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) e do Dieese.
Lúcio Rennó, presidente da Codeplan, destaca que o comércio foi um dos setores que mais sofreram o impacto da crise econômica, com redução de 3,8% nos postos de trabalho entre julho e agosto. “Os contratos temporários no fim no ano sempre ajudam a diminuir o índice de desemprego. Este ano, as contratações podem até ocorrer, mas não terá grande impacto nas estatísticas”.
Na última quinta-feira (1º/10), os empresários se reuniram com o governador Rodrigo Rollemberg e se manifestaram contra o aumento de impostos proposto pelo governo federal e pelo Governo do Distrito Federal. Para eles, a carga tributária está muito elevada e se não houver uma reversão neste quadro, além da não contratação de temporários haverá demissão dos efetivos.
