Gasto com passagem aérea pesa mais no DF do que no restante do país

Na capital do país, despesa representa de 2% a 2,5% do orçamento das famílias, de acordo com a Codeplan. No Brasil, índice fica em 0,5%

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 13/09/2019 11:56

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,08% em agosto no Distrito Federal, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice veio abaixo do registrado em julho deste ano, quando houve alta de 0,22%.

Análise da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) aponta que o grupo que mais contribuiu com a alta da inflação foi o de habitação, com variação de 1,08% em Brasília. A mudança de bandeira tarifária da energia elétrica de amarela para vermelha patamar 1 e o aluguel residencial apareceram como os maiores responsáveis pelo aumento no setor.

Entre as principais contribuições negativas, está a queda de 11,3% no preço das passagens aéreas. A redução é justificada pelo período do ano. Agosto, normalmente, tem variações menores nas passagens. Em julho, mês de férias escolares, as passagens aéreas registraram aumento de 11,69%.

Segundo a Codeplan, as oscilações de preço nas passagens aéreas sempre se destacam na pesquisa, visto que essas compras têm um peso maior no orçamento das famílias de Brasília do que no resto do país. Bruno Cruz, diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, aponta que, no DF, entre 2% e 2,5% do orçamento das famílias são usados na compra de passagens; no âmbito nacional, o índice cai para a média de 0,5%, de acordo com pesquisas do IBGE.

Poder aquisitivo

De acordo com o professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) José Carneiro da Cunha Oliveira Neto, o número alto de compra de passagens entre os residentes de Brasília está ligado a dois fatores: o mercado de trabalho e o alto poder aquisitivo dos moradores da capital.

“Brasília tem uma grande proporção de pessoas originária de fora do DF, inclusive de fora do Centro-Oeste”, explica. De acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2018, 44,7% da população do DF é originária de outro estado. A maior parte daqueles que vieram de outro estado para a capital são mineiros (16,1%), seguido pelos goianos (12,2%) e os baianos (11,1%).

“Tem aqueles que não nasceram em Brasília, vieram para cá e fixaram residência. Além disso, existe uma população que muda temporariamente para a capital e vai embora com o fim do governo”, aponta.

O professor chama atenção ainda para o alto poder aquisitivo dos brasilienses. O fato contribui com um número maior de pessoas que podem comprar passagens aéreas com maior frequência. No ano passado, Brasília permaneceu com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, por indivíduo. A capital brasileira atingiu R$ 79.099,77 no PIB per capita (por ano), número 2,6 vezes maior do que o registrado nacionalmente.

Ano difícil

Janaína Marcon, 39 anos, está acostumada a viajar mensalmente para visitar a família em Mato Grosso do Sul. Com quatro passagens para comprar — dela, do marido e dos dois filhos —, planejamento sempre foi importante para as visitas se encaixarem no orçamento.

A média de gastos com passagens é de R$ 1 mil para a família nas viagens de fim de semana. Para manter a frequência, a servidora pública está sempre de olho em promoções das companhias aéreas. Chega a comprar os trechos para visitar a família com três meses de antecedência.

Este ano, no entanto, começou um pouco diferente: os preços, no primeiro semestre, estavam acima do esperado por Janaína. Ela chegou a cancelar planos de viagens para visitar a mãe em São Paulo. Bruno Cruz aponta que o encarecimento das passagens nos primeiros meses deste ano pode ser justificado por fatores como variação do preço do dólar e o processo de recuperação judicial da Avianca.

Mas, assim como constatado pela Codeplan, a servidora pública diz ter percebido o barateamento dos preços em agosto e em setembro, com exceção do feriado de 7 de setembro.

Medalha de bronze

O Aeroporto de Brasília é um dos mais movimentados do país. O local perde apenas para os aeroportos de Guarulhos e de Congonhas, ambos em São Paulo, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Em 2018, foram contabilizados mais de 17 milhões de passageiros. Entre janeiro e julho, 9 milhões de pessoas passaram pelo terminal brasiliense, de acordo com a Inframérica, concessionária que administra o Aeroporto de Brasília.

O trecho Brasília/Congonhas aparece em segundo lugar entre os mais populares no país, representando 2,11% de todos os voos nacionais. Ainda de acordo com a Anac, Rio de Janeiro e Salvador também são destinos comuns no embarque do aeroporto brasiliense.

 

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