Gasolina a R$ 5 no DF. Entenda o que está por trás do preço elevado

Fatores como disparada do dólar, alta no álcool e aumento na base de cálculo do ICMS contribuíram para a elevação do valor

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 19/09/2018 17:37

Vários fatores contribuíram para o aumento no preço da gasolina no início desta semana no Distrito Federal. Entre os motivos, estão a disparada do dólar, a alta no álcool, o incremento do Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF), além de eventuais interesses na elevação da margem de lucro por parte dos donos dos postos. Em alguns, motoristas se assustaram com o valor superior a R$ 5 cobrado nas bombas. Com o custo exorbitante, vale a pena pesquisar, pois a diferença pode chegar a R$ 0,92.

O PMPF é utilizado como referência para a base de cálculo do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Nessa segunda-feira (17/9), a média foi fixada em R$ 4,686, R$ 0,11 a mais do que o levantamento realizado em 31 de agosto.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do DF (Sindicombustíveis), a nova pauta de preços foi entregue aos donos de postos com o PMPF reajustado. O valor de referência para o consumidor é fixado a partir de pesquisas da Secretaria de Fazenda do DF (Sefaz), com base em valores de venda praticados em todas as regiões da capital.

Para o secretário de Fazenda do DF, Wilson de Paula, não se pode atribuir unicamente à base de cálculo do ICMS o fato de o litro da gasolina ter ultrapassado os R$ 5 em alguns postos do DF. O PMPF foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 10 de setembro e a tabela reajustada passou a valer no dia 16. “Os postos repassaram mesmo tendo estoques com o preço antigo”, explica o secretário.

Lei da oferta e da procura
De acordo com o presidente do Sindicombustíveis, Paulo Tavares, o preço do barril de petróleo subiu no mercado internacional e, associado à alta do dólar e à política de reajustes da Petrobras, é, em parte, responsável pelo aumento.

“Muitos motoristas têm preferido abastecer com álcool, dada a diferença do que é cobrado pelos dois combustíveis. Acontece que 27% da composição da gasolina é álcool e, com o aumento da demanda, vale a lei da oferta e da procura. As usinas não estão dando conta de entregar a quantidade necessária e, logo, terão de deixar de fabricar açúcar para fazer etanol”, explica Tavares.

Ele também reclama dos altos impostos incidentes sobre os combustíveis, sobretudo após o governo federal incrementar a alíquota do PIS e da Cofins, quando a crise no setor se aprofundou.

“De lá para cá, cerca de 4 mil frentistas foram demitidos no DF. No meu posto, eu tinha 12 e, agora, apenas quatro. Essas altas tornam quase impraticável o preço da gasolina. Hoje, R$ 0,71 do valor de revenda vai para o governo federal e R$ 1,31, para o GDF. São R$ 2,02 só de imposto. Isso fez crescer uma nova modalidade de assalto a postos. Eles [os criminosos] não querem mais roubar o frentista porque sabem que eles não andam com dinheiro. Então, vale mais a pena encher o tanque do carro e sair sem pagar”

Paulo Tavares

A Secretaria de Fazenda lançou um serviço para o acompanhamento do preço dos combustíveis durante a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018. No endereço eletrônico, é possível verificar quanto era cobrado em cada produto oferecido nas bombas em todas as semanas deste ano. A ferramenta também calcula a “margem de agregação” — quantia que considera o lucro sem levar em conta outras despesas, como funcionários e serviços. “A ferramenta pode ser acessada em qualquer dispositivo, inclusive no celular, de dentro do posto. Foi criada com esse objetivo: acompanhamento e fiscalização”, afirma o secretário Wilson de Paula.

Diferença de R$ 0,92
Esta é a primeira vez, desde o fim da greve dos caminhoneiros, que a gasolina ultrapassa os R$ 5. Conforme dados do aplicativo Ticket Log, atualizado a cada 15 minutos com o preço de vários estabelecimentos do DF, o posto Shell do SIA Trecho 1 vende o derivado do petróleo a R$ 5,39, o mais caro do DF. No Setor de Postos e Motéis, na Saída Sul, o litro sai a R$ 5,20. O posto Brasal do SIA cobra R$ 5,09 pelo litro. Na Asa Sul, o combustível é vendido a R$ 4,999, na 413 e na L4, pouco antes do acesso à Ponte Honestino Guimarães.

A diferença entre o posto mais barato e o mais caro chega a R$ 0,92. O valor mínimo encontrado no DF foi no Petrolino, no Centro de Taguatinga: R$ 4,47. No Posto Nenen’s, ao lado, o combustível é encontrado à R$ 4,49 à vista. Para abastecer um tanque de 60 litros, a economia pode chegar a R$ 55.

Últimas notícias