Durante ato, Bia Kicis critica atuação do STF: "Supremo hoje está em xeque"
Candidata ao Senado pelo DF afirmou que ministros suspeitos devem ser afastados: "Tem muita gente envolvida"

Durante discurso em ato em frente à Alameda das Bandeiras nesta terça-feira (15/9), a candidata ao Senado pelo Distrito Federal Bia Kicis (PL-DF) criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes.
“Nós não podemos aceitar que um juiz que conversava com um bandido fique ileso e continue julgando as ações do Supremo”, afirmou Bia. “Hoje o juiz [Alexandre de Moraes] conversa com o bandido, com o criminoso, com o Vorcaro, que é o maior trapaceiro dessa República, o cara que cometeu o maior crime financeiro na história do Brasil. E tem muita gente envolvida, é muita gente de todos os lados”, afirmou.
A deputada também declarou apoio ao ministro André Mendonça, do STF, e o classificou como um magistrado que “honra a toga”. Bia citou sua participação na CPMI do INSS e afirmou que Mendonça teria demonstrado imparcialidade ao analisar pedidos feitos durante os trabalhos da comissão.
“Várias vezes a gente pediu prisão de pessoas que ele [André Mendonça] não concedeu. Isso mostra a imparcialidade dele. Ele não concedia tudo que a gente pedia, mas ele concedia muita coisa que a gente pedia. E da outra parte, o que pedia também ele concedia. Porque ele é um juiz que julga de forma imparcial”, declarou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFDurante o discurso, Bia Kicis também afirmou que outros integrantes do Supremo estariam “unidos como uma verdadeira organização criminosa”. “O Supremo hoje é que está em xeque. É o próprio Supremo que está em xeque”, disse.
A deputada defendeu ainda que o julgamento dos casos seja feito de forma justa e afirmou que o momento exige união. “O que nós queremos aqui é um julgamento justo que nos dê esperança”, afirmou.
Manifestação contra Moraes
Manifestantes se reuniram na manhã desta terça-feira (15/9) na Alameda das Bandeiras, em frente ao Congresso Nacional, para protestar contra o ministro Alexandre Moraes antes do início da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que irá decidir se o magistrado será investigado pela troca de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante o protesto, os manifestantes utilizam faixas que pedem a saída de Moraes e até do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No local, o público empilhou blocos de notas falsas de R$ 100 para simbolizar valores que o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) é acusado de receber de Vorcaro.
A manifestação foi convocada pelo Partido Novo e conta com a presença do candidato à Presidência da República Romeu Zema e do ex-desembargador e candidato ao Senado pelo DF, Sebastião Coelho.
“Esta manifestação não é sobre direita ou esquerda. É a manifestação da indignação dos brasileiros contra os abusos que estamos vendo no Supremo”, afirmou Zema ao Metrópoles.
Sebastião Coelho destacou que o ato demonstra o repúdio do país a situação do STF. “Hoje a minha expectativa é que o Supremo Tribunal Federal traga uma decisão de paz para a nação. Tirar Alexandre Moraes é apaziguar nossa nação”, defendeu.
O morador do Lago Norte (DF), o engenheiro Danilo Ramos, 41 anos, pediu a investigação e a saída de Moraes do STF.
“Acho que foram extrapolados todos os limites do bom senso. O ministro Alexandre de Moraes tem tido um comportamento ditatorial. E, além disso, agora ficou comprovado que ele se envolveu em corrupção, no caso do Vorcaro. É inadmissível que ele continue na posição que se encontra”, disse o engenheiro.
O mineiro José Caldeira, de 54 anos, clamou por uma justiça imparcial e fez críticas contra o ministro Alexandre Moraes.
“Os poderes devem ser, como diz a Constituição, terem harmonia, independentes entre si, mas porém harmônicos, né? Nós queremos que a justiça seja feita, que não seja parcial, que seja imparcial e veja o clamor de uma sociedade, é isso que nós queremos”, explicou o manifestante.
Sessão no STF
A sessão extraordinária que analisará mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro começou às 10h.
O caso foi levado ao Plenário do STF pelo ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master. Mendonça pediu autorização dos demais ministros para abrir uma apuração sobre Moraes a partir das informações encontradas pela PF.
O relatório reúne mensagens extraídas do celular de Vorcaro e registros de contatos com Moraes. O material aponta 187 interações entre os dois, além de referências a encontros e pedidos feitos pelo banqueiro.

















