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A inspeção com a utilização inédita de um drone encontrou possíveis focos de dengue no terraço do Torre Palace. O equipamento flagrou acúmulo de água em pneus e em parte da laje do prédio interditado. Não foram identificados sinais de que a construção voltou a ser invadida.

Foi a primeira vez que os fiscais usaram o equipamento no combate à dengue. “Ele já foi utilizado em ações do Corpo de Bombeiros, como queimadas e buscas aquáticas”, explica o militar da corporação responsável pelo drone, Omar Guedes.

A operação conjunta deflagrada nesta quinta-feira (1º/2) contou com o apoio de 30 servidores da Divisão Ambiental de Saúde (Dival), Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e da Administração Regional do Plano Piloto.

De acordo com o diretor da Dival, Denilson Magalhães, a Justiça será acionada para que os responsáveis tomem providências sobre os possíveis focos encontrados no antigo hotel. As imagens captadas pelo drone serão analisadas para embasar ações do Estado sobre os encarregados pelo prédio abandonado.

Além dos focos de dengue, que foram constatados já nos primeiros sobrevoos, os agentes vão procurar indícios da presença de outros animais nocivos para a saúde humana, como ratos. O drone será utilizado em operações da Vigilância Ambiental de combate à dengue. O objetivo é fiscalizar residências abandonadas e fechadas.

A operação ocorreu após denúncia do Metrópoles. No fim de 2017, 10 funcionários do hotel Nobile Suítes Monumental, vizinho ao Torre Palace, contraíram dengue. Depois do pedido do estabelecimento, a Vigilância Ambiental do DF aplicou inseticida nos arredores do edifício no início deste ano. O trabalho, porém, não foi suficiente.

Processos
Há pelo menos oito ações na Justiça envolvendo o Torre Palace. São elas que vão determinar o desfecho do espaço. O Governo do Distrito Federal (GDF) é um dos envolvidos, pois tenta recuperar os R$ 802,94 mil gastos na desocupação do local em 2016. À reportagem, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) informou que a restituição dos custos será definida após o trânsito em julgado do processo.

A ação do GDF não foi capaz de acelerar um dos processos-chave. Em 2016, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins) determinou que o prédio fosse leiloado. Mas, agora, a ação travou no Tribunal Superior do Trabalho (TST), onde aguarda julgamento do agravo de instrumento.

A Companhia Energética de Brasília (CEB) cobra débitos pelo fornecimento de energia elétrica, enquanto a Brookfield Empreendimentos Imobiliários, que tentou viabilizar uma permuta do imóvel com os herdeiros do prédio, viu a medida ser judicializada. Até uma empresa de alimentos, a Frutella Comércio de Alimentos, solicita valores dos donos. Os responsáveis pelo Torre Palace não foram localizados para comentar a situação.

Histórico
Fundado em 1973, o Torre Palace Hotel foi o primeiro prédio do Setor Hoteleiro Norte. Hoje, é parte de uma disputa entre herdeiros do libanês Jibran El-Hadj, proprietário do edifício, morto em 2000. Abandonado desde 2013, quando teve as atividades encerradas, o hotel virou abrigo de moradores de rua e usuários de drogas até uma megaoperação desocupar as instalações, em outubro de 2015.

Palco de diversas tentativas malsucedidas de reintegração de posseo hotel já foi condenado pela Defesa Civil, que apontou falhas graves na estrutura da construção.

 

 

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