Dois motoristas de aplicativo são mortos em 48h no DF

Corpo de Henrique Fabiano Dias Coelho foi encontrado neste domingo e o de Tiego Cavalcante, na sexta-feira

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atualizado 14/10/2019 7:11

Dois motoristas de aplicativo morreram no Distrito Federal neste fim de semana. O corpo de Henrique Fabiano Dias Coelho (foto em destaque) foi encontrado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) na madrugada deste domingo (13/10/2019) e o de Tiego Cavalcante na sexta-feira (11/10/2019), em Samambaia.

Há sinais de que Henrique tenha sido esganado. Um taxista o viu caído no Setor de Cargas, nas proximidades da Cidade do Automóvel, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal. O Corpo de Bombeiros foi ao local e verificou que a vítima estava sem vida.

A família dele chegou a registrar ocorrência por desaparecimento. Segundo uma tia de Henrique contou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o último contato do sobrinho aconteceu por volta da 0h10, quando informou à namorada que iria pegar um passageiro em posto de combustível na entrada do Núcleo Bandeirante.

A polícia orientou a família a comparecer ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde confirmou que o corpo encontrado era dele. O carro de Henrique, um Hyundai HB20 branco, foi achado no Guará na noite deste domingo com cinco adolescentes, que acabaram apreendidos.

Henrique trabalhava na Caixa Econômica Federal (CEF) como terceirizado, ainda de acordo com o relato da tia, e durante a noite e aos fins de semana atuava como motorista de aplicativo.

Samambaia

A Polícia Civil investiga a morte de outro homem. Tiego Cavalcante, 28 anos, foi assassinado na Área de Desenvolvimento Econômico (ADE) de Samambaia na noite de sexta-feira (11/10/2019). Ele também trabalhava com aplicativo de transporte.

Amigo de Tiego, o barbeiro Jonathan Gonçalves, 28, disse que o motorista era “uma pessoa maravilhosa”. “Ajudava os outros e gostava muito de trabalhar”, contou. Tiego trancou a faculdade de direito e se dedicava ao trabalho com os aplicativos e às artes marciais, treinando krav magá e jiu-jitsu.

Vítimas

Segundo levantamento feito pela Polícia Civil, ao qual o Metrópoles teve acesso, a quantidade de condutores dos aplicativos Uber, 99 e Cabify vítimas de roubo com restrição de liberdade ou sequestro-relâmpago, como o crime é popularmente conhecido, saltou de 22 casos em 2017 para 71 episódios apenas nos seis primeiros meses deste ano.

Para se ter uma ideia, no primeiro semestre de 2018, foram computadas apenas 14 ocorrências policiais. Na prática, isso significa que, neste ano, todo mês praticamente 12 condutores são sequestrados durante corridas no DF. O balanço expõe a vulnerabilidade de quem depende do trabalho para sobreviver ou encontrou na atividade uma forma de conseguir mais dinheiro ao final do mês.

Os números podem ser ainda mais alarmantes, uma vez que a PCDF disse não ter recorte específico que aponte o total de motoristas vítimas de outros crimes. À reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) atribuiu o aumento desses registros ao fato de que os criminosos estariam mantendo os condutores como reféns para evitar que a polícia seja comunicada sobre os delitos.

Em nota, a Uber disse operar com tecnologia para bloquear viagens suspeitas. Segundo a empresa, a ferramenta usa algoritmos que aprendem de forma automatizada a partir dos dados e bloqueia viagens consideradas potencialmente mais arriscadas, a menos que o usuário forneça detalhes adicionais de identificação.

A Cabify, por sua vez, diz que “repudia qualquer ato de violência que ponha em risco a segurança de seus motoristas parceiros” e acrescentou: “A segurança é prioridade nas operações da empresa”. De acordo com a companhia, há investimento em tecnologias a fim de melhorar a segurança das viagens para passageiros e motoristas.

Outra a defender a questão da segurança como “prioridade” foi a 99. O aplicativo afirmou ter diminuído em 53% o índice de ocorrências por milhão de corridas, na comparação de agosto de 2019 com o mesmo mês do ano anterior. Em 2018, o número de casos caiu 82% por milhão de viagens de janeiro a dezembro, segundo informou.

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