DF: novas regras de licenças ambientais beneficiarão 17 assentamentos
Simplificação do licenciamento deixa mais barato e mais rápido o processo para famílias beneficiadas pela reforma agrária na capital do país

As regras para regularização fundiária no Distrito Federal ganharam novas diretrizes e devem beneficiar pelo menos 17 assentamentos na região do Incra. A mudança foi publicada no Diário Oficial (DODF) de segunda-feira (16/5) com a sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB) à Proposta de Emenda à Lei Orgânica (Pelo) do presidente da Câmara Legislativa (CLDF), deputado distrital Rafael Prudente (MDB).
Conforme explica o presidente do Núcleo Socioambiental do MDB, Giancarlo Chelotti, que ajudou a redigir o projeto, atualmente é exigido o chamado Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para o andamento do processo de terras maiores que 200 hectares. “São muitas etapas exigidas. O estudo custa em média R$ 1 milhão, demora cerca de 5 anos e demandaria até audiência pública”, comenta.
Com as novas diretrizes, a lei busca simplificar esse licenciamento para produtores rurais que ganharam terras por meio da reforma agrária com a assinatura de um Termo de Compromisso Ambiental. “Agora, o órgão ambiental pode acertar individualmente os termos com cada um dos beneficiários. Facilita pegar crédito, participar em feiras e a criação de cooperativas”, destaca. Entre 2 mil a 4 mil famílias devem ser beneficiadas.
Para o presidente da Comissão de Direito Urbanístico e Regularização Fundiária da Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF), Luiz Fernando Ferreira, a flexibilização dos processos de licenciamento ambiental é uma “tendência” que ocorre há alguns anos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“É um certo padrão, tanto na Terracap, quanto no GDF e, até no Governo Federal, simplificar esses procedimentos. É o que tem de mais moderno quando se pretende entregar políticas publicas”, avalia. “Em tese, é mais oportuno para reforma agrária do que para o parcelamento do solo”, complementa.
O especialista também crê que a agilidade e a redução de custos merecem cuidado. “Cria-se o risco de se criar mais exceções à regra e ela não passar a valer. Há de se ter cuidado se a gente vai simplificar todo tipo de questão relacionado ao meio ambiente”, salienta.

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Ver todasJá para o superintendente de Licenciamento do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Alisson Santos Neves, a proposta trazida pela CLDF vai de acordo com a debatida pelo Conselho de Meio Ambiente do DF (Conam-DF) também neste ano.
“O objetivo é conseguir estabelecer um procedimento que seja adequado, com menor burocracia e dispêndio possível, sem perder qualidade técnica. A norma não estimula uma ocupação desordenada, nem o desmatamento”, argumenta.
A necessidade de um estudo menos detalhado advém, também, do tipo de ocupação feita em assentamentos. Para Alisson, a ocupação de áreas rurais já pressupõe um impacto menor sobre o meio ambiente ─ impermeabilidade do solo, plantio, impactos fluviais, por exemplo ─ quando comparada com ocupação de áreas urbanas. Por isso, a dispensa de estudos mais extensos sobre o impacto na área ocupada.
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