“Dizia que iria me matar”, afirma empresária espancada por PM
Mulher de 43 anos detalhou ao Metrópoles os momentos de terror vividos ao ser agredida e ameaçada de morte por policial militar
atualizado
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“Não me sinto bem, nem segura”. Assim, uma empresária do Distrito Federal relembrou os momentos de terror sofridos por causa do policial militar Osiel Alves Silva, 41 anos, em uma sala comercial do Riacho Fundo, nessa quarta-feira (13/10).
A vítima, de 43 anos, recebeu o Metrópoles na manhã desta quinta-feira (14/10) em seu escritório, palco das agressões. O cenário estava idêntico ao mostrado nas imagens do circuito interno de segurança, reveladas pela reportagem nesta quinta.
Veja as agressões:
Foi na antessala do ambiente de dois cômodos, ao lado de bichinhos de pelúcia colocados em cima do sofá cinza, que a vítima narrou a situação “humilhante e degradante” de espancamento, enforcamento e ameaça sob a mira de uma arma.
A empresária contou que, inicialmente, chamou a esposa do PM para renegociar uma dívida de cerca de R$ 40 mil referentes a um contrato de US$ 8 mil. A vítima das agressões teria pagado US$ 6 mil. Faltava o restante.
Quem apareceu no local, no entanto, foi Osiel. Segundo a vítima, o policial “chegou fora de si ao escritório”. “Ele falou que levaria tudo. Abriu todas as gavetas e pegou o que achou. Dizia que iria me matar”.
A fim de evitar que o dinheiro fosse levado, a mulher segurou a blusa do sargento, que reagiu torcendo os braços dela, jogando-a no chão e, depois, arrastando-a pelos cabelos.
Nesse momento, a mulher pegou uma faca na pia da cozinha. O policial, então, se afastou, sacou uma arma e apontou para a cabeça da empresária, que ficou paralisada.
“Eu peguei a faca de cozinha para me defender, depois que fui espancada”, justifica a empresária. “Ele mandou eu não me mexer, dizia que iria me matar; que ele era maluco”, relembra.
“Ele perguntou se eu era corajosa, (pois) queria ver até onde ele poderia ir”, acrescentou a empresária do ramo têxtil, revelando uma marca no pescoço e outra no punho esquerdo resultantes de tapas e socos no rosto. “Em todos os meus anos de profissão, isso nunca aconteceu com outro cliente”, lamentou.
Toda a violência foi registrada por câmeras do circuito interno de segurança instaladas nos vários ambientes do escritório.
Segundo a vítima, um cheque de alto valor, um diamante avaliado em US$ 15 mil, além de US$ 2 mil, 350 libras e R$ 2 mil em dinheiro, foram levados pelo agressor. Ele também pegou três passaportes dela e a carteira com todos os documentos da vítima. O PM também teria recolhido celular, computador e uma bolsa Louis Vuitton.
“Nada justifica este comportamento”, reforça a empresária. Nesta quinta, ela fez exames no Instituto Médico Legal (IML). No dia anterior, registrou ocorrência e prestou depoimento na 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo).
Apresentação
O sargento apresentou-se à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) e entregou dinheiro e cheques que havia pegado na sala da empresária. Policiais militares da Corregedoria da PMDF estiveram no local para acompanhar o andamento da ocorrência.
A empresária foi ouvida em termo de declaração e apresentou sua versão dos fatos. Segundo ela, cerca de US$ 2 mil, uma folha de cheque preenchida e uma pedra de diamante certificada no valor de US$ 15 mil desapareceram.
Como se apresentou espontaneamente, escapando do flagrante, o policial responderá em liberdade.
A PMDF informou que “abrirá o devido processo para apurar a conduta do policial e, até que os fatos sejam elucidados, medidas cautelares serão adotadas, e o policial será afastado das atividades de policiamento”.
O outro lado
Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa do PM alegou que a empresa da vítima “acumulou uma dívida de US$ 8 mil e se indispôs a liquidá-la, apesar de protelar o pagamento há cerca de 2 anos com promessas semanais de pagamento. Diante dos fatos, Osiel foi conversar com ela (empresária), como já havia feito antes e sem esperar ter um final trágico. Primeiro, ela o puxou pelo braço e afirmou que deveria arcar com o prejuízo, e ela anunciou que é uma estelionatária. Diante do ocorrido, Osiel ficou enfurecido”.
Além disso, o policial argumentou que sofreu ameaças. “Quando foi ameaçado com uma faca, sacou um simulacro para a mulher, que abaixou a faca ao se intimidar. Quando foi agredido na cabeça por trás, aplicou o golpe mata-leão. [O PM afirmou] Que, em momento algum, puxou-a pelo cabelo. Que pegou alguns pertences e, imediatamente, arrependeu-se de haver se exaltado e deslocou-se à 21ª DP para registro da ocorrência de exercício arbitrário das próprias razões e lesão corporal recíproca. Informa que foi ao IML ontem à noite e que vai entrar com bloqueio judicial dos bens e contas até total liquidação da dívida.”





















