Direção suspende alimentação de pacientes em ala vermelha do HRT

Local abriga pessoas que dão entrada em estado grave ou instabilidade no quadro de saúde. CRM-DF criticou a decisão

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 09/05/2019 16:56

A direção do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) decidiu interromper o fornecimento de alimentos para todos os pacientes da ala vermelha da emergência da unidade pública de saúde. A decisão, segundo o diretor Sávio Ananias, “segue recomendação médica”. No entanto, a medida é criticada pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF).

A interrupção da dieta foi avisada por meio de um comunicado interno enviado na última terça-feira (07/05/2019) aos médicos, servidores e enfermeiros do hospital. Ao Metrópoles, Ananias explicou que a ala “abriga pacientes instáveis em estado grave”. Segundo ele, os internados ficam no local por “no máximo 6 horas”. “A pessoa fica lá até que se tome a decisão para onde ela será realocada, dada a avaliação do quadro de saúde dela, se houve melhora ou não”, explicou.

O diretor também disse que a interrupção da dieta tem por objetivo “não promover complicações no quadro de saúde já instável dos internados na ala vermelha da emergência”. “Digamos que haja um paciente no ato de uma crise convulsiva. Esse alimento pode ir para o lugar errado promovendo uma pneumonia aspirativa ou até mesmo um engasgo. É uma necessidade”, completou Ananias.

O CRM-DF, entretanto, defende que é preciso “avaliar as peculiaridades de cada caso”. Segundo o Conselho Regional de Medicina, apenas o médico assistente “tem a prerrogativa de decidir se o paciente pode ou não se alimentar e definir o tipo de alimentação para cada caso”.

“Um ato administrativo não pode se sobrepor ao ato médico. Compete ao médico a tripla função de diagnosticar a doença, prescrever o tratamento e avaliar o resultado [prognóstico]. A prescrição da dieta faz parte do tratamento e essa não pode ser mudada por ato administrativo”, criticou o CRM-DF, por meio de nota.

A Secretaria de Saúde foi acionada pela reportagem para comentar o assunto, mas limitou-se a passar o contato do diretor do HRT.

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