Direção do IML coloca servidores da Defesa Civil para remover corpos

A decisão afirma que a medida ocorreu por “necessidade de assegurar a continuidade dos serviços essenciais”. Servidores falam em retaliação

atualizado

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manifestação dos servidores do IML-DF
1 de 1 manifestação dos servidores do IML-DF - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Após a paralisação e manifestação de servidores ocorrida na manhã desta quarta-feira (18/3), a diretoria do Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal despachou uma ordem de serviço na qual atribui o trabalho de remoção de cadáveres aos servidores da Defesa Civil.

O Metrópoles teve acesso ao documento, que foi assinado pela diretora do IML-DF, Márcia Cristina Barros, a qual afirma que a medida foi tomada “considerando a deflagração de cenário de contingência decorrente da paralisação de atividades por servidores de carreira de agentes complementares de segurança pública (AACSP)”.

Ela afirma ainda, no texto, que existe a “necessidade de assegurar a continuidade dos serviços essenciais”.

Por isso, segundo a ordem de serviço, “as atividades de manejo de cadáveres, especialmente no que se refere ao recolhimento e transporte, serão executadas, no âmbito de contingência, pela Defesa Civil, cabendo ao IML a manutenção da cadeia principal, com foco nos exames necroscópicos e demais atos técnico-científicos”.

Surpreendidos

Presidente da Associação dos Técnicos em Necropsia (Asten) e diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas (Sindireta-DF), José Romildo Soares disse que os servidores foram surpreendidos com a decisão.

“É uma retaliação, até porque não estamos em greve. Fizemos a paralisação agora de manhã, mas voltamos, dentro da operação legalidade (veja abaixo). Não estávamos parados”, garantiu.

Romildo classificou como “lamentável” a atitude tomada pela direção do IML-DF. “Estamos trabalhando sob pressão há anos, com o efetivo reduzido e a categoria adoecendo”, comentou.

Para ele, a diretoria do IML-DF agiu de forma a invalidar o diálogo estabelecido durante a manifestação. “Jogaram toda a negociação no lixo. Desconsideram todos os avanços alcançados. Retornamos ao trabalho em boa-fé, confiando na negociação, mas fomos surpreendidos por essa ação”, lamentou.

“Estamos acionando o jurídico do sindicato, para tomar as medidas cabíveis. É uma decisão que está usurpando as nossas funções. Vamos acionar a Justiça e, se for o caso, ela (diretora do IML-DF) vai responder”, acrescentou o presidente da Asten.

Em nota, a Defesa Civil do DF informou que passou a cumprir, “de forma excepcional e temporária”, uma escala de serviço para apoio na remoção de cadáveres, em razão da paralisação dos servidores do IML.

“A medida foi adotada mediante solicitação da Diretoria do IML e por determinação da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços essenciais à população, e ocorre em caráter emergencial de modo a assegurar o adequado atendimento às demandas da sociedade”, pontuou o texto.

O Metrópoles entrou em contato com a direção do IML-DF e aguarda retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

“Operação padrão”

Desde as 19h dessa segunda-feira (16/3), os AACSPs seguem uma cartilha que determina a “operação padrão”.

Segundo o documento, enviado ao Departamento de Polícia Técnico Científico da Polícia Civil, isso significa que os trabalhos realizados pelos servidores da área serão padronizados “de acordo com as legislações vigentes e os procedimentos operacionais padrão de cada setor que se encontram em vigor”.

O ofício afirma que:

  • Todas as atividades deverão seguir estritamente as normas técnicas e legais estabelecidas.
  • Situações que desrespeitem os procedimentos institucionais devem ser reportadas imediatamente à chefia, ao coordenador de plantão e às entidades representativas.
  • O cumprimento rigoroso dos procedimentos é uma forma legítima de garantir a integridade do serviço e a segurança de todos os envolvidos.

Na prática, uma remoção de cadáver, por exemplo, só ocorrerá caso a equipe esteja completa, com dois AACSPs. Com a determinação, os serviços de remoções e exames de cadáveres irão atrasar.

O comunicado ressalta que, em caso de:

  • Remoção em via pública, após o término da perícia criminal, não havendo dois técnicos disponíveis para a realização da remoção, os técnicos que estiverem fazendo exame necroscópico deverão comunicar o médico sobre a prioridade e interromper a perícia para o deslocamento.
  • Remoção em residência, não havendo dois técnicos disponíveis para a sua realização, os técnicos que estiverem fazendo exame necroscópico deverão comunicar o médico sobre a prioridade interromper a perícia para o deslocamento.
  • Remoções em hospitais, inicialmente realizar-se-ão todos os exames pendentes na sala de necropsia, para, somente então, proceder com o deslocamento aos referidos hospitais.

Ainda segundo o ofício, os AACSPs da área de anatomia, em nenhuma hipótese, poderão dirigir viaturas.

Entenda

O indicativo de greve foi aprovado durante uma assembleia realizada na última quinta-feira (12/3). A categoria afirmou que a decisão foi motivada pela falta de avanços nas negociações sobre a reestruturação da carreira que ocorrem desde 2013.

De acordo com o Sindireta-DF, outras carreiras da Segurança Pública do DF já teriam recebido reajustes e melhorias, enquanto os profissionais das Atividades Complementares — que atuam em setores como o IML — seguem sem mudanças estruturais.

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