Greve no IML do DF gera “fila de corpos” em hospitais
Paralisação ocorre após impasse nas negociações sobre reestruturação da carreira, em discussão desde 2023
atualizado
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Em meio ao indicativo de greve e à paralisação por tempo indeterminado iniciada nesta quarta-feira (18/3) por servidores do Instituto de Medicina Legal (IML) do Distrito Federal, corpos deixaram de ser recolhidos em hospitais e necropsias deixaram de ser realizadas, o que provocou acúmulo de casos.
O Metrópoles apurou que até às 23h50 de terça-feira (17/3), ao menos 12 corpos aguardavam procedimentos:
- Oito corpos aguardavam necropsia;
- Quatro remoções ainda não haviam sido feitas em hospitais.
Segundo o balanço, foram realizados quatro exames necroscópicos e duas liberações de corpos. Também houve sete remoções.
Ainda assim, casos seguem pendentes. Há exames necroscópicos que ficaram para esta quarta-feira (18/3) e duas remoções aguardam desde a tarde de domingo, o que evidencia o impacto da paralisação nos atendimentos.
Entenda o caso
- O indicativo de greve foi aprovado em assembleia realizada na última quinta-feira (12/3), motivado pela falta de avanços nas negociações sobre a reestruturação da carreira, em discussão desde 2023;
- Segundo o Sindireta-DF, outras carreiras da segurança pública já receberam reajustes, enquanto os servidores do IML seguem sem mudanças;
- A paralisação por tempo indeterminado começou nesta quarta-feira (18/3), após tentativas de diálogo sem acordo;
- A categoria também convocou manifestação em frente ao Palácio do Buriti, a partir das 8h.
A paralisação afeta diretamente as atividades dos agentes de atividades complementares de segurança pública (AACSP), responsáveis por funções técnico-operacionais no Departamento de Polícia Técnica, incluindo o IML.
Esses profissionais atuam em necropsias, remoção e liberação de corpos, além de apoiar perícias que subsidiam investigações criminais.
Desde as 19h de segunda-feira (16/3), os servidores adotam a chamada “operação padrão”, que prevê a execução dos trabalhos conforme as normas e procedimentos operacionais vigentes, o que reduz o ritmo dos atendimentos.
Em nota ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) disse que apesar da paralisação do IML, “o fluxo de recolhimento de corpos em todas as unidades da rede pública de saúde permanece inalterado e operando dentro da normalidade”.
Segundo a pasta, a greve atinge as ocorrências de mortes violentas ou de causas externas que dependem de perícia criminal. Em relação ao recolhimento dos corpos por mortes naturais, os hospitais irão seguir o protocolo padrão.
“O transporte e a liberação de corpos vinculados a óbitos por causas naturais continuam sendo realizados regularmente pelas equipes do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) e pelas concessionárias de serviço funerário, sem qualquer interrupção”, diz a SES-DF.
Orientações
Durante a paralisação, a orientação é que, em casos de remoção de corpos em vias públicas ou residências, o comando do movimento seja acionado para indicar as equipes responsáveis pelo atendimento.
Permanecem mantidos os exames de sexologia forense, em casos de crimes contra a dignidade sexual, para preservação de vestígios.
Além disso, coleta de sangue e urina em exames cautelares daqueles que são presos, vítimas de violência ou que estão dirigindo sob efeito de álcool também continuarão sendo realizados.
