Diagnosticado com câncer, Noah faz 1 ano e terá a festa mais fofa de 2020

Em tratamento, o menino vai comemorar o aniversário com os pais de uma forma diferente por causa da pandemia e para ajudar os outros

atualizado

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1 de 1 WhatsApp-Image-2020-06-19-at-10.23.45 - Foto: Arquivo pessoal

O pequeno Noah vai completar seu primeiro aniversário em 17 de julho. Os pais não pretendem deixar a data passar batida por vários motivos, mesmo que a pandemia do novo coronavírus impeça que aglomerações sejam realizadas, impossibilitando uma reunião com amigos e familiares. Ainda mais no caso de Noah. Filho de Paola e Leonardo Carneiro, ele foi diagnosticado com um raro tipo de câncer e, por causa do tratamento, a imunidade dele é muito baixa e o coloca no grupo de risco para a Covid-19.

Entretanto, para não deixar de comemorar, Paola deu uma ideia para Léo: um aniversário solidário.

“Se para a gente está tão difícil, imagina para quem não tem um leite para dar ao filho, um cobertor, não sabe o que vai ter de jantar?”, refletiu o jovem pai de 34 anos. “Sempre que precisamos de ajuda, pudemos contar com familiares e amigos próximos. Então, nada mais justo que retribuir esse apoio”, completou.

Foi então que o casal entrou em contato com a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias, a Abrace. Eles tiveram conhecimento do trabalho da instituição durante o tratamento do Noah, mesmo este não precisando dos serviços prestados pela ONG.

Paola e Léo entenderam que a forma mais eficaz de contribuir seria por meio da Abrace. “O trabalho é mais deles do que nosso”, deixou claro Maria Ângela Marini, presidente-fundadora da Abrace. “Uma ação tão linda e muito bem vinda para a Abrace. Fico feliz pela sensibilidade dos pais”.

A fim de convidar todos à festa, os pais de Noah criaram um perfil no Instagram para o aniversariante. Lançado na última quinta-feira (17/06) e com mais de 10 mil visualizações, o perfil vai fomentar a campanha de 1 mês de duração, que acontece em dois formatos: doações e compartilhando experiências.

Veja o vídeo:

O primeiro pode ser feito em dinheiro, por meio do link na descrição do perfil “Noah de boa”, ou alimentos, roupas e cobertores, produtos de higiene ou equipamentos de proteção individual (máscaras e luvas), inclusive com pontos de doação por todo o DF.

Também pelas redes sociais, o casal vai compartilhar experiências com o público sobre como estão passando por este momento, esclarecer dúvidas sobre o tipo de câncer do Noah, tratamentos e medicações, além de incentivar à ações beneficentes.

Surpresa

Alguns amigos e até familiares foram pegos de surpresa com a campanha. Isso porque o casal preferiu compartilhar o diagnóstico de Noah somente aos mais próximos.

“Todo mundo está numa situação tão complicada e os ânimos, tão frágeis, que a gente não queria ser mais um peso na cabeça e no coração das pessoas”, revelou Paola. “A maioria descobriu somente depois que compartilhamos o vídeo”.

Já para a Abrace, não se trata de uma novidade. “Nós até denominamos essas ações de Presente Solidário”, lembra a presidente da associação. “Virou um projeto dentro da instituição. É uma ação espontânea”, completa. Abaixo, confira como e onde é possível participar da festa do Noah.

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As formas de doações que a família de Noah incentiva juntamente com a Abrace.
Os mantimentos que a família de Noah incentiva para serem doados à Abrace.
Ponto de arrecadação das doações no Guará.
Ponto de arrecadação das doações no Lago Sul.
Ponto de arrecadação das doações no Lago Norte.
Noah aguarda o início da químio no colo do pai Léo.
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Noah aguarda o início da químio no colo do pai Léo.

Arquivo pessoal
As formas de doações que a família de Noah incentiva juntamente com a Abrace.
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As formas de doações que a família de Noah incentiva juntamente com a Abrace.

Arte Malu Dominic
Os mantimentos que a família de Noah incentiva para serem doados à Abrace.
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Os mantimentos que a família de Noah incentiva para serem doados à Abrace.

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Ponto de arrecadação das doações no Guará.
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Ponto de arrecadação das doações no Guará.

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Ponto de arrecadação das doações no Lago Sul.
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Ponto de arrecadação das doações no Lago Sul.

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Ponto de arrecadação das doações no Lago Norte.
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Ponto de arrecadação das doações no Lago Norte.

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Pontos de arrecadação das doações na Asa Sul.
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Pontos de arrecadação das doações na Asa Sul.

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Perfil em homenagem à Noah para divulgar a campanha e compartilhar as experiências.
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Perfil em homenagem à Noah para divulgar a campanha e compartilhar as experiências.

Imagem Instagram/Divulgação

Do diagnóstico…

Após ter tomado a vacina pneumocócica para a prevenção de pneumonia, meningite e otite, entre outras, o câncer foi identificado em Noah. Aplicada na perna direita do menino, a injeção alertou os pais para um caroço próximo ao lugar da aplicação e que ia aumentando.

“Aos 2 meses, ele tomou a vacina. Duas ou três semanas depois apareceu um inchaço. No acompanhamento mensal, a pediatra disse que era uma reação normal, mesmo com o inchaço aumentando”, relembra Leonardo. “Após o segundo mês, procurarmos o posto de saúde e nos disseram que nunca tinham visto uma reação desse tipo”.

Não foi a vacina pneumocócica que causou o câncer, tanto que não houve qualquer registro da doença em crianças que tomaram o mesmo lote da vacina, segundo Léo. Outra pediatra insistiu na biópsia, e com urgência. “O primeiro soco veio da confirmação que era um tumor. O segundo foi confirmando que era maligno, chamado fibrossarcoma”, conta o analista de dados, pai de Noah. “Aí começou toda a luta”.

…ao tratamento

A luta de Léo e Paola veio para conseguir o tratamento e medicação. Pais e especialistas descartaram a remoção do tumor, já que teria que remover todo o quadríceps do pequeno Noah. Léo, em meio a pesquisas sobre o fibrossarcoma, se deparou com a história de Monique e seu filho Levy, diagnosticado com o mesmo tipo de câncer de Noah, só que no cérebro.

“Ela respondeu com calor de quem viveu tudo isso, se colocando totalmente à disposição”, relata Leonardo sobre a solicitude e a empatia de Monique, que passou as informações que dispunha para ajudar o casal e seu filho.

Assim, depois de uma odisseia jurídica e logística para ter a liberação do medicamento e entrega, Noah pôde começar a tomar o medicamento no início de março. Não fosse pelo aconselhamento jurídico contra o plano de saúde, a família não poderia bancar os R$ 23 mil por frasco da medicação.

Contudo, dois meses após utilização do fármaco, o tumor não mostrava qualquer redução. Com Noah maior e mais saudável, o casal decidiu por interromper o uso do remédio e iniciar a quimioterapia.

Novamente, o plano de saúde ofereceu dificuldades para liberar o tratamento. “Já entrei em contato com os advogados dizendo: ‘Olha, mais um perrengue'”, protesta um frustrado Leonardo. Até que houvesse liberação e importação de um dos medicamentos, o casal conseguiu o empréstimo por meio de um laboratório e no dia 4 de maio, Noah começou a químio.

“O Noah adora as seções de quimioterapia”, afirma o pai. “Sai de casa, faz a festa com as enfermeiras, é a atração na clínica. É o momento dele”. Apesar de o filho encarar de forma tranquila, caso o tratamento não apresente melhora, Leonardo está ciente da possibilidade de cirurgia de remoção.

“Se chegar num ponto que comprometa o osso, ou risco de amputação ou de metástase, corre e tira. As prioridades são: vida, membro e função”.

Mas o casal está confiante na recuperação de Noah. “Estamos esperançosos. A gente vem sentindo alguma mudança”, confidencia Léo. E é essa esperança que os pais do pequeno guerreiro com nome bíblico querem compartilhar nessa campanha.

Assim como Noé juntou os animais numa arca e os salvou, os pais de Noah querem unir pessoas para salvar outras pessoas. “Não sou e a Paola que estamos doando. Nós queremos juntar o pessoal. Quem está doando somos todos nós”.

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