DF: Vigilância vistoria quadra onde menino morreu picado por escorpião

Criança de 4 anos sofreu ataque do animal enquanto dormia em casa, na QNF 20 de Taguatinga. Agentes fazem uma busca ativa no local

Raimundo Sampaio/Especial para o MetrópolesRaimundo Sampaio/Especial para o Metrópoles

atualizado 02/07/2019 11:14

A Vigilância Ambiental faz, nesta segunda-feira (01/07/2019), uma busca ativa de escorpiões em um raio de 300 metros da casa onde um menino de 4 anos foi picado enquanto dormia, na madrugada de sexta-feira (28/06/2019), na QNF 20 de Taguatinga. Os agentes batem de casa em casa e procuram possível locais em que mais animais estejam escondidos. Apesar de ter sido medicada no Hospital Regional da cidade (HRT), a criança faleceu no mesmo dia, por volta das 17h40.

Em abril, os fiscais fizeram o chamado “manejo ambiental” na quadra. Isso significa que eles pediram aos moradores que colocassem todos os entulhos do lado de fora das casas para que o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) recolhesse tudo. Segundo os agentes, esse é o procedimento padrão quando há ocorrência de infestação de escorpião. Agora, os agentes orientam a vizinhança sobre os cuidados necessários.

De acordo com a avó do garoto, Luciene Maria, 46 anos, a picada ocorreu logo depois de todos da casa irem dormir. “Foi por volta de 12h50 que todos deitaram. Não deu nem 10 minutos e o menino acordou chorando”, contou ao Metrópoles.

Ela disse que, a princípio, a família achou que a dor da criança era em decorrência de uma vacina que havia sido aplicada mais cedo. “Ele apontava para a perna onde tomou a injeção, mas falava ‘escopião!’. Aí, que meu genro virou o cobertor e a gente achou o bicho.”

Segundo a avó, a criança foi atendida rapidamente no HRT. “Em pouco tempo, chegamos ao hospital e deram logo o soro para ele. Ao todo, foram cinco doses, mas nenhuma fazia efeito. Os médicos dizem que nunca viram isso”, relatou.

O veneno foi tomando conta da criança, que começou a piorar muito a partir do meio-dia de sexta (28/06/2019). Ao todo, segundo Luciene, foram 15 paradas cardíacas. “Até então, o quadro era estável. Depois da hora do almoço, ele piorou muito e morreu às 16h50 do mesmo dia”, afirmou.

Escorpião

De janeiro a março deste ano, 344 pessoas foram picadas por escorpião no DF. No mesmo período do ano passado, o número de registros ficou em 261 casos. A Secretaria de Saúde atualiza esses dados a cada três meses.

A Secretaria de Saúde do DF informa que vítima de animal peçonhento deve procurar hospitais de emergência ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O Centro de Informações Toxicológicas está disponível para dar as primeiras orientações (Telefone: 0800 644-6774).

Saiba o que fazer

A picada de escorpião causa sintomas como vermelhidão, inchaço e dor no local. Algumas situações, no entanto, podem ser mais graves, provocando enjoos, vômitos, dor de cabeça, espasmos musculares e queda da pressão, havendo até risco de morte.

Os primeiros socorros são: lavar a área com água e sabão, manter o local da picada voltado para cima, não furar ou apertar a ferida e beber bastante água. Os profissionais de saúde recomendam que a pessoa procure o pronto-socorro mais próximo, principalmente em relação a mordidas dos tipos mais perigosos, como o escorpião amarelo, o marrom e o preto. A gravidade dos casos depende de quanto veneno foi injetado e como está a imunidade da pessoa.

As picadas desses animais são responsáveis por mais mortes no Brasil do que as mordidas de cobra. Encontrados em áreas urbanas, os escorpiões se reproduzem com facilidade e costumam se abrigar em pedras, entulhos, lenhas, materiais de construção, encanamentos, dentro de calçados e roupas, no interior das casas e em seus arredores.

Para aliviar a dor e a inflamação no local da picada, recomenda-se a aplicação de compressas com água morna e o uso de analgésicos ou de anti-inflamatórios, como dipirona ou ibuprofeno, receitados pelo médico. Em pacientes com sintomas mais graves, é necessário o uso do soro antiescorpiônico. Nesses casos, também é feita a hidratação com soro fisiológico na veia e observação por algumas horas.

Prevenção

Na área externa do domicílio:

  • Manter limpos quintais e jardins, não acumular folhas secas e lixo domiciliar;
  • Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados e entregá-los para o serviço de coleta;
  • Eliminar baratas, aranhas, grilos e outros pequenos animais invertebrados, fontes de alimento;
  • Evitar entulhos de obras de construção civil e terraplanagens, superfícies sem revestimento, umidade, etc;
  • Preservar os inimigos naturais, aves, pequenos macacos, quatis, lagartos, sapos e gansos (as galinhas não são agentes controladores eficazes dos escorpiões, pois possuem hábitos diurnos enquanto os escorpiões são noturnos);
  • Evitar queimadas em terrenos baldios, para impossibilitar o desalojamento;
  • Remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto a paredes externas e muros;
  • Manter fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões;
  • Rebocar todas as paredes e muros, eliminando vãos ou frestas.

Na área interna do domicílio:

  • Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha;
  • Reparar rodapés soltos e colocar telas nas janelas;
  • Telar as aberturas de ralos, pias e tanques;
  • Telar aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos calafetados;
  • Manter berços e camas afastados, no mínimo, 10 cm das paredes e evitar que mosquiteiros e roupas de cama permaneçam em contato com o chão;
  • Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados;
  • Em local muito arborizado, fechar portas e janelas da residência ao entardecer;
  • Manter fechados armários e gavetas;
  • Examinar roupas e calçados antes de usá-los, principalmente quando tenham ficado expostos ou espalhados pelo chão.

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