DF registra queda de 11,2% no número de doadoras de leite materno
Dado chama atenção em meio ao Agosto Dourado, mês dedicado a conscientização sobre a importância do aleitamento materno

O número de doadoras de leite humano no Distrito Federal em 2026 diminuiu 11,2% quando comparado com o mesmo período em 2025. O dado chama atenção principalmente em meio ao Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno.
O dado é da Secretaria de Saúde (SES-DF), que informou que, de janeiro a julho deste ano, foram registradas 3.274 doadoras, enquanto no mesmo período, em 2025, foram registrados 3.687.
Somente no mês de julho de 2026, foram atendidos 1.470 recém nascidos e coletados 1.775 litros de leite humano na Rede de Bancos de Leite Humano do DF, que corresponde a uma média de 57 litros por dia, considerando os 31 dias do mês.
Quem pode doar? Como é o processo?
A doação é feita a partir do excesso de leite produzido pela mãe, depois de atendida a necessidade do próprio filho. Portanto, não existe um período específico em que a mulher possa ou não ser doadora. A orientação é que a doação seja realizada enquanto houver produção excedente.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFO leite doado passa por uma série de cuidados antes de chegar aos bebês atendidos: na hora da coleta, a mãe deve cobrir os cabelos com touca ou lenço, usar máscar e lavar as mãos, além de ter a mama higienizada com pano ou gaze úmida.
O leite é então colocado em um frasco esterelizado, fornecido pelo banco na primeira visita, e identificado com o nome completo da doadora, além de data e hora da primeira coleta naquele frasco.
- Depois da extração, o leite deverá ser congelado por até 10 dias e recolhido pelo banco de leite, responsável pela pasteurização antes de 15 dias da coleta.
- Enquanto estiver armazenado, o frasco não deve ficar próximo a alimentos de cheiro forte porque o odor pode passar para o leite.
- Caso a mulher utilize uma bomba para fazer a extração, o equipamento também precisa ser esterilizado antes do uso. Depois de congelado, o leite destinado à doação não deve ser descongelado.
Benefícios da amamentação para mãe e para o bebê
A enfermeira responsável técnica pelo Banco de Leite Humano do Hospital Universitário de Brasília (HUB) Kelly Bonan, a retirada do leite excedente pode contribuir para aumentar a produção. Isso acontece porque a extração, assim como a sucção do bebê, estimula a mama.
“O seio é uma fábrica que produz conforme o consumo”, explica Kelly. Assim, quanto maior o estímulo, maior tende a ser a produção de leite.
Segundo Kelly, para as mulheres, amamentar está associado à redução do risco de câncer de mama e de ovário, além de contribuir para que o útero retorne mais rapidamente ao tamanho normal e reduzir o sangramento vaginal no pós-parto. A amamentação também favorece uma perda de peso mais rápida no período após o parto.
Para o bebê, o leite materno contribui para a imunidade por meio dos anticorpos, facilita a digestão e favorece o crescimento, especialmente o desenvolvimento cerebral.
Segundo a especialista, também ajuda a prevenir obesidade e alergias na idade adulta e contribui para o desenvolvimento da musculatura facial e da boca, importante posteriormente para a fala e a mastigação.
“O leite materno é um alimento vivo que muda de acordo com a necessidade da criança”, explica Kelly.

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Ver todasNão existe “leite fraco” e outros mitos da amamentação
Um dos mitos mais comuns relacionados à amamentação também aparece na rotina dos bancos de leite: a ideia de que uma mãe pode produzir um leite “fraco”.
Segundo Kelly, não existe leite materno fraco. Quando um bebê apresenta perda de peso ou dificuldade para ganhar peso, o problema geralmente está relacionado à dificuldade de retirar adequadamente o leite da mama durante a sucção.
É justamente nesse ponto que entra o trabalho dos bancos de leite. Com orientações sobre pega e posicionamento do bebê, os profissionais conseguem melhorar as condições para que a criança faça uma extração mais eficiente durante a amamentação.
Não há risco para bebês que recebem leite doado. As mães e os recém-nascidos são avaliados na maternidade do nascimento sobre condições de saúde e possibilidade de amamentação.
Importância de redes de apoio em casa e no trabalho
Quanto mais mulheres recebem suporte para amamentar os próprios filhos, maior é a possibilidade de que aquelas que produzem leite em excesso também consigam se tornar doadoras.
Em 2026, o tema do Agosto Dourado é “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”, com foco na proteção e apoio da amamentação como uma responsabilidade que não é exclusiva da mulher, mas da sociedade como um todo.
Por isso, a rede de apoio tem um papel essencial no processo. Família, comunidade e empregadores podem contribuir para que a mulher consiga continuar amamentando inclusive mesmo depois de voltar a trabalhar. Entre as medidas citadas pela SES, está a criação de salas de apoio à trabalhadoras que amamentam.
Contatos do banco de leite do DF
A mãe doadora pode fazer o cadastro no Disque Saúde 160, opção 4, pelo site Amamenta Brasília ou pelo Portal Cidadão do DF.











