Agosto Dourado: campanha reforça a importância de salas de amamentação

Campanha destaca que espaços adequados e bancos de leite auxiliam mães à manter amamentação e preservar saúde física e emocional

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1 de 1 sala-de-amamentacao-hran-4 - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Denominado de Agosto Dourado, a campanha leva a cor como símbolo pelo padrão ouro de qualidade do leite humano.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) são recomendadas amamentação exclusiva até os seis meses de idade do bebê, e complementar até os dois anos ou mais. As campanhas relacionadas ao mês se apresentam com a intenção de reforçar a necessidade de acolhimento e estrutura para, por exemplo, mães que conciliam o trabalho com a rotina de amamentar.

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Qualquer órgão público pode solicitar à Secretaria de Saúde a implementação de salas de amamentação
Sem salas de apoio, muitas mulheres recorrem à banheiros ou locais improvisados para extração do leite
A ausência de ambientes privativos pode trazer consequências físicas e emocionais
Médico pediatra, Felipe Camilo Santiago conta que "O ideal é um espaço silencioso, limpo, com cadeira confortável, máscaras, gorros e condições adequadas para garantir a higiene e o bem-estar da mãe e do bebê”
A OMS, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP) aconselham a amamentação até os seis meses de idade
No DF, existem leis e decretos que protegem o direito à amamentação
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No DF, existem leis e decretos que protegem o direito à amamentação

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Qualquer órgão público pode solicitar à Secretaria de Saúde a implementação de salas de amamentação
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Qualquer órgão público pode solicitar à Secretaria de Saúde a implementação de salas de amamentação

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Sem salas de apoio, muitas mulheres recorrem à banheiros ou locais improvisados para extração do leite
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Sem salas de apoio, muitas mulheres recorrem à banheiros ou locais improvisados para extração do leite

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A ausência de ambientes privativos pode trazer consequências físicas e emocionais
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A ausência de ambientes privativos pode trazer consequências físicas e emocionais

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Médico pediatra, Felipe Camilo Santiago conta que "O ideal é um espaço silencioso, limpo, com cadeira confortável, máscaras, gorros e condições adequadas para garantir a higiene e o bem-estar da mãe e do bebê”
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Médico pediatra, Felipe Camilo Santiago conta que "O ideal é um espaço silencioso, limpo, com cadeira confortável, máscaras, gorros e condições adequadas para garantir a higiene e o bem-estar da mãe e do bebê”

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A OMS, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP) aconselham a amamentação até os seis meses de idade
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A OMS, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP) aconselham a amamentação até os seis meses de idade

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Os bancos de leite do DF distribuem aproximadamente 160 mil litros de leite por ano
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Os bancos de leite do DF distribuem aproximadamente 160 mil litros de leite por ano

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O banco de leite do HRAN atende mensalmente cerca de 700 mulheres
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O banco de leite do HRAN atende mensalmente cerca de 700 mulheres

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Conheça a legislação

No Distrito Federal, algumas leis e decretos determinam que órgãos públicos devem disponibilizar salas de apoio à amamentação. A Lei nº 7.057/2022 tornou a instalação desses espaços obrigatória. Para complementar, o Decreto nº25.195/2023 regulamentou essa norma e estabeleceu os critérios de funcionamento.

O Governo do Distrito Federal (GDF) mantém outras políticas que garantem o direito à amamentação em espaços públicos e privados, como a Lei nº4.949/2012, que concede isenção de taxa de inscrição em concursos públicos para mulheres que doam leite materno.

Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), qualquer órgão público ou empresa pode solicitar apoio técnico para criar salas de amamentação. Capacitados pelo Ministério da Saúde, alguns tutores orientam no processo de implantação e supervisão do funcionamento.

Veja os órgãos públicos do Distrito Federal que dispõem de salas de amamentação:

Impactos da falta de estrutura

Para o pediatra Felipe Camilo Santiago Veloso, professor de medicina na Uniceplac, e ex-membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria do DF, a ausência de ambientes privativos traz consequências do âmbito emocional ao físico: “Do ponto de vista emocional, há estresse, ansiedade e insegurança. No físico, aumenta o risco de fissuras e estase mamária – condição em que o leite não é completamente esvaziado das mamas-” explica.

O médico detalha também que o processo desde a produção a “extração” do leite depende de três hormônios: adrenalina, prolactina – produz o leite, e ocitocina – promove a saída: “A adrenalina, liberada em situações de estresse, inibe esse processo. Sem um ambiente calmo e seguro, há queda na produção de leite e prejuízo na interação da mãe com bebê”.

Quando a mãe não consegue extrair o leite no momento certo, pode haver acúmulo de resíduos, de forma a causar dor e inchaço. “Se esse leite não for removido, haverá uma produção inflamatória local, com aumento do edema e da dor. Isso é chamado de mastite, o qual deve ser identificado e tratado com brevidade”, acrescenta o especialista.

 

Ambientes de improviso

Sem salas de apoio, muitas mães recorrem a banheiros ou locais improvisados para extração do leite. Além de desconforto, esses ambientes podem levar  à contaminação e perda do conteúdo. “A mãe precisa ter, à sua disposição, máscaras, gorros e uma cadeira confortável. Além disso, a sala de coleta precisa ser silenciosa e calma para que a produção e ejeção sejam máximas, com a produção de prolactina e ocitocina” reforça o pediatra.

A assistente pessoal Jéssica Menezes, 34 anos, mãe solo do Bernardo, hoje com 2 anos e 2 meses, conseguiu manter a amamentação até hoje, conciliando trabalho e maternidade graças à estrutura adequada no local onde atua.

Terceirizada no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), ela teve acesso a uma sala de apoio à amamentação acolhedora, equipada com lavatório, freezer para armazenamento, poltrona, potes esterilizados, climatizador, bomba manual e bolsa para transporte.

“Esse espaço foi fundamental para mim, oferecendo suporte em um momento tão delicado. Consegui exercer minha dupla jornada com excelência e manter a amamentação exclusiva até a introdução alimentar. O Cofen, inclusive, vai receber um selo do GDF como reconhecimento pela qualidade desse serviço”, relata.

Ela lembra que, em trabalhos anteriores no setor privado, nunca viu uma sala de amamentação e sequer conhece alguém que tenha esse recurso.

A empregada doméstica Daniela Alves da Silva, 37 anos, conheceu o banco de leite do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) logo após o nascimento da filha, Dandara, que hoje tem três meses. Com lesões nas mamas, pensou em desistir de amamentar, mas recebeu apoio da equipe: “Fui muito bem acolhida num momento que é muito sofrido para qualquer mãe, me ensinaram outras posições… também tive acompanhamento de fono para minha filha, avaliada com língua duvidosa. Graças a orientação delas não desisti de amamentar”

Conheça um pouco da rotina na sala de amamentação do HRAN:

Relatos como estes reforçam o propósito de campanhas como o Agosto Dourado, que, mais do que conscientizar, buscam estimular políticas públicas e, por consequência, ações concretas. O mês surgiu em 1990, em um encontro da OMS com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em que o documento Declaração Innocenti foi elaborado.

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