DF: professor da rede pública é acusado de assédio por 5 alunas

Segundo uma das vítimas, o docente alisava suas pernas e nuca, sempre dizendo: “Se você tivesse 18 anos, eu te pegaria”. PCDF investiga

Daniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 22/11/2019 10:54

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu inquérito para investigar cinco casos de assédio supostamente cometidos por um professor do Centro de Ensino Fundamental 3 (CEF 3) do Paranoá. As vítimas procuraram a direção da escola e registraram ocorrência policial. Todas são alunas do docente, que leciona geografia. As cinco estudantes têm 17 anos e narraram a investigadores da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) que os assédios ocorriam nos horários de aula e, à noite, pelas redes sociais.

Na tarde dessa quinta-feira (21/11/2019), uma equipe de policiais esteve na instituição de ensino para colher mais informações. A Secretaria de Educação também abriu procedimento interno na Corregedoria da pasta para apurar o caso administrativamente.

De acordo com as investigações, uma das estudantes relatou que os assédios aconteciam desde o início do ano. Apenas em 8 de novembro, o grupo de estudantes resolveu procurar a direção da escola para contar sobre as supostas investidas do docente.

Uma das adolescentes afirmou, em depoimento na delegacia, ter criado coragem de revelar o caso depois de conversar com um grupo de amigas – todas colegas de classe – e descobrir que elas também eram vítimas das investidas do professor. Algumas das garotas tiraram prints das telas dos celulares em que estão registradas conversas entre as alunas e o educador.

Nas caixas de mensagens privadas das estudantes haveria recados do professor pedindo fotografias delas em posições sensuais. Outra jovem contou à polícia que o docente investia fisicamente contra ela, alisando suas pernas e nuca, sempre dizendo: “Se você tivesse 18 anos, eu te pegaria”.

Ainda segundo o relato da adolescente, o professor costumava olhar para ela dentro de sala de aula e usar as mãos para fazer um símbolo que representa o órgão sexual feminino, em tom de insinuação. Outra aluna revelou que já havia sido convidada por ele para ir a um motel.

Constrangimento

Assustadas, após perceberem que todas tinham sido vítimas do mesmo educador, as alunas resolveram procurar a direção da escola. De acordo com elas, a instituição marcou uma reunião (ocorrida na noite de 12 de novembro) em uma das salas do colégio. No entanto, o professor descobriu sobre a mobilização das estudantes e invadiu o encontro, no qual as cinco meninas conversavam sobre o caso com uma supervisora da unidade.

Nos termos de declaração prestados na delegacia, as jovens contaram que o docente entrou na reunião com todos os alunos da classe, a fim de constrangê-las. Em depoimento, uma das estudantes afirmou que o professor permaneceu na ocasião, todo o tempo, “olhando de cara feia” para elas.

As adolescentes também afirmaram que, após procurarem a direção da escola, os responsáveis teriam afirmado que não poderiam afastar o professor de geografia no final do ano letivo, pois isso prejudicaria vários alunos. O Metrópoles procurou a Secretaria de Educação para falar sobre as denúncias. A pasta afirmou que foi instaurado procedimento interno para apurar o caso, mas não detalhou as providências.

Segundo a delegada-chefe da 6ª DP, Jane Klebia, algumas alunas ainda serão chamadas para prestar novos depoimentos e entregar imagens das conversas travadas com o docente pelas redes sociais. O professor e funcionários da escola também serão intimados a prestarem esclarecimentos.

“É um caso delicado que envolve vítimas menores de idade. Vamos apurar todas as circunstâncias e, se ao final do inquérito houver materialidade que confirme o assédio, o autor poderá ser indiciado. As investigações ainda estão em fase inicial”, explicou Jane Klebia. Devido aos trabalhos ainda estarem no começo, o nome do acusado será preservado.

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