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Distrito Federal

DF: estresse e perda de sangue causaram mortes de tigres do Zoo

Gêmeos Dandy e Maya morreram no intervalo de uma semana em Brasília. MPDFT investiga suposta negligência no tratamento dos animais

09/12/2019 11:56, atualizado 09/12/2019 16:14
Zoológico/Divulgação
DF: estresse e perda de sangue causaram mortes de tigres do Zoo

O laudo técnico divulgado pelo Zoológico de Brasília aponta perda de sangue e choque neurogênico causado por estresse agudo como a causa da morte dos tigres-brancos gêmeos Maya e Dandy, respectivamente.

No zoo da capital desde 2011, o tigre Dandy faleceu no dia 29 de setembro deste ano. Segundo o laudo, as análises são compatíveis com insuficiência respiratória aguda secundária a choque – causada, entre outras possibilidades, por estresse agudo.

“Quadros de choque são dificilmente revertidos e exigem tratamentos intensivos que dependeriam de manipulação constante do paciente, o que poderia exacerbar o quadro apresentado”, aponta o zoológico no relatório do obituário.

A idade avançada de Dandy, 10 anos, também poderia contribuir com o agravamento do quadro de saúde. A alteração do quadro clínico do tigre foi constatado durante coleta de sangue para transfusão à irmã, Maya.

No dia seguinte ao procedimento, o zoológico informou que o animal amanheceu apático, sem responder a estímulos. Mesmo com o atendimento dos médicos veterinários, Dandy veio a óbito.

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Maya

Uma semana após a a morte de Dandy, a tigresa Maya faleceu. Com a morte dos irmãos, o Zoo de Brasília não tem mais tigres-brancos. De acordo com o laudo, a fêmea morreu após um choque hipovolêmico, caracterizado por redução aguda no volume de sangue, plasma ou líquidos.

O animal teve complicações pós-operatórias desde a primeira cirurgia para a retirada do útero e dos ovários, após constatada uma infecção no útero.
Zoológico/Divulgação
A tigresa foi diagnosticada com uma infecção uterina

As demais cirurgias para reversão do quadro culminaram na retirada de parte do intestino da tigresa. Ela desenvolveu a síndrome do intestino curto, que também favoreceu a morte.

“A idade avançada do animal é outro fator que contribuiu para o quadro geral apresentado, visto que a resposta do organismo aos tratamentos torna-se menos efetiva. Assim, pode-se considerar que a causa da morte foi multifatorial, não sendo possível afirmar definitivamente qual foi mais significativo”, aponta o zoo.

Investigação

Em outubro, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) abriu inquérito para investigar a morte dos tigres-brancos do Zoológico de Brasília.

A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente (Prodema) aponta para uma “provável negligência no trato, atendimento, transferência de recintos e monitoramento dos animais que vieram a óbito na Fundação Jardim Zoológico de Brasília”.

O órgão quer investigar também a regularidade da gestão e da execução da política pública de proteção e cuidado de animais silvestres em cativeiro e semicativeiro, em especial os que se encontram sob a responsabilidade do Zoológico de Brasília.

O relatório obituário dos dois animais já foram encaminhados para análise por parte do Ministério Público, como parte do inquérito.

Confira o relatório:

Laudo de tigres by Metropoles on Scribd