DF: após passar por traqueostomia, mulher tem larvas em ferida e morre

Polícia Civil abre inquérito para apurar o caso. Paciente estava internada no Hospital de Base

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 28/05/2019 13:36

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu inquérito para apurar suposto caso de negligência envolvendo a morte de uma mulher de 64 anos que estava internada no Hospital de Base. Ela faleceu em 4 de abril deste ano, após serem encontradas larvas que saíam de uma ferida provocada em razão da traqueostomia.

A filha da paciente, uma jovem de 20 anos, foi ouvida na delegacia. Ela contou aos investigadores que a mãe havia sido internada em 27 de janeiro deste ano, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC).

No dia seguinte, devido a complicações respiratórias, a mulher foi entubada. Em 26 de março, foi submetida a uma traqueostomia, sendo colocada uma fita de sustentação em volta do pescoço da paciente. Segundo relatos da filha aos policiais, houve demora na troca da fita de sustentação. A proteção teria sido trocada apenas em duas oportunidades, em 29 de março e, depois, em 2 de abril.

Ainda conforme o depoimento da moça, na última ocasião em que o curativo foi trocado, havia muita sujeira e mau cheiro saindo da ferida provocada pela traqueostomia. Quando a enfermeira iniciou a troca da fita de sustentação, várias larvas começaram a rastejar pelo rosto da paciente. Dias dias depois, a mulher não resistiu.

Veja vídeo:

Após a abertura do inquérito, a PCDF enviou ofício ao Hospital de Base solicitando o nome de todos os profissionais que atenderam a mulher. Cada um deles será intimado a prestar depoimento.

Os investigadores também requisitaram o prontuário da paciente, para que seja analisado por legistas do Instituto Médico Legal. O inquérito irá apurar se houve negligência por parte dos envolvidos.

A reportagem entrou em contato com a filha da mulher. No entanto, como ela não havia retornado os telefonemas e as mensagens enviadas, o Metrópoles optou por preservar a identidade das duas.

Outro lado
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde (SES) informou que “a paciente chegou ao Instituto Hospital de Base com histórico de duas incidências de AVCs e escara sacral avançada (feridas na região sacral)”.

Ainda de acordo com a pasta, a mulher aguardava leito na unidade de terapia intensiva (UTI). “A suspeita de miíase (afecção parasitária) não foi confirmada na paciente, que foi devidamente avaliada por um médico cirurgião”, afirmou.

Segundo a SES, a mulher morreu devido à gravidade dos AVCs e da pneumonia adquirida por ventilação mecânica prolongada em decorrência do quadro neurológico. “Quanto à fita, é prevista a possibilidade de ficar durante semanas sem ser trocada, pois o material é próprio para isso, ou seja, a troca não é feita diariamente”, assegurou a secretaria.

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