No DF, 193 parentes de desaparecidos doaram DNA para ajudar em buscas

Ministério da Justiça lançou ação para coletar material genético de pessoas não identificadas, que estão em hospitais ou clínicas

atualizado 24/03/2022 15:03

Arte Yanka Romão/Metrópoles

No Distrito Federal, 193 familiares de pessoas desaparecidas forneceram material genético para a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A intenção é auxiliar nas buscas pelos sumidos e reconhecimento deles. Em média, a Polícia Civil do DF registra cinco casos de desaparecidos por dia. O dado consta no último levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública e corresponde ao período de janeiro a dezembro de 2021.

Os materiais genéticos do DF correspondem a 3,17% do total de 6.087 disponíveis na rede. A fim de cruzar dados e tentar identificar pessoas desconhecidas internadas em hospitais ou abrigadas em clínicas, o ministério lançou a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Pessoas Vivas Sem Identificação.

As equipes das unidades nas quais estão essas pessoas não-identificadas poderão entrar em contato com as equipes do projeto de cada estado e solicitar a coleta do DNA.

“Essas pessoas têm grande potencial de serem desaparecidas e procuradas por familiares e conhecidos, mas são incapazes de retomarem o contato por si mesmas”, explica o secretário Nacional de Segurança Pública, Renato Paim, pasta que está a frente da ação.

A campanha está prevista para terminar em agosto deste ano. No entanto, mesmo após o fim da ação, o serviço continuará.

Saiba como é feita a coleta

A coleta é feita de forma voluntária. Antes, a pessoa terá de assinar um termo de consentimento para, em seguida, os profissionais dos órgãos de perícia oficial dos estados e DF recolherem o material. É necessário que a instituição entre em contato com a equipe responsável pela campanha a fim de agendar o atendimento.

As pessoas também podem ser encaminhadas aos pontos de coleta, disponíveis no site da campanha. Na capital federal, o Instituto Nacional de Criminalística, localizado na Asa Sul, que é responsável pelo atendimento.

O procedimento para recolher o DNA de crianças e adolescentes requer autorização judicial. Neste caso, é preciso procurar o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) a fim de emitir o documento.

Pessoas desaparecidas

De acordo com o estudo da Secretaria de Segurança Pública do DF, é comum o sumiço de adultos devido ao uso de drogas. Há, ainda, os casos conhecidos como “involuntários”, que ocorrem a vítimas de crimes com restrição de liberdade, homicídios, acidentes e crise psiquiátrica. Com relação aos adolescentes, o principal motivo é a fuga devido a conflitos familiares, violência doméstica e uso de entorpecentes.

Outro fato observado pelas autoridades foi o desaparecimento reincidente. No último ano, cinco adolescentes de 12 a 17 anos fugiram da casa dos pais três vezes. Outros 20 menores deixaram o lar duas vezes.

Das 2.042 pessoas desaparecidas em 2021, 1.732 foram localizadas entre janeiro de 2021 e 23 de fevereiro de 2022, ou seja 84,8% do total. Ainda há 15,2% desaparecidas.

A região de Ceilândia é líder em ocorrências. No ano passado, foram 284 casos. A segunda posição ficou com Taguatinga (174), seguida de Samambaia (154), Planaltina (145) e Recanto das Emas (129).
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