Delegado preso com plantação de maconha é exonerado da Comissão Permanente Disciplinar da PCDF

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta sexta-feira (11/12). Fábio Santos de Souza assume o cargo

atualizado 11/12/2020 9:00

Plantação de maconha de delegadoMaterial cedido ao Metrópoles

O delegado Marcelo Marinho de Noronha, flagrado com grande plantação de maconha em lote situado na Região Administrativa São Sebastião, foi exonerado do cargo que ocupava na Comissão Permanente Disciplinar da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta sexta-feira (11/12).

A prisão de Marcelo Marinho ocorreu em 4 de dezembro, após ação coordenada pela Corregedoria-Geral da corporação. A exoneração do policial foi publicada no Diário Oficial do DF (DODF).

Fábio Santos de Souza assume o lugar de Marcelo na Comissão Permanente Disciplinar da PCDF.

No último sábado (5/12), o delegado-geral da PCDF, Robson Cândido, havia pedido a exoneração de Marcelo.

Veja a publicação no DODF:

O policial exonerado pertencia à 1ª classe. Ele já atuou na 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul). Marcelo Marinho será indiciado por tráfico e associação para o tráfico. Se condenado, pode pegar pena de até 15 anos.

Conforme revelou o Metrópoles, o delegado foi flagrado com diversas espécies de sementes e mudas, além de plantas já desenvolvidas, em um lote no Distrito Federal. Além de Noronha, foram presos a esposa e dois filhos dele, identificados como Teresa Cristina Cavalcante Lopes, Marcos Rubenich Marinho de Noronha e Ana Flavia Rubenich Marinho de Noronha, respectivamente.

Em audiência de custódia, o juiz do Núcleo de Audiências de Custódia (NAC) Evandro Moreira da Silva converteu em preventiva a prisão em flagrante do delegado. A família também permanece detida.

Investigações apontam que eles atuavam com sementes internacionais, de forma especializada. O espaço contava com estrutura de iluminação e estufa para condicionamento do entorpecente.

Procurada pelo Metrópoles, a corporação confirmou a ação e disse que a Corregedoria-Geral de Polícia Civil tem total autonomia para trabalhar.

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O outro lado

Advogado da família, Cleber Lopes disse que a plantação era para consumo próprio e faz parte de um projeto do delegado para desenvolver tecnologia referente à produção do canabidiol (substância derivada da maconha) para uso terapêutico. A defesa refuta a ligação com crime: “A polícia não reuniu nenhum elemento externo que pudesse relevar tráfico”.

Lopes pontuou que “não tem nenhum laudo nos autos dizendo que a quantidade de planta seria capaz de produzir determinada quantidade de entorpecente para consumo”. “Não há nenhuma informação de que eles se dedicassem ao tráfico de entorpecente. O Marcelo é delegado de polícia de classe especial, já foi diretor de presídio. Ele tem receita recebida nos Estados Unidos para uso da cannabis com finalidade terapêutica e achou melhor produzir do que comprar”, afirmou.

Segundo o advogado, o delegado tinha propósito de desenvolver tecnologia a fim de produzir o canabidiol para tratamento contra doenças. “É uma realidade mundial, e os juízes no Brasil já estão deferindo liminares para que pessoas façam uso do canabidiol. Ele enxergou nisso uma possibilidade interessante, passou a estudar o assunto, viajou para os EUA várias vezes, participou de congresso sobre o tema. O Marcelo chegou a fazer minuta de contrato social de empresa e estava procurando uma forma de regularizar isso na Anvisa para poder fazer pesquisa. Errou em começar antes da autorização”, assinalou Lopes.

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