Defesa Civil interdita espaço, e projeto social é desalojado no DF

Secretaria pediu à Defesa Civil interdição de espaço onde ocorre oficina gratuita. Porém, estruturas de risco no mesmo local seguem abertas

atualizado

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Ateliê Gravura em Foco/Reprodução
Foto colorida de ateliê gravura em foco
1 de 1 Foto colorida de ateliê gravura em foco - Foto: Ateliê Gravura em Foco/Reprodução

Alunos e professores do projeto social Gravura em Foco estão apreensivos diante da possível extinção do curso, oferecido gratuitamente à população no Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante.

Isso porque, recentemente, os responsáveis pelo grupo receberam da Defesa Civil uma notificação de interdição do imóvel usado para as atividades da oficina. Contudo, participantes da iniciativa criticam a manutenção de espaços em piores condições estruturais abertos no mesmo museu.

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Espaço foi interditado pela Defesa Civil
Alunos e professores em frente à Casa Laranja do ateliê Gravura em Foco
Casa Amarela, em estado precário, onde ocorre oficina de crochê no lacre
Espaço tem diversos pontos estruturais comprometidos
Casa Azul, também em estado crítico, onde há uma exposição permanente
Casa Laranja, onde funcionava a oficina de gravura
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Casa Laranja, onde funcionava a oficina de gravura

Isabella Wagner/Metrópoles
Espaço foi interditado pela Defesa Civil
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Espaço foi interditado pela Defesa Civil

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Alunos e professores em frente à Casa Laranja do ateliê Gravura em Foco
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Alunos e professores em frente à Casa Laranja do ateliê Gravura em Foco

Ateliê Gravura em Foco/Reprodução
Casa Amarela, em estado precário, onde ocorre oficina de crochê no lacre
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Casa Amarela, em estado precário, onde ocorre oficina de crochê no lacre

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Espaço tem diversos pontos estruturais comprometidos
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Espaço tem diversos pontos estruturais comprometidos

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Casa Azul, também em estado crítico, onde há uma exposição permanente
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Casa Azul, também em estado crítico, onde há uma exposição permanente

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Detalhes da estrutura da Casa Azul
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Detalhes da estrutura da Casa Azul

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Portas da Casa Azul
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Portas da Casa Azul

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O documento também orienta quanto à saída imediata dos participantes e funcionários, bem como à retirada dos materiais disponíveis no espaço. A ordem de interdição partiu da Defesa Civil, com base em um laudo emitido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec).

O despacho ainda menciona a necessidade de uma reforma no local e exige o recolhimento dos materiais da oficina, pois a Casa Laranja – onde ocorrem as atividades – corre risco de desabamento, em virtude do comprometimento de uma viga de sustentação e do abalo da estrutura do teto.

Ainda assim, não houve oferta ou direcionamento das atividades para outro local, o que fez os organizadores do projeto social exigirem um novo espaço para os trabalhos. Assim, as atividades da oficina estão suspensas por tempo indeterminado desde 18 de junho, data de assinatura da ordem de interdição.

Estruturas em situação crítica

Metrópoles esteve no local para conferir as estruturas. Por um lado, a reportagem encontrou outras casas do museu em condições de uso, mas sem projetos em andamento; por outro, verificou que duas estruturas em condições precárias – a Casa Azul e a Casa Amarela – contam com atividades: uma exposição permanente e uma oficina de crochê com lacre.

Representantes do projeto Gravura em Foco acreditam que o encerramento forçado da iniciativa teria relação com reclamações feitas pelo grupo sobre a Gerência do Museu Vivo da Memória Candanga à ouvidoria do espaço. Eles acusam o setor de coação de professoras da oficina.

Em resposta, a Coordenação de Museu e Patrimônio (CMP) da Secec convocou uma reunião geral, e a pasta comunicou que apura a situação.

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Exposição de gravuras produzidas pelos participantes
Projeto Gravura em Foco
Oficinas ocorriam no Museu Vivo da Memória Candanga
Contudo, participantes acabaram desalojados
Atividades eram oferecidas de forma gratuita
Alunos e professores na oficina Gravura em Foco
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Alunos e professores na oficina Gravura em Foco

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Exposição de gravuras produzidas pelos participantes
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Exposição de gravuras produzidas pelos participantes

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Projeto Gravura em Foco
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Projeto Gravura em Foco

Talita Castellar/Reprodução
Oficinas ocorriam no Museu Vivo da Memória Candanga
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Oficinas ocorriam no Museu Vivo da Memória Candanga

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Contudo, participantes acabaram desalojados
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Contudo, participantes acabaram desalojados

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Atividades eram oferecidas de forma gratuita
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Atividades eram oferecidas de forma gratuita

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Gravuras produzidas pelos participantes
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Gravuras produzidas pelos participantes

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Criadores das obras podiam receber pela venda delas em exposições
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Criadores das obras podiam receber pela venda delas em exposições

Ateliê Gravura em Foco/Reprodução
Oficina de gravura
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Oficina de gravura

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Atividades contavam com voluntários
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Atividades contavam com voluntários

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Oficina Gravura em Foco
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Oficina Gravura em Foco

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Participantes estão sem local para dar continuidade às atividades
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Participantes estão sem local para dar continuidade às atividades

Ateliê Gravura em Foco/Reprodução
Vendas revertidas aos artistas

A oficina Gravura em Foco desenvolvia atividades há 15 anos no mesmo local, de forma gratuita e com participantes de diversos locais do Distrito Federal. O público, geralmente maior de idade, tinha aulas sobre técnicas em metal, madeira (xilogravura) e serigrafia.

As aulas e os materiais eram oferecidos livremente, das 9h às 17h, e mantidos por meio de contribuições financeiras simbólicas e não obrigatórias, para manutenção dos equipamentos. O grupo também promovia exposições, recebia visitas escolares e fazia varais de vendas – com valores revertidos aos criadores das obras.

Inclusive, por se tratar de um projeto sem cobrança de valores, muitas pessoas em situação de vulnerabilidade buscavam a iniciativa como uma forma de refúgio e lazer. E, com o tempo e a experiência adquirida, os participantes mais antigos se tornavam monitores dos novos inscritos.

Estudante de design na Universidade de Brasília (UnB), Fernando Pedra, 23 anos, é um deles. Junto a cerca de outro 30 participantes, ele frequentava as aulas da oficina todas as quartas e sextas-feiras, às 9h ou às 17h.

Para ele, a continuidade das atividades promove o desenvolvimento cultural do Distrito Federal. “A oficina abre muitas portas. Há alunos que chegam sem qualquer conhecimento e, depois, tornam-se expoentes da arte”, destacou.

A professora aposentada Zelma de Carvalho, 77, integra o projeto social há sete anos e disse estar indignada com a falta de viabilidade para continuação das atividades. “[Os organizadores] são pessoas muito dedicadas, que fazem isso por amor à arte. É uma injustiça quererem destruir um trabalho que é a alma do museu”, criticou.
Cobrança de respostas

A produção do ateliê Gravura em Foco também se dá na forma de pesquisa e produção, segundo o Instituto de Artes da Universidade de Brasília (IDA-UnB), cujos professores publicaram uma carta aberta em repúdio à extinção da oficina.

“Apelamos à Secretaria de Cultura do Distrito Federal a continuidade das atividades desse grupo, que, junto aos de extensão da UnB, produzem, divulgam e valorizam a produção gráfica da cidade”, enfatizou o texto.

Os alunos e organizadores do Gravura em Foco procuraram a Secec e elaboraram um pedido de realocação temporária, mas não tiveram resposta. O grupo também recorreu à Câmara Legislativa (CLDF), e o deputado Fábio Felix (Psol) emitiu uma solicitação de reconsideração da decisão, sob argumento de que a cobrança da saída imediata não teve aviso prévio.

Além disso, o distrital destacou que o encerramento das atividades comprometeria um projeto consolidado e cobrou uma resposta da Secec até a próxima quinta-feira (24/7).

Procurada pela reportagem, a pasta informou que “o cancelamento da autorização [para realização] da oficina Gravura em Foco se deu por questões administrativas e por orientação da Defesa Civil”.

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