Criminoso aplica golpe da pomada milagrosa e dá prejuízo a idoso do DF
Parte do prejuízo, de mais de R$ 33 mil, deve ser recuperada graças a uma decisão judicial
atualizado
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Acabar com as dores de um idoso com um passe de mágica. Essa era a promessa de um estelionatário ao abordar um senhor de 80 anos na saída de um banco, na Asa Sul. Aproveitando a idade e a condição da vítima, o criminoso trocou os cartões de crédito da vítima por imagens de santos e reteve seus documentos pessoais e senhas. A partir daí, começou a fazer compras, usar o crédito rotativo e até pegar empréstimo consignado em nome da vítima.
A Defensoria Pública foi acionada pela Central do Idoso e já conseguiu reverter parte do dano, calculado em mais de R$ 33 mil. O caso ocorreu em dezembro de 2015. Geraldo Gonçalves Otoni, que usa bengala, foi abordado por uma pessoa que disse conhecer uma pomada milagrosa feita por um espírita. Otoni ficou curioso para ter o “medicamento” e se livrar das dores. Pediu então ao rapaz que o abordou para que o levasse até o local.
Ao chegar ao trajeto, um homem pediu para que Otoni se sentasse para ser “atendido”. “Ele me mostrou uma imagem grande de Nossa Senhora Aparecida e perguntou se eu acreditava em Deus e eu respondi que sim. Ele começou a contar coisas da minha vida que me surpreendeu. Sabia que minha mulher está doente, que não anda nem fala. Faz uns 18 anos que ela se encontra nesta situação. Como é que esse camarada sabe disso tudo? Pegou meu psicológico. Ele disse que eu precisava ser bento. Que uma mulher tinha feito uns trabalhos pra mim”, conta.Para “desfazer a macumba”, o rapaz pegou os cartões de Otoni para benzer. Em seguida, pediu para que o idoso posicionasse a mão sobre o papel, desenhou a mão dele na folha, colocou os cartões embaixo, falou algumas coisas e mostrou novamente a imagem de Nossa Senhora. Depois, o homem embrulhou os cartões no papel e passou fita adesiva. “Quando abri, vi que no pacote tinha três cartões religiosos e o rapaz ficou com os meus”, lamenta o senhor.
Ao notar que não estava com os cartões bancários, Otoni foi à delegacia e acionou o banco para suspender os serviços. “O banco indeferiu meu pedido dizendo que eu facilitei as senhas. Tenho um cartão que carrego a senha junto com os outros cartões. São seis números, não guardo de cabeça. Minha idade não permite decorar. Além dos números ainda tem as letrinhas. Ele pegou tudo com facilidade”.
O estelionatário fez um empréstimo consignado no valor de R$ 22,5 mil e gastou R$ 8,9 mil do crédito, além de usar R$ 2 mil do cheque especial. Isso significa que o prejuízo foi maior que R$ 33 mil. O “estrago” foi feito no cartão de Geraldo e da esposa dele. “Minha mulher tem Alzheimer e Parkinson. Eu cuido das contas dela.”
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) aceitou a ação da Defensoria Pública para que fosse invalidado o empréstimo realizado. Os demais pedidos do processo estão em análise.
De acordo com o defensor Ricardo Ribeiro Batista, quem passar por uma situação parecida deve procurar imediatamente uma delegacia para registrar ocorrência e depois procurar o auxílio da Defensoria Pública para entrar com pedido de indenização. “Neste caso, conseguimos comprovar por meio de imagens do caixa eletrônico que as transações e saques foram realizados por terceiros”, explica. (Com informações da Defensoria Pública do DF)
