Covid-19: Saúde do DF compra testes rápidos que variam de R$ 70 a R$ 180

Informação obtida pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI) aponta diferença de preços que chega a 154%.

atualizado 26/06/2020 10:22

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal pagou cinco preços diferentes nas compras de testes para diagnóstico do novo coronavírus. A diferença de valores entre a unidade mais barata e a mais cara chega a 154%.

Segundo consulta feita pela Lei de Acesso à Informação (LAI), a qual o Metrópoles teve acesso, os valores unitários dos lotes comprados para a testagem em massa foram de R$ 73,00, R$ 139,90, R$ 159,00, R$ 180,00 a R$ 186,00.

No total, a pasta desembolsou R$ 31.353.000,00 para a aquisição de 237 mil exames. No caso do lote com valor unitário de R$ 73, foram adquiridas 50 mil unidades, sendo pagos R$ 3.650.000,00.

No lote com preço de R$ 139, a SES-DF desembolsou 120 mil unidades, com dispêndio total de R$ 20.985.000,00. O lote de R$ 159,00 contemplou a aquisição de 5 mil testes ao preço de R$ 795.000,00.

Com relação ao lote de R$ 180, o DF comprou 20 mil testes, pagando a soma de R$ 3.600.000,00. Por fim, a secretaria comprou 12 mil unidades a R$ 186 e gastou, no total, R$ 2.232.000,00.

Tabela
Secretaria de Saúde do DF comprou cinco lotes de testes para testagem em massa com diferença de 154% nos preços unitários

A consulta feita pela LAI buscou mais detalhes sobre as compras, como quais são os tipos e as marcas dos testes, mas a pasta encaminhou essa demanda para outro setor.

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Estoque zerado

Segundo a Sala de Situação da Secretaria de Saúde, na manhã dessa quinta-feira (25/06), os estoques de quatro insumos para testagem estavam zerados. De acordo com a Sala de Situação, a rede pública possui 59.563 testes rápidos armazenados.

Tabela
Os estoques de quatro insumos para testagem de diagnóstico de Covid-19 estavam zerados

O presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico), Gutemberg Fialho, diz estranhar tanta diferença nos valores. “Qual é a justificativa para tamanha variação? Por que não deram detalhes sobre os lotes?”, questionou.

Outro lado

O Metrópoles perguntou para a Secretária de Saúde qual é a explicação para a variação dos preços unitários dos testes comprados para a testagem em massa. No entanto, a pasta não respondeu.

No texto enviado à reportagem, salientou que segue as orientações do Ministério da Saúde para aquisição de testes rápidos, comprando somente exames com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a pasta, há estoques de insumos para a realização dos testes moleculares. Neste sentindo, estão em curso compras e o DF recebe apoio do Ministério da Saúde.

 

 

 

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