Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Corretor que passou a perna em juízes faz nova vítima em condomínio de luxo

Uma produtora de eventos do DF alega ter sofrido golpe de R$ 12 mil após tentar alugar uma casa no Setor de Clubes Sul para a filha

29/10/2026 14:31
Reprodução
Corretor que passou a perna em juízes faz nova vítima em condomínio de luxo

O corretor imobiliário Victor Rodrigues de Menezes, de 28 anos, apontado anteriormente como cabeça de uma quadrilha especializada em aplicar golpes em juízes recém-empossados, segue na ativa e acumula novas acusações de vítimas que tentam recuperar os valores perdidos.

Entre os novos casos está o de uma produtora cultural brasiliense, de 63 anos, que preferiu não se identificar. Em setembro deste ano, a vítima diz ter sido atraída por anúncios na internet, incluindo plataformas on-line de vendas imóveis onde ela buscou um imóvel para a filha no condomínio Brisas do Lago, no Setor de Clubes Sul, e entrou em contato com Victor.

Inicialmente, a negociação previa uma estadia curta de uma semana para que a jovem conhecesse o local. Após o envio de documentos e pagamentos, contudo, a filha da vítima sequer conseguiu entrar no condomínio porque seu nome não constava na autorização da portaria.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Apesar do problema, foi combinada uma locação de um ano utilizando os valores já repassados. No total, a produtora de eventos transferiu R$ 12 mil, divididos em duas parcelas de R$ 600  e uma de R$ 10,8 mil. No entanto, a moradia nunca foi liberada.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

“Eu havia entregue o dinheiro para garantir a moradia, mas continuava sem uma solução. Sempre que ela tentava se mudar, surgia uma justificativa diferente”, relatou a vítima.

Diante do impasse, a vítima registrou ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) em 30 de setembro deste ano. Embora tenha firmado um acordo de confissão de dívida em outubro reconhecendo um débito de R$ 16, 2 mil, nenhum valor foi devolvido até o momento. O caso também segue na Justiça, e a defesa da produtora chegou a pedir pela prisão preventiva do corretor.

“Quero recuperar o dinheiro que entreguei e obter uma resposta das autoridades. Também  considero importante que outras pessoas tenham acesso a essas informações e possam reconhecer situações semelhantes”, desabafou a vítima.

Golpe em casal

O corretor imobiliário também em outubro de 2024 foi acusado de dar golpe em um casal de moradores do Gama (DF). Eles alegam terem transferido R$ 21 mil como caução para a locação de um imóvel na Ponte Alta Norte, no Gama, mas o investigado teria se apropriado indevidamente da quantia sem entregar a residência.

Ao tomarem conhecimento do bloqueio de R$ 266 mil determinado pela Justiça na Operação Delusio, o casal pediu o ressarcimento direto de seus prejuízos usando esses valores retidos.

Dois anos após o acontecimento, o casal segue na justiça em busca de receber o dinheiro que eles entendem ter o direito de receber de volta. Uma audiência de conciliação foi marcada nesta quarta-feira (21/10) para tentar se chegar em um acordo extrajudicial.

Victor também chegou a ser condenado a devolver mais de R$ 30 mil para uma cliente e o caso foi arquivado após a Justiça realizar a penhora de um dos seus bens.

Mais sobre a Operação Delusio

Victor Rodrigues de Menezes foi o principal alvo da Operação Delusio, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em setembro de 2024 por suspeita de liderar quadrilha especializada em aplicar golpes no mercado imobiliário de luxo em Brasília. O caso foi revelado pelo Metrópoles na época.

As investigações revelaram que Victor se passou por corretor de imóveis de alto padrão da capital federal para enganar diversos juízes recém-empossados no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O alvo da operação usava uma empresa de fachada para enganar as vítimas.

Com um modus operandi sofisticado, segundo a PCDF, ele se passava uma imagem de seriedade e confiança às vítimas, além de manter páginas “oficiais” na internet, com uso intenso das mídias sociais para dar ao público uma sensação de que os negócios eram legítimos.

A operação da PCDF revelou que o “corretor” e o cúmplice dele, um homem de 25 anos que não teve a identidade divulgada, aplicaram o golpe em ao menos 23 juízes que estavam à procura de imóveis para alugar durante o Curso de Formação Inicial da Magistratura do Trabalho.

O prejuízo estimado para as vítimas chega a R$ 135 mil. Durante a operação, a PCDF cumpriu mandados de busca e apreensão nas regiões administrativas do Gama (DF) e do Lago Sul (DF). A corporação também pediu o bloqueio de R$ 266 mil dos investigados, para garantir o ressarcimento dos juízes.

Apesar das denúncias contra ele, Victor Rodrigues de Menezes segue com seu registro como corretor imobiliário ativo no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI-DF) e atuando por meio da sua empresa VM Inteligência Imobiliária.

O outro lado

Em contato com a reportagem, Victor disse que não houve qualquer tentativa de golpe ou intenção de causar prejuízo e afirmou estar em contato com a produtora cultural para resolver a situação.

“O que ocorreu foi um desarranjo relacionado ao cumprimento do acordo/contrato, que acabou gerando um atraso no pagamento, e estou buscando regularizar essa situação da forma mais tranquila e transparente possível. Inclusive, já estamos conversando para estabelecer uma forma de pagamento que permita a quitação do valor devido”, afirmou Victor.