Coronavírus: blitz flagra falta de EPIs e servidores no Hran

Segundo órgãos de fiscalização, faltam máscaras e itens de proteção. Secretaria de Saúde nega desabastecimento do hospital

atualizado 14/04/2020 10:55

Desinfecção HranRafaela Felicciano/Metrópoles

Uma blitz de fiscalização formada por diversos órgãos, conselhos e sindicato flagrou falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e déficit de pessoal no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), unidade de referência no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus na capital do país.

Uma das integrantes do grupo foi a presidente da Comissão de Direito à Saúde da seccional do DF Ordem do Advogados do Brasil (OAB-DF), Alexandra Moreschi. Segundo ela, o hospital sofre com falta de macacões e máscaras N95. Os equipamentos são necessários para o tratamento seguro de pacientes com Covid-19.

Sem esses itens, médicos e enfermeiros estão sujeitos a contaminação. “O Hran está vivendo de doações. A última remessa foi em janeiro deste ano”, alertou. E, segundo Moreschia, a qualidade dos EPIs vistos deixou a desejar.

Para a advogada, falta transparência na estratégia de abastecimento da unidade. “Só a OAB enviou quatro ofícios para a Secretaria de Saúde e não tivemos respostas”, pontuou. Não há cronograma e nem informação dos estoques centrais da secretaria.

A blitz foi realizada em 6 de abril. De acordo com a representante da OAB, o Hran recebe pacientes queimados sem o devido local de acolhimento separado dos casos de Covid-19. Ou seja, há risco de contaminação. “E, no Box da Emergência, estão sendo tratados pacientes entubados, quando na verdade deveriam estar na UTI”, completou.

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF), Marcos Wesley, o hospital apresenta déficit de pessoal de aproximadamente 30% na UTI e na Emergência.

“Também é assustadora a falta de climatização. Chega a ser desumana. Deteriora os EPIs, aumenta o estresse dos servidores e favorece a proliferação de micro-organismos, como vírus e bactérias”, disparou. O problema atinge até mesmo as UTIs.

Para o representante do Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF), Leonel Rossetti, o paciente de Covid-19 demanda maior atenção dos médicos e servidores. Por isso, os EPIs são prioritários.

Fiscalização

“Vamos voltar ao Hran dentro dos próximos dias. Se a gente não ficar em cima, as coisas não andam. É preciso trazer segurança para os pacientes e para os profissionais”, destacou Rossetti.

Segundo o conselheiro do CRM Cristofer Martins, a crise do coronavírus deixou mais evidentes os graves problemas da rede pública de Saúde do DF. “Nossa dúvida é o estoque futuro”, resumiu.

O CRM prepara a definição de protocolo de atendimento para infectados pelo novo coronavírus, caso as equipes não tenham os EPIs. “A situação é muito preocupante”, concluiu.

Também participaram da fiscalização, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa e o Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfermeiro-DF).

Além de cobrar melhorias no Hran, a força-tarefa fará novas blitzes em outros hospitais da rede pública.

O que diz a secretaria

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, as recomendações do relatório serão atendidas. Mas a pasta negou a falta dos EPIs.

“É importante ressaltar que não há falta de EPIs, a distribuição foi modificada para que, neste momento, não haja desperdício nas unidades e seu uso seja o mais consciente possível para que não falte a nenhum profissional de saúde”, informou a pasta, por meio de nota.

 

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