Coronavírus: 35% dos servidores das escolas do DF estão no grupo de risco

Pesquisa feita pelo GDF é fundamental no planejamento para que professores e outros funcionários voltem aos colégios em segurança

atualizado 09/05/2020 11:37

Aviso no CEF 01 do Riacho Fundo 2: sem aulas por causa do coronavírusMyke Sena/Especial para o Metrópoles

Três em cada 10 da servidores da Secretaria de Educação do Distrito Federal que trabalham em escolas públicas integram o chamado grupo de risco do novo coronavírus.

Os colégios contam com 42.050 profissionais efetivos e temporários e, segundo estimativa da pasta, 15 mil têm mais de 60 anos ou são portadores de comorbidades como hipertensão e diabetes, doenças que podem agravar o quadro de pacientes Covid-19. Ou seja, 35% daqueles que atuam na ponta da rede pública são vulneráveis à enfermidade que infectou 2.242 e matou 36 pessoas na capital do país.

Os números fazem parte de uma pesquisa aplicada pela pasta a fim de criar políticas de prevenção para essa parcela de funcionários, como explica o secretário de Educação, João Pedro Ferraz.

“Nós, da secretaria, somos soldados. Os alunos são os civis e temos de protegê-los e, agora, temos de cuidar da tropa, que são os docentes. Os professores do grupo de risco serão remanejados para outras atividades, incluindo no ensino a distância (EAD)”, pontuou Ferraz.

Embora não esteja definido quando as aulas presenciais serão retomadas, o chefe da pasta diz já estudar alternativas  a fim de assistir estudantes com doenças preexistentes.

Inicialmente, crianças e adolescentes com comorbidades não voltariam a frequentar os estabelecimentos educacionais. Uma das sugestões analisadas é que eles cumpram a carga horária por meio de ensino on-line e tenham constante acompanhamento psicológico.

EAD valendo como hora aula

A fim de minimizar o risco de contágio por Covid-19, o GDF já decidiu que, quando as atividades presenciais voltarem, a quantidade de alunos em sala será reduzida. A medida visa manter a distância de segurança sanitária de 1,5 metro recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Como a rede não dispõe de espaço físico suficiente para seguir à risca a orientação, a pasta decidiu adotar o sistema de turmas alternadas. Enquanto metade dos alunos estiver em sala, a outra estará em casa, estudando via EAD, internet ou televisão. Nesse caso, as teleaulas passarão a contar como horas de aula.

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“Temos os meios para validar o EAD junto ao Conselho de Educação e estamos analisando como será feito o acompanhamento. No caso do aplicativo, por exemplo, o QR Code pode ser uma ferramenta”, comentou o secretário. Neste sentido, a pasta estuda ampliar o número de teleaulas e horas de transmissão pela televisão.

Ferraz reconhece que a estratégia não atingirá todos os matriculados em colégios do governo, especialmente os mais carentes. “Precisamos entender que estamos em uma situação de perda pedagógica nesta crise. Então, não dá para atingir a excelência, mas vamos fazer o máximo”, prometeu.

No caso de alunos sem conexão com a internet ou que não tenham TV em casa, uma alternativa avaliada é o envio de material pedagógico à residência deles.

O Metrópoles entrou contato com o Sindicato dos Professores (Sinpro), mas a entidade não quis comentar as propostas da Secretaria de Educação antes de o GDF cravar uma data para o retorno das aulas.

Apreensão

Segundo o presidente da Associação de Pais e Alunos do DF (Aspa), Alexandre Veloso, o clima entre os pais é de apreensão.

“Não houve preparo e estamos sendo pegos de surpresa. Como ficará o controle de frequência? Como o professor vai saber se é o aluno que está do outro lado da tela? E a acessibilidade? Como ficam surdos e os autistas, por exemplo? Precisamos de respostas para todas essas questões”.

No entendimento do presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), Álvaro Domingues, as escolas particulares têm condições de retomar as aulas presenciais a partir de junho e, por isso, diz ter recebido com surpresa as conversas que sugerem o retorno apenas em agosto.

Enem

Com cerca de 80 mil estudantes na rede pública no ensino médio – na particular são 30 mil – a Secretaria de Educação defende que o governo federal adie o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Já não temos isonomia entre os candidatos. O ideal seria o adiamento, mas, se ocorrer, vamos reforçar o conteúdo específico e implementar formas de compensar as perdas neste período”, destaca Ferraz, que encerrou a entrevista ao Metrópoles confiando que ainda há salvação para o ano letivo de 2020. “Podemos suspender as férias em 2021 e fechar os dois anos juntos”, sugeriu.

A aluna Isadora Barbieri Branquinho de Oliveira, de 17 anos, defende a suspensão do Enem, pois sente que a preparação para o exame ficou prejudicada com ensino EAD. “Já começo a perceber algumas falhas no aprendizado por conta desse novo método. O rendimento é menor e isso me dá insegurança para realizar uma prova tão importante”.

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