Conheça os quatro suspeitos acusados de incentivar jovem a tirar a própria vida
Os suspeitos foram detidos nessa quarta-feira (29/9) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF)
atualizado
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Presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nessa quarta-feira (29/9), dois moradores de São Paulo, um do Rio de Janeiro e outro de Goiás são suspeitos de fazer instigação ao suicídio.
Duas jovens, que residiam no Paranoá, morreram após ingerir substância química indicada pelo grupo. O Metrópoles apurou que Bruno Yudi Oshiro, Danilo Krauss Gonçalves, Ruy Carlos Afonso e Gilberto Denis de Jesus residem na capital paulista, no município de São Roque (SP), Goiás e Rio de Janeiro, respectivamente. Todos são investigados pelo crime.
Oshiro é empresário e dono de uma produtora audiovisual. A microempresa, com capital social de R$ 20 mil, fornece serviços de sonorização e de iluminação, produção musical, fotografia e pós-produção cinematográfica de vídeos e de programas de televisão. Gonçalves é analista financeiro, contábil e fiscal. Nas redes sociais, ele informa que é separado. Gilberto é técnico em eletrotécnica e servidor no Rio de Janeiro. Nos celulares dos dois alvos de São Paulo, os investigadores encontraram conversas com uma das jovens de Brasília.
Autoextermínio
A gamer de 21 anos, que morreu após ser vítima do grupo criminoso, agonizou durante duas horas no Hospital Regional do Paranoá (HRPa), após consumir uma substância tóxica. Ela ingeriu um produto específico com o intuito de testar os efeitos em seu organismo.
A mulher, que morreu em 3 de fevereiro deste ano, era aficionada em jogos on-line e participava de um grupo no WhatsApp criado pelos criminosos. Na plataforma denominada “CTBus” (catch the bus, expressão em inglês utilizada para se referir ao cometimento de suicídio), os membros apresentavam orientações para a realização do ato extremo. Eles também usavam a Dark Web e o Telegram para propagar o conteúdo proibido.
Após ser socorrida pelos pais e levada pelo Corpo de Bombeiros ao hospital, os médicos avisaram à família que a jovem precisava tomar um medicamento chamado Azul de Metileno para que sua vida fosse salva. A substância, no entanto, estava em falta na unidade do Paranoá bem como em todas as outras da rede.
https://youtu.be/kV4uFNew2sA
Desespero
Desesperados, parentes da jovem saíram às ruas percorrendo farmácias e outros hospitais tentando comprar o medicamento. A jovem, no entanto, morreu às 3h40, duas horas após ingerir a substância tóxica recomendada pelos criminosos para “simular” o suicídio.
Os quatro suspeitos foram detidos nessa quarta-feira (29/9). Investigação conduzida pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) resultou em mandados de prisão e busca e apreensão em Brasília, Goiás, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no interior paulista.
Busque ajuda
O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso porque é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.
Depressão, esquizofrenia e o uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.
Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode te ajudar. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

Disque 188
A cada mês, em média, mil pessoas procuram ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV). São 33 casos por dia, ou mais de um por hora. Se não for tratada, a depressão pode levar a atitudes extremas.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dia, 32 pessoas cometem suicídio no Brasil. Hoje, o CVV é um dos poucos serviços em Brasília em que se pode encontrar ajuda de graça. Cerca de 50 voluntários atendem 24 horas por dia a quem precisa.
A defesa dos investigados não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.












