Conheça os golpes mais comuns no fim de ano e aprenda a evitá-los

Falsas doações a instituições de caridade, pacotes de viagem que não existem e sites com promoções de fachada são fraudes típicas do período

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 15/12/2019 17:13

Fim de ano é momento de celebrações. Com o 13º salário na conta, há a possibilidade de comprar presentes para a família e, quem sabe, aproveitar a entrada do ano novo em uma outra cidade. Tanta movimentação de dinheiro chama a atenção não apenas do comércio, mas também de estelionatários que vêem no período a oportunidade de aplicar golpes novos e bem esquematizados. Não à toa, 11% dos brasileiros afirmam já terem perdido  dinheiro em esquemas fraudulentos, de acordo com a pesquisa “Fraudes em Investimentos no Brasil”, conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O levantamento mostra que, entre os brasileiros que foram lesados por criminosos, 62% ainda não recuperaram o dinheiro perdido. Desses, 35% já desistiram de receber a quantia desviada e 27% têm alguma esperança de reaver o investimento.

Para evitar que o número aumente neste final de ano, o Metrópoles conversou com o delegado Virgílio Ozelami, da Divisão de Falsificação e Defraudação (Difraudes), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Ele listou os golpes mais comuns nesta época de festas. Confira:

Doação

Aproveitando o momento do Natal, durante o qual as s pessoas estão mais propensas a realizar boas-ações, um tipo de truque utilizado por criminosos é pedir doações a instituições de caridade, mas ficar com o dinheiro. São várias as maneiras que os estelionatários usam para sensibilizar possíveis vítimas: valem ligações, mensagens por celular e até mesmo abordagem na rua. “Eles usam o nome de instituições conhecidas e, na correria, muitas pessoas acabam doando sem fazer as confirmações necessárias”, explica Ozelami.

Segundo o delegado, orientações básicas devem ser seguidas para evitar que o cidadão acabe lesado por bandidos, em vez de ajudar quem precisa. “A primeira coisa é nunca dar dinheiro vivo. Se quiser fazer transferência, confira se é para uma pessoa jurídica e, mesmo assim, tenha cuidado. Alguns criminosos estão criando contas desse tipo só para receber dinheiro”, alerta.

Por isso, observa Ozelami, a melhor maneira de garantir que o dinheiro será utilizado por uma instituição filantrópica é pesquisando a veracidade das informações que o suposto representante da entidade fornece. “Se for possível comparecer à sede física, é o ideal. Caso contrário, dê uma olhada no site, confira se há um telefone e endereço. São as melhores maneiras de saber se a quantia está sendo destinada para o lugar certo”, explica.

Outra variação desse golpe é a doação para pessoa física, ou seja, um pedinte na rua. “Muitas dessas pessoas que estão com receita na mão, dizendo que precisam de remédio ou fazer cirurgia, não precisam”, afirma um dos coordenadores da Difraudes.

Quem for abordado deve desconfiar no momento em que a pessoa pede apenas dinheiro. Se estiver disposto a ajudar, a recomendação é: sempre que possível, acompanhe o pedinte na compra do remédio, por exemplo. “Já tivemos um caso aqui na Difraudes em que o homem deu uma grande quantia em dinheiro e, no dia seguinte, a pessoa estava novamente no mesmo semáforo pedindo a mesma coisa”, lembra o delegado da especializada.

Quitação de débito

Dezembro também é momento de revisar as dívidas. Lidar com as altas taxas de juros dos empréstimos bancários, por exemplo, não é algo que alguém queira fazer no novo ano. Sabendo disso, muitos estelionatários passam a aproveitar do desespero das pessoas para oferecer supostas vantagens na hora de diminuir o prejuízo.

Conforme explica Virgílio Ozelami, são várias as empresas que dizem conseguir acertar a dívida diretamente com o banco de uma maneira mais fácil. Dessa forma, o devedor deixaria de realizar pagamentos ao banco, tendo o passivo apenas com a empresa que se apresenta como intermediária.

Falam de maior prazo e menores juros, mas é tudo mentira. A empresa não quita a dívida com o banco e a pessoa passa a pagar algo que, na verdade, só piora a situação dela

Delegado Virgílio Ozelami, da Difraudes

Usando de uma linguagem rebuscada, cheia de coeficientes e índices, os golpistas conseguem convencer o devedor de que representa uma empresa séria. “Esse tipo de contrato terceirizado nunca deve ser assinado sem uma checagem antes. Depois, se a pessoa tentar entrar na justiça, não vai conseguir nada. O banco não tem nada a ver com o esquema e a empresa é uma fraude”, adianta o delegado.

Daniel Ferreira/Metrópoles

 

Ainda na seara da resolução rápida de problemas, o falso empréstimo também tem o número de ocorrências aumentada no período de festas, pois várias pessoas tentam adiantar o 13º salário ou, no caso deste ano, o saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

“É um tipo de golpe comum durante todo o ano, aplicado em pessoas desesperadas. A vítima recebe a promessa de um empréstimo rápido e fácil, mas acaba convencida a pagar uma espécie de taxa antes de receber a quantia combinada”, detalha o integrante da Difraudes.  “Temos casos de pessoas que pegam dinheiro emprestado com familiares, amigos… Depois o suposto intermediador some e a situação só piora. Essa conversa de pagar algo não faz o menor sentido”, completa.

Pacote de viagem

Nessa época do ano, também aumenta o número de pessoas que querem viajar. Passar o Natal ou o Réveillon em uma cidade diferente faz com que o trabalhador esqueça um pouco das dificuldades do dia a dia, certo? Só se a companhia de viagens realmente tiver comprado as passagens e reservado o hotel, do contrário, o descanso vira prejuízo, frustração e dor de cabeça.

Em março deste ano, o Metrópoles noticiou a prisão da agente de viagens Cristiana Araújo por ter, pelo menos, 24 ocorrências registradas contra ela nos últimos quatro anos. O prejuízo causado por ela somente referente a esses casos ultrapassa R$ 400 mil. De acordo com a investigação, a mulher fechava contratos de viagem com valores abaixo aos cobrados pelo mercado, mas não entregava os serviços. Uma das vítimas, que não quis se identificar, contou, à época, que Cristiana era convincente e se apresentava como agente de turismo de luxo.

“Ela frequentava meu trabalho, sempre muito simpática e sorridente, tratando todos bem. Afirmava que atendia pessoas de bom nível social e com influência em Brasília. Comentamos que eu faria uma viagem para o exterior e ela veio me oferecer dólar mais barato. Por trabalhar no meio, disse que conseguiria uma tarifa completamente diferenciada, pois pegava de remessa e poderia diminuir bastante”, lembrou a vítima.

A mulher disse ter confiado na agente e comprado US$ 500. “A 20 dias da viagem, eu cobrava todos os dias e ela sempre tinha uma desculpa. Dizia que estava fora de Brasília a trabalho e me pedia para ter paciência”, relatou. Cristina foi presa em Vicente Pires (veja abaixo).

 

Para evitar esse tipo de situação, o delegado Ozelami recomenda que o cliente cheque, com antecedência, se as reservas foram feitas. “Ligue para o hotel e a companhia aérea para confirmar. Muitas vezes, são enviados comprovantes falsos e a pessoa só descobre no dia da viagem”, avisa.

E-commerce

iStock

 

Compras dos presentes de Natal também precisam ser feitas com atenção. De acordo com o investigador da Difraudes, são vários os sites que aparecem na internet durante o período de fim de ano com produtos falsos. “Pessoas com conhecimento básico de programação montam um site, inventam produtos com preços baixos e pronto”, resume Virgílio Ozelami.

Embora o golpe seja simples, muita gente ainda cai nele. “Geralmente coloca-se reloginhos com um tempo para expirar a oferta. A vítima fica afobada, não se certifica de que a empresa existe e acaba, por exemplo, dando informações do cartão de crédito”, explica o delegado. Com isso, o produto não é enviado e as informações de cartão de crédito ainda são utilizadas para novas fraudes.

Para evitar ser enganado, as recomendações são as mesmas do golpe da instituição de caridade: verificar se o site possui endereço fixo, telefone e CNPJ.

Precatórios e FGTS

Raimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

 

O saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) continua movimentando a economia brasileira. Nessa sexta-feira (06/12/2019), por exemplo, as mais de 9 milhões de pessoas nascidas em setembro e outubro obtiveram o direito de retirar até R$ 500 de suas contas do fundo. Para evitar que elas sejam vítimas de golpistas, a Caixa Econômica Federal publicou em seu site dicas de segurança.

Uma das principais recomendações da instituição é a de não fornecer a senha ou o número do Cartão Cidadão, pois estelionatários procuram entrar em contato com os clientes se passando por empregados das centrais de cartões ou do banco para obter informações e, assim, aplicar golpes. O cliente também não deve acessar links em nome da Caixa, pois o banco não os envia por e-mail, SMS ou WhatsApp.

Outra novidade de 2019, dessa vez específica do Distrito Federal, é o pagamento pelo governo local de precatórios – créditos de dívidas atrasadas nas gestões passadas. A notícia de liberação dos recursos veio acompanhada de novos golpes. Um dos mais frequentes é a cobrança de taxa para que seja possível levantar a situação da pessoa que tem dinheiro empenhado com o governo. O golpe tem sido tão sofisticado que o falsário chega a informar o valor que a vítima tem direito a receber.

Conforme o relato das vítimas, a tentativa de golpe é feita por telefone. Um interlocutor identifica-se como servidor da Coordenadoria de Conciliação de Precatórios (Coorpre) do TJDFT e chega até a informar a data em que o jurisdicionado compareceu à unidade e assinou o termo do acordo direto. Tudo faz parte, claro, do processo de convencimento do titular do precatório. Em seguida, o golpista pede à vítima que efetue um depósito em determinada conta bancária para que seja possível realizar o “levantamento do respectivo alvará”.

Um golpe que, de janeiro até o último dia 3 de dezembro, já tinha levado sete pessoas a registrarem ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

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