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O Zoológico de Brasília amanheceu de portões fechados neste sábado (3/3) por conta da greve dos vigilantes. Quem havia se programado para visitar o local no domingo (4) também deverá alterar o passeio, pois o estabelecimento não abrirá as portas. De acordo com a direção do zoo, a medida é necessária para garantir a segurança dos frequentadores, dos funcionários e dos animais.

A paralisação da categoria teve início na última quinta-feira (1º) e afetou também parques ecológicos administrados pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), além de hospitais e bancos do Distrito Federal.

Confusão entre sindicatos
Também na manhã de hoje, integrantes do Sindicato dos Vigilantes do DF teriam entrado em atrito com o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Distrito Federal, Luís Gustavo Barra, na Administração Regional do Gama. Vídeos mostram que ele precisou ser escoltado pela Polícia Militar para deixar o local em segurança.

O Metrópoles fez contato com Barra, que acusou o movimento de tentar intimidá-lo. “Eles fizeram um paredão em frente à Administração e impediram a troca de turno. Eram cerca de 30 pessoas, entre diretoria do Sindicato dos Vigilantes e membros que aderiram ao movimento grevista”, relata.

Consultado, o presidente do Sindicato dos Vigilantes do DF, Paulo Quadros, negou o fato. “Não houve paredão nenhum. Apenas estamos tentando convencer os trabalhadores sobre a necessidade da greve. O Luís Gustavo foi até o local e ofendeu vigilantes e membros do nosso sindicato. Foi uma coação”, rebate.

A briga terminou na delegacia, depois que Luís Gustavo resolveu ir até a 20ª Delegacia de Polícia (Gama) e registrar ocorrência sobre o acontecimento.

Veja a discussão:

Tumulto também no Instituto Hospital de Base
Na manhã de sexta-feira (2), o Sindicato dos Vigilantes do DF divulgou um vídeo que mostra pacientes invadindo o ambulatório do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF). A unidade estava fechada desde o início do movimento paredista, na quinta, mas dezenas de pessoas que aguardavam atendimento forçaram o portão e entraram no local. Veja:

A greve dos vigilantes
Nessa sexta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) determinou liminarmente a suspensão da greve dos vigilantes e o retorno imediato para “100% do efetivo trabalhando nos postos de serviços hospitalares, bancários, transporte de valores e tribunais de Justiça, assim como 70% nos demais postos de serviços”.

Os vigilantes reivindicam dos patrões aumento de 7% e manutenção de todas as cláusulas da convenção coletiva. A data-base era no início de janeiro, mas as negociações sobre o reajuste e a discussão a respeito das condições de trabalho não ocorreram, denuncia o deputado distrital Chico Vigilante (PT).

A categoria não aceitou a proposta das empresas de dividir os R$ 34 do tíquete-alimentação – metade seria paga em dinheiro, e o restante, em cesta básica, informou o parlamentar.

Em nota, a Secretaria de Saúde afirma ter preparado um plano de contingenciamento. Diz, ainda, que a greve por causa do acordo coletivo não envolve questões relativas aos pagamentos realizados pela pasta. “Diante dessa paralisação, as empresas foram notificadas para que garantam o percentual mínimo de 30% dos vigilantes nas unidades e hospitais. Havendo necessidade, os diretores foram orientados a buscar reforço junto à Polícia Militar”, destaca o texto.

Ainda de acordo com a pasta, por questões de segurança, os hospitais de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Região Leste (antigo Paranoá), Sobradinho, Planaltina, Asa Norte, Santa Maria e o Instituto Hospital de Base suspenderam as visitas aos pacientes internados. Além disso, o acesso às portarias centrais foi restringido.

Conforme a Associação dos Bancos no Distrito Federal (Assban-DF) ressalta, o funcionamento dos estabelecimentos deverá ser definido por cada instituição, desde que haja garantia de segurança. “Em casos como este, a Polícia Federal autoriza as agências bancárias a operarem sem numerário. No entanto, cada instituição tem a prerrogativa de optar por não abrir uma ou mais agências, caso avalie que tal escolha é a mais segura para seus clientes e funcionários”, reforça a entidade.

Histórico de impasses
Os problemas entre vigilantes e empresas não são recentes. No mês passado, por exemplo, os empregados fizeram uma paralisação cobrando o pagamento do salário referente a dezembro, que deveria ter sido repassado no quinto dia útil de janeiro.

Em abril de 2017, outro episódio semelhante: devido à greve deflagrada no dia 18, hospitais funcionaram de maneira precária e bancos nem abriram as portas. Os serviços em órgãos federais também foram prejudicados.

Para tentar chegar a um acordo e não lesar mais os cidadãos, Chico Vigilante diz ter procurado o Ministério Público do Trabalho, solicitando uma intermediação. “Já conversamos com o procurador-geral do Trabalho. De lá, o Tribunal Regional do Trabalho será acionado para convocar uma reunião, a fim de resolver o assunto”, esclarece.

Por outro lado, o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Sistemas de Segurança Eletrônica, Cursos de Formação e Transporte de Valores no Distrito Federal (Sindesp-DF), Luis Gustavo Barra, rebate as informações dos vigilantes. “Nós tentamos negociar 21 vezes só neste ano. Tínhamos agendada uma reunião às 9h30 de hoje [quinta]. Uma vez deflagrada a greve, não tem sentido negociarmos agora”, declara.

Ele defende que o ganho real solicitado pelos profissionais é bastante superior ao Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de janeiro a dezembro de 2017. “O IPCA de 2017 é de 2%”, pontua Barra.

Patrões rebatem
Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Distrito Federal (Sindesp-DF) afirmou que, ao contrário do divulgado pela entidade representante dos vigilantes, “os empresários do setor esgotaram todas as possibilidades de negociação com a categoria”.

“Vale lembrar que ocorreram mais de 20 reuniões, desde dezembro de 2017, muitas das quais acompanhadas por integrantes do Ministério Público do Trabalho, envolvendo os dois sindicatos. Essas negociações resultaram na concordância de vários pleitos da categoria laboral”, frisa o Sindesp.

A entidade diz ainda que “as empresas não querem acabar, em momento algum, com plano de saúde, auxilio-odontológico e o fundo de indenização decorrente de aposentadoria por invalidez por doença de qualquer natureza. A intenção é ter mais transparência, prestação de contas e adequação ao valor de mercado em cada um desses itens supracitados”.