Com restrição a bares e restaurantes, empresários do DF preveem prejuízos

Segundo representantes dos estabelecimentos, a categoria virou "boi de piranha" com a perspectiva da segunda onda de Covid-19

atualizado 01/12/2020 23:25

movimento nos bares do df pandemia sudoeste abencoadoHugo Barreto/Metrópoles

O setor de bares e restaurantes prevê uma queda imediata de movimento após a edição de um decreto, nessa terça-feira (1º/12), que restringe o funcionamento destes locais até as 23hrs, no intuito de combater o avanço da Covid-19 no DF. Para representantes da categoria, há vários outros problemas a serem corrigidos antes de se interferir na iniciativa privada.

Conforme defende o presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Silva, a classe está sendo utilizada como a única responsável por uma possível segunda onda da doença. “Não podemos ser ‘boi de piranha’ neste possível aumento da propagação do coronavírus na cidade”, argumenta.

Segundo ele, a posição do sindicato foi enérgica em uma reunião realizada durante a tarde com a Secretaria de Saúde. “Deixamos bem claro que somos completamente contrários à edição deste decreto e solicitamos que o mesmo fosse imediatamente cancelado, porque não condiz com a realidade do DF”, afirma.

Confira:

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães, também participou da reunião. Segundo ele, há outros problemas maiores a serem enfrentados no momento. “Na segunda (30/11), por exemplo, foi feriado, mas muitas coisas funcionaram. Mesmo assim, reduziram o número de ônibus, que acabaram ficando lotados. Não há distanciamento que resista a isso”, comenta.

Para José, não pode ser punida toda uma categoria por erros individuais. “Precisa ser algo individual, não coletivo. É um setor que já vem sofrendo muito desde o início da pandemia”, explica.

De acordo com ele, o impacto no movimento de clientes será imediato. “Casais que gostavam de sair às 20h30 para ir a um restaurante, vão deixar de ir. Imagine: fazem o pedido, tomam um vinho, comem o jantar e ficam conversando. Se tiverem que sair às 23hrs de lá, vão preferir se encontrar em casa”, exemplifica.

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Governador não descarta medidas mais duras

O governador Ibaneis Rocha (MDB) disse à coluna Grande Angular, após decretar o fechamento de bares e restaurantes às 23h, que tomou a decisão para evitar a piora da pandemia do novo coronavírus na capital do país.

“Antes que a situação se agrave, resolvi dar este recado para a população, retomando algumas medidas restritivas”, afirmou. Segundo Ibaneis, se as contaminações e mortes aumentarem mais, o governo vai agir: “A qualquer sinal de piora da pandemia aqui no DF, vamos rever as medidas e tomar providências ainda mais duras, se for o caso”.

A decisão de determinar um horário para fechamento dos bares e restaurantes ocorreu após o governador receber relatórios da Secretaria de Saúde que apontam aumento do indicador de contágio. “O índice, que vinha se mantendo na casa de 1, evoluiu para 1.3”, explicou Ibaneis à coluna.

Nos últimos dias, a fiscalização do governo local observou grandes grupos reunidos, o que contraria as recomendações de distanciamento estabelecidas por autoridades. “As ações do DF Legal, no último fim de semana, demonstraram que há muitos pontos de aglomeração na cidade, especialmente concentrados nos bares”, afirmou.

A preocupação se volta para os cidadãos mais novos que, expostos na rua, podem ser infectados e levar o vírus para outras pessoas: “Os profissionais da saúde também nos informaram que houve aumento do contágio entre os jovens, que estão levando o vírus para dentro de casa”.

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