Cibersegurança: 30 mil tentativas de clonagem de WhatsApp por mês

Informação foi dada por Emilio Simoni, diretor do Dfndr Lab - PSafe, no tech talk Cibersegurança: usuários, corporações e nações sob ataque

André Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 23/09/2019 13:11

O primeiro painel tech talkCibersegurança: usuários, corporações e nações sob ataque”, evento promovido nesta segunda-feira (23/09/2019) pelo Metrópoles e pela revista Época, falou sobre “5G, IoT e as vulnerabilidades hiperconectadas”. Os convidados para debater o tema foram Emilio Simoni, diretor do Dfndr Lab – PSafe, e João Gondim, professor de Ciências da Computação da Universidade de Brasília. A editora da Época, Bárbara Libório, fez a intermediação do debate, realizado na Biotic, o Parque Tecnológico de Brasília. O evento reúne os maiores especialistas e autoridades do país para debater questões sob três diferentes prismas: internautas, empresas e governos.

O ponto chave da palestra, com o avanço do 5G e da Internet of Things (IoT, em português, internet das coisas), é a abertura de espaço para novos ataques cibernéticos. Segundo Emilio Simini, diretor do DFNDR Lan, a população deve imaginar uma realidade em que, se até a cafeteria é conectada, uma cidade inteira fica ligada. “Imagina se um ciberatacante invade uma cirurgia? Ou se desvia toda uma rota de carros?”, alertou.

Segundo Simoni, o ciberataque tem duas categorias: o direcionado, que busca aplicar grandes golpes a um certo alvo; e o geral, que chuta para todos lados, como o fishing. “No Brasil, nós temos 30 mil tentativas de clonagem de Whatsapp por mês”, aponta o especialista. João Gondim conta que os ataques passaram a ser mecanizados. E, nesse caso, os hackers aplicam golpes a esmo.

Dinheiro

Para João Gondim, professor da UnB, apesar da ameaça ninguém vai se desconectar. “Já está todo mundo infectado”, brincou. Simoni afirmou que os melhores do mundo são os brasileiros, tanto para defender quanto para atacar. “Porque os brasileiros são os mais criativos”, opina. Outra constatação é de que os ciberatacantes vão sempre focar onde houver dinheiro. De qualquer forma, para Gondim, a conexão já é uma realidade. Mas, agora, os equipamentos têm novas funcionalidades com poder computacional. “Aí é que mora o perigo”, assinalou. Para o setor produtivo, é fácil e barato criar equipamentos, mas a dificuldade e o custo está na adoção de tecnologias de segurança.

De acordo com o Simoni, as invasões virtuais também vêm das coisas mais simples. “Quem tirou a senha padrão do roteador de casa, por exemplo”, brincou. “Teve um amigo que tinha a senha 1,2,3,4,5. E ele mudou: 1,2,3mudei”, riu. Câmeras IP de notebook sem usuário e senha também são porta abertas para hackers.

5G

Emilio Simoni considera que as empresas só vão apostar no 5G se tiver um modelo de negócio. “Vai depender da monetização”, diz. Para ele, a tecnologia deve chegar primeiro à indústria e à saúde. Depois, ao consumidor final. De acordo com os dois especialistas, o 5G usará a infraestrutura existente, mas depende de investimentos. A chegada da tecnologia, a princípio, não deveria gerar impacto no bolso do usuário. Mas existe a questão do modelo de negócios da empresa e o investimento de tecnologia.

“Não não acredito que os preços serão altos. A tecnologia vai precisar de pulverização na sociedade para vingar”, diz Gondim. Para Emilio, a tecnologia deve avançar junto com a conscientização do usuário com os hábitos de segurança para cada clique. Gondim lembrou que a informatização no Brasil começou com os bancos. “A transição foi dolorosa”, lembrou, destacando que a mídia deve ajudar, mostrando as coisa que estão dando errado e informando a população.

Danos graves

Segundo o professor João Gondim, o horizonte de ataque dos hackers ainda é limitado, mas o dano ainda será grave. “É o seguinte: o formigueiro tem 10 milhões de formigas. Mas só 2 mil vão te morder”, brincou. Ele sugeriu que o usuário deve controlar o acesso aos recursos. Por exemplo, escolher boa senha e trocar de tempos em tempos. Em segundo lugar, só disponibilizar informações na internet que se possa “perder”. “Se for uma informação vital, não põe na internet. Use HD externo, com senha. A questão não é como mandar nudes com segurança. É não mandar nudes”.

Simoni, por sua vez, alertou que as guerras já são virtuais. O atacante usa a vítima para espalhar o golpe. “Ataques são exponenciais. No caso de senhas, o brasileiro usa a mesma senha para tudo. Isso é errado. O cibercriminoso consegue uma senha e testa em todas as contas do alvo. Também é preciso ter aplicativos de segurança”, ensina. E continua: “Tem que tomar cuidado com as redes sociais. Porque o lucro do atacante é alto”, afirmou. “Tem sempre que desconfiar quando a gente fala de mundo virtual”, disse.

Temas

Assuntos como dados pessoais roubados, computadores de empresas invadidos, governos sob vigilância e privacidade em xeque colocam a segurança digital como fonte de discussão constante. Entre os temas abordados estão assuntos que atingem diretamente usuários, empresas e Estado, como privacidade na web, dados na nuvem, ciberespionagem, segurança nas organizações, Internet das Coisas, 5G, defesa cibernética, Lei Geral de Proteção de Dados, blockchain, entre outros. No total, oito painéis discutirão diferentes tópicos.

O presidente da Biotic S/A, Gustavo Dias Henrique, destaca a importância de eventos como esse. “A digitalização da economia brasileira traz enormes benefícios para governos, empresas e indivíduos, na medida em que encurta caminhos, conecta pessoas e gera inteligência através de uma enorme quantidade de dados. É justamente a abundância desses dados que gera também os grandes riscos que temos que combater. O desenvolvimento da cibersegurança, nesse sentido, é um campo de enorme oportunidade para novas tecnologias e novos profissionais. É esse o debate que queremos promover durante o evento promovido pela Biotic S/A, site Metrópoles e Revista Época”.

Jefferson Santos/Unplash

Especialistas como o diretor da PSafe Emilio Simoni; o chefe do Centro de Defesa Cibernética, general Corrêa Filho; o CEO da Apura, Sandro Süffert; e o diretor de engenharia de sistemas da Fortinet, Alexandre Bonatti, estão entre os convidados. O jornalista especializado em vida digital Pedro Doria realizará um keynote sobre as principais questões relacionadas à privacidade no ambiente digital e os perigos de invasões em dispositivos como celulares.

O apresentador Rafael Cortez conduzirá o painel “Profissão: hacker” e conversará com dois ex-piratas da web que atualmente trabalham como consultores de segurança para empresas.

Programação

8h – Credenciamento

9h – Abertura

9h30 – 5G, IoT e as vulnerabilidades hiperconectadas
Emilio Simoni, diretor do Dfndr Lab – PSafe
João Gondim, professor de Ciências da Computação da Universidade de Brasília

10h30 – Ciberataque S/A: As empresas na berlinda
Ulisses Penteado, CTO da BluePex
Bruno Prado, CEO da UPX e VP da ABSec

11h30 – Privacidade, um luxo na vida digital
Keynote com Pedro Doria, jornalista especializado em tecnologia

14h – Profissão: hacker
O apresentador Rafael Cortez (ex-CQC) entrevista João Brasio e Wanderley Abreu, dois ex-piratas da internet que hoje atuam como consultores de segurança

15h – Blockchain como aliado das empresas
Thiago Padovan, co-fundador da Blockchain Academy
Alexandre Bonatti, diretor de engenharia de sistemas da Fortinet

16h – Panorama da segurança cibernética
General Corrêa Filho, chefe do Centro de Defesa Cibernética

17h – Saúde, LGPD e cibersegurança
Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin
Rogerio Boros, diretor de Governo Federal e Saúde da Microsoft

18h – Ciberespionagem: uma ameaça real às nações
Sandro Süffert, CEO da Apura, presidente ABSec e membro da HTCia
Rodrigo Carvalho, perito de crimes cibernéticos da Polícia Federal

O evento é realizado pelo BioTIC e oferecido pelo Banco de Brasília e Sabin Medicina Diagnóstica.

Cibersegurança: usuários, corporações e governo sob ataque
Onde: BioTic, Parque Tecnológico de Brasília
Como assistir: Facebook e Youtube do Metrópoles e Época
Horário: das 8h às 19h

Últimas notícias