Caso Jéssyka: marcha em Ceilândia pede o fim do feminicídio

Parentes e amigos da estudante executada pelo ex-noivo, que é soldado da PMDF, protestaram na tarde deste sábado (12/5)

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 12/05/2018 17:25

Oito dias após o brutal assassinato de Jéssyka Laynara da Silva Souza, 25 anos, parentes e amigos marcharam, na tarde deste sábado (12/5), contra o feminicídio. A mãe da estudante, Adriana Maria da Silva, 42, organizou o evento, que pede o fim da violência contra mulheres no Distrito Federal.

A passeata, que contou com a participação de pelo menos 250 pessoas, ocorreu no Setor O, em Ceilândia. O ponto de partida foi de Jéssyka, onde ela foi executada com quatro tiros pelo ex-noivo, o soldado da PM Ronan Menezes do Rego, que desde o dia do crime está preso na área reservada a policiais no Complexo Penitenciário da Papuda.

Segundo a Adriana, a ideia da marcha é alertar outras famílias que passam pelos mesmos problemas. “Nesses casos, o silêncio é uma sentença de morte. É preciso que as filhas falem com suas mães, irmãs e pais para não acabarem dentro de um caixão”, desabafou a mulher ao Metrópoles.

A irmã de Jéssyka, Roberta da Silva, 19, afirmou que todos estão engajados na luta contra o feminicídio. “Vamos usar toda a força de nossas vozes para evitar que outras Jéssykas tenham o mesmo destino”, disse.

A marcha seguiu pela Via Leste e retornou pela Via Oeste de Ceilândia. A passeata contou com o apoio da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do Departamento de Trânsito (Detran).

Antes da caminhada, familiares da estudante plantaram mudas de árvores ao redor de um campo de futebol que fica na esquina da casa onde vive a família de Jéssyka.

 

Crime premeditado
Para os parentes da vítima, o assassinato foi planejado há pelo menos um mês. Um dos indícios apontados por eles é que Ronan fez a cópia da chave da casa onde Jessyka morava com a avó sem a permissão da ex e a utilizou para entrar sorrateiramente na residência e matar a moça a sangue frio.

Ronan entrou para a PM há cerca de três anos. A partir daí, segundo contaram familiares da vítima, o militar passou a mostrar sua face violenta. No dia 14 de abril, o policial espancou violentamente a jovem porque ela recebeu uma mensagem e se negou a entregar o celular para ele. A agressão ocorreu na casa dos pais do acusado, que não estavam no imóvel.

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