Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

"Caí em tentação", diz golpista do crossfit que mentiu sobre câncer da filha

Presa por enganar mais de 200 pessoas em GO e no DF, a mulher foi solta após pagar fiança de R$ 5 mil

24/06/2026 05:15
Compartilhar notícia
Reprodução / PCGO
“Caí em tentação”, diz golpista do crossfit que mentiu sobre câncer da filha

A golpista de, 26 anos, presa por enganar frequentadores de boxes de crossfit afirmou “caiu em tentação” e mentiu sobre um falso câncer da filha para conseguir dinheiro. À polícia, ela disse que a filha de 3 anos teria recebido diagnóstico de leucemia no passado, mas admitiu que o câncer já não existia quando passou a arrecadar dinheiro usando a história da suposta doença da criança.

A golpista abordava alunos de academias afirmando que a filha estaria internada e precisaria de exames para verificar uma suposta metástase. Para custear os supostos exames, ela vendia nomes de uma rifa por R$ 30 ou dois por R$ 50 via pix.

A mulher foi presa em ação conjunta das polícias Civil e Militar de Goiás no dia 18 de junho. Em audiência de custódia, realizada no último sábado (20/6), a Justiça de Goiás concedeu liberdade provisória à investigada mediante pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil. Ela foi posta em liberdade no mesmo dia.

Ao ser interrogada, a mulher disse que a filha realmente recebeu diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda (LLA). Segundo ela, o tratamento da menina ficou caro e, naquela ocasião, conseguiu arrecadar dinheiro para custear os remédios mediante venda de rifas.

Ela declarou à polícia que “percebeu a comoção das pessoas em ajudar uma criança” e continuou vendendo rifas usando como motivo a doença da filha que hoje é inexistente.

Segundo o depoimento, ela afirmou ainda que “caiu em tentação” diante da facilidade de arrecadar recursos.

A investigada relatou que frequentava academias e boxes de crossfit e utilizava os horários das aulas para abordar potenciais vítimas com a venda de rifas. Também confessou que usou os valores arrecadados para ajudar no sustento da família.

Golpes em GO e no DF

A suspeita disse que inicialmente vendia as rifas em Catalão (GO). As investigações da PCGO apontaram que ela também é investigada por aplicar golpes em outras cidades goianas. Ela ainda teria enganado frequentadores de boxes de crossfit no Distrito Federal. 

A prisão dela ocorreu na rodovia GO-330, nas proximidades do município de Urutaí (GO). Durante a ação policial, foram apreendidos aproximadamente R$ 17 mil em espécie, cartões bancários, dois celulares e cartelas de rifas preenchidas com cerca de 350 nomes.

Na decisão que determinou a liberdade provisória da suspeita, o juiz autorizou a extração integral dos dados armazenados nos celulares apreendidos. Também foi determinada a quebra do sigilo financeiro das contas vinculadas à chave Pix utilizada pela investigada.

De acordo com o magistrado, as medidas são necessárias para identificar a extensão do esquema, confirmar a linha investigativa adotada pela polícia e localizar possíveis novas vítimas.

Ao Metrópoles, a Polícia Civil do DF (PCDF) informou que há várias ocorrências registradas em desfavor da investigada. A corporação também destacou que existem investigações em curso para apurar os golpes.

Modus operandi

As investigações apontam que o modus operandi da golpista incluía uma pesquisa prévia sobre os professores dos boxes, além do conhecimento sobre exames específicos da doença para convencer as vítimas.

Segundo os relatos, ela comparecia às unidades com roupa de treino e muitas vezes em turnos diferentes do mesmo dia. Na apresentação da rifa, ela dava os nomes específicos dos exames necessários para a suposta doença da filha de 3 anos, mas não providenciava nenhum canhoto da rifa e apenas anotava os nomes vendidos.

Para conquistar a confiança dos funcionários e frequentadores, a mulher utilizava táticas de aproximação bem planejadas. Ela afirmava que era aluna de outra academia da região e que o estabelecimento anterior já havia “aberto as portas” para a causa dela.

A PCGO identificou ocorrências do golpe em pelo menos quatro bairros de Catalão e também em outras cidades goianas. Ela teria feito cerca de 200 vítimas e responde na Justiça de Goiás por estelionato.

O que diz a defesa

Procurada pela reportagem, a defesa da suspeita, representada pela advogada Luzia Anne dos Santos e pela assessora jurídica Carolina Calil, disse que as informações que até o presente momento vieram a público decorrem exclusivamente de elementos produzidos na fase investigativa, sem que tenha havido ainda o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. 

“É imprescindível destacar que investigações criminais não se confundem com condenações. Em um Estado Democrático de Direito, a busca pela verdade real deve ocorrer mediante observância rigorosa das garantias constitucionais e processuais que protegem todos os cidadãos”, salientou a defesa.

As advogadas também afirmaram que não serão divulgados detalhes acerca do mérito neste momento. “A defesa reafirma sua absoluta confiança na Justiça, nas instituições democráticas e no devido processo legal, permanecendo convicta de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no foro competente”, pontuaram.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters