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Distrito Federal

Aluna é enganada e promete doar medula à filha de golpista do crossfit

Golpista dizia que estava arrecadando dinheiro para tratamento de leucemia linfoblástica aguda (LLA) da filha de 3 anos. Ela foi presa em GO

20/06/2026 02:00
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Reprodução
Aluna é enganada e promete doar medula à filha de golpista do crossfit

A falsa história contada pela mulher suspeita de aplicar golpes em boxes de crossfit de Goiás e do Distrito Federal foi tão convincente que levou uma das vítimas a se oferecer para doar medula óssea a suposta filha de 3 anos, que, segundo a golpista, estaria em tratamento contra uma leucemia linfoblástica aguda (LLA).

A mulher de 26 anos foi presa em Urutaí (GO), nessa quinta-feira (18/6). A investigada, que é moradora de Trindade (GO), arrecadava dinheiro com a venda de rifas, sob a falsa alegação de que a filha precisava de tratamento contra um câncer. Ela teria feito cerca de 200 vítimas.

Entre as pessoas que se sensibilizaram com a história estava uma aluna que chegou a se oferecer para doar medula óssea à suposta criança doente. Ela também transferiu R$ 50 pelo pagamento de duas rifas. 

“Me falaram que ela estava arrecadando dinheiro para exames e para o tratamento de um câncer de medula. Como eu sou doadora de medula óssea, me ofereci para fazer um teste de compatibilidade, caso fosse necessário”, contou a mulher que preferiu não se identificar.

A resposta da suspeita, porém, chamou a atenção da vítima. “Ela imediatamente recusou e disse que não precisava porque a doação só seria aceita de pessoas entre 18 e 25 anos. Achei estranho, porque me cadastrei como doadora há cerca de dois anos e nunca tinha ouvido essa informação”, relatou.

Na ocasião, a mulher afirmou não ter desconfiado do golpe, mas considerou a justificativa incoerente. “Pensei que talvez fosse alguma exigência específica por se tratar de uma criança, mas a explicação me pareceu desencontrada”, disse.

Nas redes sociais e em grupos de praticantes de crossfit do DF, dezenas de pessoas relatam ter sido abordadas pela mesma mulher, sempre utilizando a história de uma filha diagnosticada com leucemia para arrecadar dinheiro por meio da venda de rifas. Algumas das vítimas afirmaram ter contribuído com valores superiores a R$ 500. 

Veja prisão da suspeita: 

Modus operandi

O modus operandi da golpista incluía uma pesquisa prévia sobre os professores dos boxes, além do conhecimento sobre exames específicos da doença para convencer as vítimas.

Segundo os relatos, ela comparecia às unidades com roupa de treino e muitas vezes em turnos diferentes do mesmo dia. Na apresentação da rifa, ela dava os nomes específicos dos exames necessários para a suposta doença da filha de 3 anos, mas não providenciava nenhum canhoto da rifa e apenas anotava os nomes vendidos.

Para conquistar a confiança dos funcionários e frequentadores, a mulher utilizava táticas de aproximação bem planejadas. Ela afirmava que era aluna de outra academia da região e que o estabelecimento anterior já havia “aberto as portas” para a causa dela.

“Ela já chegou sabendo o meu nome, que eu era o responsável pelo horário e o coordenador aqui da academia. Ela contou a história de que tinha uma filha de 3 anos que estava com câncer e precisava fazer dois exames. Foi bem específica em relação aos exames e ao tipo de câncer que a menina supostamente tinha. Eu cheguei a checar os exames, ver o valor e onde eram feitos antes de divulgar para os alunos”, relatou Hiury Brandão Brandão, responsável técnico da Kapela Gym, na 512 Sul.

Nenhuma suspeita foi levantada no momento da abordagem. “Ela foi muito específica nos exames, na premiação da rifa, veio com roupa de treino, mostrou foto da criança, então estava muito alinhado na história dela”, complementou o head coach.

A farsa só foi descoberta posteriormente, quando outros boxes de crossfit e academias começaram a compartilhar a imagem da mulher e a cruzar os relatos. “A nossa comunidade é muito engajada e comprou a ideia, ajudou e fez a doação”, acrescentou Hiury.

Apelo emocional

Uma das vítimas foi o head coach da Selva Crossfit, do Park Way, Túlio Ortiz. Ele contou que a golpista esteve no box em 12 de maio.

“Ela chegou falando que já era aluna de outro box, que estava arrecadando dinheiro para pagar o tratamento da filha. Mostrou foto da menina e contou toda a história. Eu me sensibilizei porque tenho um histórico muito forte de câncer na família”, relatou.

De acordo com o coordenador do box, a mulher demonstrava emoção ao falar sobre o suposto problema de saúde da criança, o que ajudou a transmitir credibilidade.

“Ela se emocionava, os olhos enchiam de água. A história era sempre a mesma, muito consistente. Nunca passou pela minha cabeça que alguém usaria uma doença dessas para aplicar um golpe”, afirmou.

Túlio disse ter contribuído com R$ 50 e sequer pediu um número da rifa. “Eu ajudei de bom coração. Minha consciência está tranquila. O problema é que ela prejudicou muita gente e pode acabar prejudicando pessoas que realmente precisem de ajuda no futuro”, disse.

No mesmo mês, a mulher utilizou exatamente a mesma estratégia em outro crossfit do DF. Segundo uma das vítimas, que não quis se identificar, a golpista pediu licença ao professor antes do início da aula para expor a situação da criança para todos os alunos.

Na ocasião, ela repetiu a história de que precisava arrecadar fundos para exames caros, mencionando especificamente a necessidade de um Pet Scan, exame de imagem detalhado e comum na oncologia.

A rifa era vendida por R$ 30 ou duas por R$ 50. “Ficou até o fim da aula esperando para os alunos fazerem o Pix, aguardando na saída”, relatou a vítima.

A golpista foi autuada por estelionato. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão do esquema.

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