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Distrito Federal

Brasiliense atingido por onda dá primeiros passos após perder movimentos.

Filipe de Freitas sofreu um traumatismo raquimedular cervical em 10 de agosto; exatos dois meses depois, ele consegue tocar violão e nadar

11/10/2026 04:45
Material cedido ao Metrópoles
Filipe de Freitas

Dois meses após sofrer um traumatismo raquimedular cervical na Praia de Maracaípe, em Recife (PE), o brasiliense Filipe de Freitas, 41 anos, coleciona conquistas que renovam a esperança da família e dos amigos. O morador de Águas Claras e administrador consegue nadar, tocar violão e já faz planos para retomar uma das atividades de que mais gosta, o surfe. A recuperação tem sido marcada dedicação ao tratamento e confiança de que poderá voltar a realizar as atividades de antes.

Veja Filipe dar primeiros passos:

Filipe sofreu o acidente em 10 de agosto, quando foi atingido violentamente por uma onda durante uma viagem em família. O impacto provocou a perda de movimentos dos braços e das pernas. Desde então, o administrador enfrenta uma rotina intensa de reabilitação, com resultados que surpreendem até mesmo os médicos, que acompanham inúmeros casos todos os dias.

Segundo a irmã dele, a empresária Paula Torres, 40 anos, Filipe tem demonstrado disposição para recuperar a autonomia e voltar a fazer atividades que fazem parte de sua vida. Entre as conquistas recentes está a transição da cadeira de rodas para o andador. Inicialmente ele começou a usar um andador de duas rodas, com o avanço foi significativo, passou a utilizar um com quatro rodas, que exige mais controle do corpo.

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“A transição começou no final de setembro. E há três dias, ele está saindo do andador e usando muleta”, revelou a irmã. 

A cadeira continua disponível para situações em que precisa percorrer longas distâncias, como em um shopping.  “Ele só usa a cadeira de rodas se a gente for percorrer longas distâncias. Tipo assim, é um shopping e vai andar demais, aí leva a cadeira porque é muito exaustivo”, contou Paula.

A reabilitação é feita em dois locais, em uma clínica especializada em lesões medulares, na Asa Norte, e no Hospital Sarah Kubitschek, na Asa Sul. Filipe começou o tratamento na clínica assim que retornou à capital e iniciou o acompanhamento no Sarah há cerca de 20 dias. Na unidade, ele participa de uma internação híbrida, em que passa o dia no hospital e depois retorna para casa.

Dia longo

De segunda a sexta-feira, Filipe sai de casa às 7h e só volta por volta das 20h. São duas horas diárias de fisioterapia na clínica, além das atividades de reabilitação realizadas no Sarah. O trabalho inclui exercícios para recuperar a força muscular, melhorar o equilíbrio e treinar a marcha.

A evolução foi tão rápida que, em cerca de uma semana, Filipe passou do andador de duas rodas para o de quatro rodas. Depois, de aproximadamente 10 a 15 dias utilizando o equipamento, iniciou o uso de muletas.

“O lado direito dele ainda é o lado mais comprometido, mas ele consegue mexer as pernas e os pés. Ele conseguiu ter um avanço bem legal”, destacou Paula.

Além de recuperar movimentos importantes para a locomoção, Filipe retomou atividades que fazem parte de sua vida. Ele consegue nadar e tocar violão, ainda que não tenha recuperado a mesma destreza de antes do acidente. Segundo Paula, essas práticas também fazem parte do trabalho de reabilitação e ajudam o irmão a retomar habilidades do cotidiano.

Os planos para o futuro já estão definidos. Filipe quer voltar a surfar e, segundo a irmã, não desenvolveu medo do mar depois do acidente. Muito pelo contrário, está ansioso para entrar novamente na água.

Em uma conversa com o irmão, Paula relatou ter trauma em voltar a entrar na praia, mas recebeu uma resposta muito otimista do irmão. “Ele falou assim: ‘É o quê? Trauma do quê? Eu não vejo a hora. Eu vou surfar de novo”, contou a brasiliense. 

A empresária explicou que o receio em relação ao mar ficou com ela, e não com o irmão. Os dois já haviam passado por uma situação de afogamento na infância, quando foram salvos pela mãe. Mesmo após o acidente recente, Filipe continua demonstrando entusiasmo com a possibilidade de voltar a surfar.

Para Paula, o otimismo e a determinação de Filipe têm sido fundamentais durante o tratamento. Segundo ela, os médicos que acompanham o irmão também destacam que a postura positiva pode contribuir para a evolução da reabilitação.

“Desde o início a recuperação dele é muito surpreendente mesmo. O Felipe é muito otimista. Isso, por incrível que pareça, ajuda muito no prognóstico”, afirmou.

A família também se mobilizou para que Filipe não precisasse enfrentar sozinho a rotina de deslocamentos. Os amigos organizaram uma escala para levá-lo às sessões e às atividades de reabilitação. A cada dia, uma pessoa diferente o acompanha, o que permite que ele mantenha o convívio social e converse sobre assuntos variados.

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Entenda o caso

Filipe sofreu o acidente em 10 de agosto, durante uma viagem em família à Praia de Maracaípe, em Recife. Ele foi atingido por uma onda e sofreu um traumatismo raquimedular cervical, lesão que comprometeu os movimentos dos braços e das pernas.

No Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra, em Pernambuco, ele foi operado nas vértebras C4 e C5. Após quase duas semanas longe de casa, o administrador e a família retornou a Brasília, em 29 de agosto.

A viagem havia sido planejada após a morte do avô de Filipe, como forma de proporcionar momentos felizes à família durante o luto.