“Brasil é um país cristão”, diz Celina em Via-Sacra no Morro da Capelinha
Governadora acompanha a celebração desta Sexta-feira Santa (3/4), em Planaltina, onde acontece tradicional encenação da Paixão de Cristo
atualizado
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Nesta Sexta-feira Santa (3/4), data que marca, no calendário cristão, a morte de Jesus Cristo, milhares de fiéis se reúnem no Morro da Capelinha, em Planaltina (DF), onde ocorre a tradicional encenação da Paixão de Cristo.
Em sua 53ª edição, o evento reforça a relevância do local — reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal — e mantém viva uma das maiores manifestações de fé e tradição da região.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, acompanha a celebração e destacou o significado da data para os cristãos.
“O Brasil é um país cristão — inclusive, dados do IBGE mostram que católicos e evangélicos representam mais da metade da população. É uma mensagem de renúncia, amor e fé que precisa ser mantida viva, e representações como essa ajudam a tocar as pessoas e reforçar esse significado”, afirmou.
Desde o início da tarde, o clima já era de expectativa. Cavaleiros montados, soldados e personagens que representam prisioneiros percorrem o trajeto e dão vida às primeiras cenas do espetáculo a céu aberto, que chamaram a atenção do pequeno José Henrique Figueiredo. O menino vive um dia duplamente especial: além de acompanhar a via sacra pela primeira vez, comemora o aniversário de 4 anos.
Os pais, Rodrigo Figueiredo, analista de crédito, e Lorena Marinho, professora de educação infantil, atenderam ao pedido do filho e reforçam a tradição familiar. Morador de Arapoanga, Rodrigo conta que cresceu participando da celebração.
“Minha mãe me trazia quando eu era pequeno. A fé sempre esteve presente na nossa vida. Agora é a vez dele viver isso também, dar continuidade à tradição cristã na nossa família”, diz.
Joaquim Fernandes de Queiroz, 59, participa da caminhada em busca de recomeço. Diagnosticado com epilepsia em 2003, ele sobe o morro para cumprir uma promessa.
“Desde o acontecido, sou dependente da minha família. Minha mãe cuidava de mim, mas ela morreu no ano passado. Hoje eu moro com a minha sobrinha e quero ser mais independente, não quero dar trabalho para ninguém”, conta.
Promessas
Na manhã desta Sexta-feira Santa, fiéis deslocaram-se cerca de 3 km em um morro íngreme em direção à cruz, alguns de joelho, com o único combustível, a fé.
O evento reuniu dezenas de católicos, todos com um propósito diferente. Alguns agradeciam a cura de uma doença grave, outros pediam por saúde. A maioria fazia o trajeto de joelhos em representação à resiliência, à força e à gratidão por Cristo e Nossa Senhora.
Tatiane Pereira Pacheco, 43, foi uma das devotas. Ajoelhada, a mulher foi agradecer e renovar os pedidos. A gratidão foi pela cura do filho de 21 anos, que ficou entre a vida e a morte após ser intubado.
“Ele estava no trabalho, teve várias convulsões e precisou ficar internado”, conta. Ela lembra que sempre perguntava aos médicos se o filho iria sobreviver. “Eles não sabiam me responder, diziam que só Deus na vida dele”.
Outra história emocionante é de Maria de Lourdes da Cruz Lima, 56. Veterana, essa é a terceira vez que ela subiu o Morro da Capelinha. Mesmo com apenas 22% do coração em funcionamento e aguardando na fila por um transplante, ela subiu com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, o que ela classificou como milagre.
O ponto alto da Sexta-feira da Paixão acontece no início da noite, quando é encenada a crucificação de Cristo.





























